MAAT – As 11 Leis de Deus – Ra Un Nefer Amen

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                                     AVISO AOS LEITORES

ESTE LIVRO É AUXILIADO POR CDS DE MEDITAÇÃO
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Tabela de Conteúdo

Prefácio ………………………………………………………………. 1

Árvore da Vida Kemética vs. Hebraica ………………………….. 1
Árvore da Vida definida, e explicada …………………………. 1-5

Capítulo 1 ……………………………………………………………. 7

Constituintes Fundamentais do Ser do Homem e de
Deus …………………………………………………………………… 7

A dualidade indivisível do ser ……………………………………. 7

Relacionamento entre o Eu [Self] e o Espírito ……………….. 11

Propósito da criação ……………………………………………….. 13

Os três tipos de Homem ………………………………………….. 15

Quais são as Leis de Deus …………………………………………. 17

Capítulo 2 ……………………………………………………………. 21

Lei de amen …………………………………………………………. 21

Prova da existência de Deus ……………………………………… 21

Amen explicado ……………………………………………………. 32

Paz e felicidade ……………………………………………………… 37

Lei de Amen …………………………………………………………. 38

Capítulo 3 ……………………………………………………………. 39

Ausar [Osiris] ……………………………………………………….. 39

Deduzindoa lei de Ausar a partir da lei de Amen …………….. 39

Lei de Ausar ………………………………………………………….. 45

Capítulo 4 …………………………………………………………….. 47

Tehuti …………………………………………………………………. 47

Deduzindo a lei de Tehuti a partir da lei de Amen ……………. 54

Deduzindo a lei de Tehuti a partir da lei de Ausar ……………. 55

Deduzindo a lei de Tehuti a partir da evidência da
ciência …………………………………………………………………. 55

Lei de Tehuti ………………………………………………………….. 61

Capítulo 5 ……………………………………………………………… 63

Sekher ………………………………………………………………….. 63

Deduzindo a lei de Sekher a partir da lei de Amen ……………. 68

Deduzindo a lei de Sekher a partir da lei de Ausar …………….. 71

Deduzindo a lei de Sekher a partir da lei de Tehuti ……………. 71

A Necessidade por poder espiritual ……………………………….. 72

Capítulo 6 ………………………………………………………………   75

Maat ……………………………………………………………………… 74

Amor, o poder da ……………………………………………………….. 75

Interdependência ………………………………………………………. 80

Evolução ………………………………………………………………….. 81

Deduzindo a lei de Maat a partir das leis de
Ausar e Amen   …………………………………………………………… 85

Deduzindo a lei de Maat a partir da lei de Tehuti …………………. 85

Deduzindo a lei de Maat a partir da lei de Sekher …………………. 85

Lei de Maat ……………………………………………………………….. 86

Capítulo 7 …………………………………………………………………. 87

Herukhuti   ………………………………………………………………… 87

Justiça ………………………………………………………………………. 89

Três tipos de malfeitores ……………………………………………….. 92

Deus não pune, retribui ou protege ………………………………….. 93

Proteção Divina ………………………………………………………….. 95

Deduzindo a lei de Herukhuti a partir de das leis de
Ausar e Amen …………………………………………………………….. 96

Lei de herukhuti …………………………………………………………. 96

Capítulo 8 …………………………………………………………………. 97

Heru ………………………………………………………………………… 97

Heru e as 11 leis de Deus ………………………………………………. 101

A vontade e o Amor por Deus ………………………………………… 107

Lei de Heru ……………………………………………………………….. 108

Capítulo 9   ………………………………………………………………… 109

Het-Heru [Hathor] ………………………………………………………. 109

Deduzindo a lei de Het-Heru a partir da lei de Amen …………….. 113

Deduzindo a lei de Het-Heru a partir da lei de Sekher …………… 113

Capítulo 10 ………………………………………………………………. 115

Sebek ……………………………………………………………………… 115

Deduzindo a Lei de Sebek a partir das leis de
Amen e Sekher ………………………………………………………….. 118

Capítuo 11 ………………………………………………………………… 119

Auset [Isis] ………………………………………………………………. 119

Estado Beta [Beta state] ………………………………………………. 119

Estado Gama [Gamma state] ………………………………………… 121

Estado Alfa [Alpha state] …………………………………………….. 122

Estado Delta [Delta state] ……………………………………………. 123

Sonhos ……………………………………………………………………. 125

Deduzindo a lei de Ausar a partir das leis de
Amen e Sekher …………………………………………………………… 129

Lei de Auset [Isis] ………………………………………………………. 130

Capítulo 12 ……………………………………………………………….. 131

Geb ………………………………………………………………………….. 131

Deduzindo a lei de Geb a partir das leis de
Amen e Sekher ……………………………………………………………. 133

Lei de Geb ………………………………………………………………….. 134

Capítulo 13 ………………………………………………………………… 135

Resumindo as observações ……………………………………………. 135

Função do poder espiritual e sua dependência sobre as
11 Leis de Deus …………………………………………………………… 137

Aspecto relacional da Árvore …………………………………………. 140

Relacionamentos complementares na Árvore ……………………. 140

Relacionamentos de Polaridade na Árvore …………………………. 141

Índice ………………………………………………………………………. 144

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Prefácio do Autor

As 11 leis de Deus são baseadas na Árvore da Vida Kamítica [Kamitic Tree of Life], a qual foi referida, entre vários nomes, como a Paut Neteru [the Paut Neteru], ou “Companhia dos Deuses” [“Company of the Gods”]. Estudantes da Qabala * bem como especialistas estão certamente se perguntando sobre a minha atribuição de 11 esferas para a Árvore, quando a tradição Hebraica e sua ramificação Grega (então-chamada Kyballion) afirmam que há apenas 10 esferas na Árvore.

[* – Qabala é a grafia correta da palavra. Esta vem do verbo Cananeu [Canaanite] “Qbl”, significando receber. É um conjunto de ensinamentos que prepara a pessoa para receber a sabedoria e poder espiritual de Deus.]

O problema reside no entendimento da palavra que foi traduzida como “esfera”. Por alguma razão esta devia ter sido, mas não foi claramente compreendida pelos Qabalistas Hebreus como um lugar ou ambiente em que uma coisa existe e/ou origina-se. As esferas da Árvore daVida correspondem, assim, aos princípios e forças que influenciam os pensamentos, sentimentos, ações e destino do homem.
Eles são melhor pensadas como esferas de influência.

A Árvore da Vida é nada mais do que um sistema para classificar as influências que operam no espírito do homem e de Deus. Estas influências são experimentadas por todas as pessoas como desejos ou impulsos interiores. Nós todos somos conduzidos, por exemplo, pelo desejo de nos reunir e unir com os outros – casamento, família, nação, etc. Este impulso origina-se da primeira esfera de influência – Ausar da Árvore Kamitica, e Kether da (Árvore) Hebraica.

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FIGURA ÁRVORE DA VIDA KMT.jpg

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Todos nós são movidos pelo desejo de felicidade. Não nos envolvemos na série de atividades da vida por elas próprias.
No final, tem de haver prazer e satisfação no casamento, carreiras, alpinismo, etc. O desejo de felicidade está intimamente ligado com a condução universal para a paz interior. Ninguém procura por irritação [aggravation]. É de paz que precisamos para a cura e para o funcionamento óptimo das nossas faculdades. Este desejo tem origem na esfera 0 de influência – Amen da Árvore Kamitica, Ain Soph da Árvore Hebraica. É essa influência em nossas vidas que foi mal interpretada pelos Hebreus. Eles pensaram que o Ain Soph é incompreensível para o homem. A verdade é [Truth is], ela é a raiz da árvore, portanto, (a raiz)do ser do homem. Corresponde ao estado incondicionado e indiferenciado original da energia e substância que é modificada (condicionada) para formar os veículos do homem (“alma”, “mente” e “corpo”) de manifestação no mundo. Ela (a esfera 0) permanece no âmago [core] do nosso ser acenando para nós para retornar e/ou para manifestá-la em nossa vida diária.
Ela é o Hetep dos ensinamentos espirituais Kamíticos e o Nirvana do Hinduísmo. É o nosso estado de paz original, que devemos recuperar e manifestar no lugar da dor e do sofrimento que nos rouba o nosso apelo para a felicidade.

Esta não é a única diferença entre a Árvore da Vida Kamitica e a Hebraica. Ao longo do livro, os estudantes sérios de Qabala irão notar estas. Não há intenção de criticar o sistema Hebraico. As diferenças foram apontadas para simplesmente colocar o leitor à par de que elas não são produtos de ignorância do assunto. O leitor deve pôr de lado, ainda que apenas temporiamente, outros ensinamentos que ele ou ela tenha recebido, para limpar o caminho para a compreensão do material ensinado neste livro.

Um conjunto de princípios organizados através da Árvore da Vida adquirem propriedades não diferentes daquelas de polígonos. Isto é, seu significado e valores são derivados de sua inter-relação. Deste modo, a validade da atribuição de um princípio para qualquer esfera da Árvore de Vida é determinada por sua relação com outros princípios por meio de sua atribuição na Árvore, e não repousa, portanto, na tradição ou autoridade. A Árvore fala por si própria. Mas eu já provei isso em 1990, quando publiquei meu Metu Neter Oracle [Oráculo Metu Neter] que funciona mostrando qual esfera de influência (e sua condição) na Árvore – ou que parte do espírito – está controlando o evento que o sujeito perguntou ao oráculo. A Árvore fala por si mesma.

Não podemos ignorar essas influências em nossa vida. E devemos dar-lhes expressão adequada. Na realidade, tudo o que está errado no mundo é devido à mal-entendimento e expressões incorretas dessas influências pelo homem. Por exemplo, a maioria das pessoas acreditam que o desejo universal para a paz interior (esfera 0, Amen, Nirvana, Ain Soph), que está por trás do desejo de felicidade, pode ser satisfeito através do sucesso em atividades mundanas. No decorrer deste livro, vamos ver por que isso é errado e impossível.

Porque as influências operando no espírito do homem são forças que são imutáveis na natureza, uma vez que elas são as mesmas forças que operam em toda a natureza — a força da gravidade, as forças no átomo, o magnetismo, etc. — devemos conhecer as leis que as regem, se esperamos ganhar controle sobre elas e expressá-las corretamente em nossas vidas. Na verdade nós devemos, ou (caso contrário) iremos acabar por perecer em nossas próprias mãos.

Ra Un Nefer Amen, Novembro de 2003

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                                       Capítulo 1

Constituintes Fundamentais do Ser de Deus e do Homem
Fundamental Constituents of God’s and Man’s Being

A indivisível Dualidade do Ser

Nosso ser [being] — e aquele de Deus, como nós fomos criados à Sua imagem — é composto por duas entidades indivisíveis. É um indivíduo, isto é, uma dualidade e indivisível composto por uma entidade que é uma consciência [consciousness] que é responsável pelo comportamento voluntário ou da vontade [willied behavior], e uma inconsciência [inconsciousness] que é responsável pelo comportamento involuntário e automatizado [automated behavior]. Uma análise cuidadosa dessas duas partes do ser vai mostrar que o ato de vontade (ou de querer) [willing act] é apenas uma indicação de um ato potencial e não tem a energia para realizar o que foi querido [willed]. A realização de nossa vontade é a tarefa da parte inconsciente do ser na qual residem as forças — emoções — para a execução da vontade. É por isso que as pessoas têm tanta dificuldade em exercer (ou realizar) a sua vontade, por exemplo, para quebrar um mau hábito como fumar. Uma parte do ser declara, porque ela é desprovida de energia, enquanto que a outra executa porque tem a energia para o fazer. Dado o fato de que a energia é opostamente polarizados pela matéria, temos de concluir que o inconsciente é composto de energia/matéria.
Este agrupamento estabelece, pela lógica, a proposição * de que, se uma parte do ser é composta de energia/matéria, a outra parte do ser – consciência/vontade [consciousness/will] — é imaterial e desprovida de energia.

[ * – Você acabará por saber que é um fato.]

Uma vez que a consciência, a Eu [Self], nossa identidade é imaterial e desprovida de energia, é imperceptível. No sistema espiritual Kamitico, a imperceptibilidade do Eu [Self] foi indicada pelo princípio divino “Amen” [“Amém”], o oculto, escondido.
Veremos mais tarde que Amen também representa a identidade de Deus. Nós podemos esquematizar os aspectos fundamentais do ser da seguinte forma

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Observe que a parte imaterial do ser — consciência/vontade [consciousness/will] — tem sido associada com o Eu/Identidade [Self/Identity]. Em outras palavras, a CONSCIÊNCIA [CONSCIOUSNESS] É O QUE E QUEM SOMOS — nossa identidade – e disposição (ou vontade) [willing] é o que fazemos. Logicamente, isso significa que a parte material/energia do ser, o ESPÍRITO, é NÃO EU [NOT SELF]. A maioria dos leitores vai achar isso confuso, uma vez que têm repetidamente ouvido dizer que “o homem é espírito e não o corpo físico.” O homem é destinado a viver no mundo como um ser espiritual, e não como um ser físico. Este é um erro que tem contribuído imensamente para a incapacidade da grande maioria das pessoas – os então-chamados gurus e “mestres espirituais” incluídos, para dar verdadeiramente ao mundo um sistema eficaz de cultivo e desenvolvimento espiritual. Veremos que as 11 Leis de Deus representam as verdades que regem o comportamento do Eu [Self], do Espírito (não eu) e sua interação para produzir os eventos que chamamos de vida. A maneira pela qual estas duas partes fundamentais do ser manifestam-se no mundo e interagem uma com a outra está distribuída através dos 11 centros de influências espirituais – esquematizados como a Árvore da Vida [Tree of Life].

A esquematização da interação das duas partes fundamentais do ser, através das 11 esferas da Árvore da Vida, traçam uma progressão de mudanças a partir do estado essencial e original de ser [being], que é a unidade [oneness], para o estado substancial e transformado de ser, que é numeroso [many], Em outras palavras, Um ser manifestando-se como muitos [One being manifesting as many].

Que nós somos essencialmente um ser, tanto quanto a parte da identidade do nosso ser está em causa, está enquadrado (planejado) [framed] nos atributos do Eu [Self]. Uma vez que a eu [self] — consciência/vontade é imaterial, não pode ser dividido, multiplicado, não se pode adicionar a ele ou subtrair dele. Este atributo do Eu [Self] foi denotado na espiritualidade Kamítica como o princípio divino Atem, a partir do qual os Gregos derivaram seu conceito de átomo [atom]. uma unidade indivisível *.
[ * – É bem conhecido que Demócrito estudou por muitos anos no Egito.]

A nossa unicidade [oneness] como parte da parte de energia/ matéria do nosso ser está em causa está enquadrada (planejada) [framed] nos atributos do estado essencial e original da fundação [fundamento ou base] da energia e material dos nossos veículos (mente, corpo, etc.). Em seu estado original nossa matéria é indiferenciada, não estruturada, não moldada em formas ou coisas, e nossa energia está em um estado de inatividade (estado de paz, Hetep, nirvana – isto é, não em movimento [not moving]). Este estado de ser correspondem a “0” na Árvore da Vida.

Uma vez que nosso estado essencial e original, ou estado verdadeiro do ser é um de unicidade [oneness] devido à indivisibilidade da Eu imaterial [immaterial Self], e o estado original indiviso de energia/matéria, o nosso ser é infinito (matéria não limitada) um eterno (consciência/Eu está fora do domínio do espaço e do tempo). A partir disso segue-se logicamente que o processo conhecido como criação só pode ser uma transformação (divisão) e modificação de uma parte da extensão ilimitada da matéria. É uma progressão do eterno pacífico [the peaceful eternal one] para o aparecimento dos numerosos (ou muitos)[many], separados, energizados (emocionais) mortais (finitos, não eternos) seres [beings].
É por isso que o termo “indivíduos” — dualidade indivisível foi cunhado para nos indicar. Os duos [duals] que não podem ser divididos são os elementos do nosso estado essencial e verdadeiro, que é a unicidade [oneness], e nosso estado manifestado que é a separação como muitos [many]. O processo através do qual a separação da consciência indivisível una [one indivisible consciousness] (eu de Deus) [God’s self] nos aparentes muitos [many] é conseguido através das modificações de energia/matéria. Nós somos como uma luz (consciência/eu) passando por painéis translúcidos de diferentes cores (modificada energia/matéria), e manifestando-se como diferentes, e separadas luzes de cores diferentes. A falha para relacionar adequadamente esta realidade do ser está por trás dos muitos problemas vividos no mundo. A grande maioria vê apenas as diferenças que são superficiais, e caem na armadilha de declarar os outros como inimigos, concorrentes, ameaças, bucha de canhão, mercadorias, etc. Outros aprendem ou reconhecem que debaixo das diferenças superficiais estão elementos que nos unem em um só ser, mas estão em uma perda sobre o quão inteligentemente e seguramente unir-se com aqueles que estão fora para fazê-los para dentro. Os agentes que levam o nosso ser a partir do seu estado de unidade essencial para a manifestação como muitos são um fluxo (ou riacho) dual [dual stream], no qual uma corrente é composta dos fatores formadores da unidade, e a outra corrente é composta pelos fatores formadores de divisão. É a harmonização destas duas correntes [streams]*, e a unicidade essencial com a diferenciação manifesta que é o assunto das 11 Leis do Espírito. Nós podemos esquematizar isso na Árvore da Vida como vista no diagrama no final deste capítulo.

[* – Estes (dois fluxos ou correntes) são os pilares do templo, Jachim e Boaz, e a fundação do Duplo Salão da Verdade [Double Hall of Truth] — Maati, equilibrada pelo pilar do meio. Eles são reflectidos nos prótons, elétrons e nêutrons do átomo e nos hemisférios cerebrais direito e esquerdo, e corpo caloso (corpus callosum) do cérebro do homem.]

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Relacionamento entre o Eu [Self] e o Espírito

Outra camada subjacente de informações que devemos ter antes que possamos entender as Leis do Espírito diz respeito à relação entre o Eu [Self] e o Espírito.

Afirmou-se que o Eu [Self], que é a própria consciência e cuja função que é o querer (ou vontade) [to will] é imaterial e, portanto, desprovida de energia. Por outro lado, o Espírito é material e energético e desprovido de consciência e de vontade. É muito importante compreender esta separação de funções entre os dois componentes fundamentais de nosso ser. Querer [to will] é ativar uma faculdade que é desprovida de matéria e energia. Portanto, este [querer ou vontade (to will)] não pode realizar a ação que ele sinaliza. Falar de uma vontade fraca [weak will] é denunciar uma ignorância que fala volumes sobre as causas do fracasso na vida – a ignorância do conhecimento do Eu [Self]. Por outro lado, Espírito que é desprovido de consciência e não pode ser o iniciador principal da sua manifestação no e como o mundo. Manifestações (criações) no reino do Ser Supremo, bem como no Homem (Consciência) são iniciadas pelo ato de sua ferramenta informe de ação [formless tool of action] – a vontade. Até mesmo a idéia que é carregada pela vontade subsiste em um estado informe (imaterial). Em resposta à vontade [will], a energia/matéria (espírito) que estava em um estado de não-diferenciação e repouso (paz) é posto em movimento (e-moção), que faz com que a matéria assuma a forma implícita na vontade imaterial do Eu [Self]. É importante saber que embora o Eu [Self] no Homem saiba o que [what] quer manifestar (isto é, o que é disposto [willing]) e o porquê (motivo) [why], ele não sabe como [how] e quando [when] isso vai se desenvolver. *

[* – Embora isto seja verdade para o Eu (Self) como homem, não é verdade para o Eu (Self) como o Ser Supremo.]

Em outras palavras, ao Eu [Self] pertence o quê [what] e o porquê [why], e ao espírito pertence o como [how] e o quando [when]. São as verdades que regem os atributos do Eu [Self], do Espírito, e de seu relacionamento, que constituem as Leis do Espírito [Laws of the Spirit].

Outro fator extremamente importante na relação entre o Eu [Self] (consciência) e o Espírito está enraizado em suas diferenças. Desprovido de energia e matéria, o Eu [Self] está absolutamente livre e em paz. Por outro lado, o espírito, uma entidade de energia/matéria é obrigado pela lei, que é um fator limitante e energético (emocional). Por uma questão de manifestação no mundo, o espírito dispõe corpos para a consciência e, no processo, ele submete a consciência (o eu) [Self] à limitações à sua liberdade e sobrepõe dor e prazer sobre sua paz. Isto tem um efeito de definição [defining effect] sobre a vida. O Eu [Self], que não era capaz de ter experiência em sua esfera de origem — a energia estava em repouso, e matéria indiferenciada — vem ao mundo através das formas e forças fornecidas a ele pelo espírito, e porque estas têm efeitos opostos, num primeiro momento, sobre sua natureza (perda de paz, eternidade e infinitude *), ele postula como seu principal esforço a recuperação de sua paz (felicidade), e sua liberdade (o domínio [maestria] [mastery] sobre as emoções, as forças do espírito e da natureza). Seu sucesso nesta obra é coroado com prazer, utilizado corretamente, e seus fracassos com dor.

[* – É importante notar que estes são atributos do lado imaterial da vida, a eu/consciência (self/consciousness). Pensadores como Newton e Einstein, que não podiam conceber uma realidade imaterial ou não podiam insperienciar a si mesmos como consciência pura, tentaram imaginar a eternidade e infinitude em termos materiais – uma impossibilidade.]

É óbvio que muito, muito mais mais deve ser dito sobre a dor e o prazer para tornar a instrução anterior precisa. O entendimento [insight] necessário será dado conforme nós passemos pelas várias leis. O que é importante neste momento é a constatação de que a capacidade do Eu [Self] para recuperar sua paz, uma vez que tenha entrado no mundo, é a primeira realização mais importante que deve ser assegurada.

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O Propósito da Criação

Agora que temos uma compreensão do Ser [Being], podemos prosseguir para obter uma compreensão da criação. Antes da criação, o que os sábios Kamiticos referiram como antes do primeiro dia [before the first day], a energia estava em um estado de inatividade, e a matéria ainda não fora diferenciada em forma porque a vontade [will] estava em um estado de inatividade. Como resultado a consciência (Eu de Deus) [God’s Self] não tinha coisa alguma para perceber, e porque a consciência é imaterial (indivisível e não multiplicável) era um sem um segundo – tudo sozinho [one without a second – all alone]. A única maneira em que a experiência poderia vir a existir era através da energia da vontade do Eu [Self’s willing energy] para modificar a matéria em formas, e entrar nas formas como seus eus residentes [indwelling selves]. O mundo foi criado por Deus, portanto, para que Este pudesse aproveitar a vida [The world was thus created by God that It might enjoy life].

Embora a consciência que habita em todas as criaturas de Deus seja aquela de Deus (lembre-se que a consciência é imaterial, portanto, indivisível), há apenas uma criatura que foi criada de tal forma que permite a plena expressão do Eu de Deus [God’s Self] no mundo. Esta criatura é o Homem [Man]. Em outras palavras, o Homem [Man] – uma vez totalmente evoluído – é o veículo de Deus no mundo (todas as outras criaturas na Terra são os veículos terrestres (ou terrenos) do Espírito de Deus – a natureza). O que diferencia o homem de todas as outras criaturas, anjos incluídos, é a vontade [will]. Ela/ele é a única criatura a qual tem sido dada a liberdade de escolher e decidir obedecer ou não às leis da natureza. Enquanto todas as criaturas são obrigadas a seguir as leis da natureza (o Espírito), o homem tem a liberdade de escolher. A razão para isto é simples. Uma vez que o homem é o veículo mundano da consciência e vontade de Deus, ele deve estar constituído para permitir a expressão da liberdade de Deus. E como sabemos o desdobramento da consciência Divina através do Homem é um processo gradual. Muitas culturas identificaram três fases [stages] claramente delineadas.

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Os Três Tipos de Homem

Um estudo cuidadoso dos ensinamentos espirituais de culturas avançadas irá revelar uma divisão da “humanidade” em três grupos; o humano [human], o homem [man] propriamente, e o Deus-homem/mulher [God-man/woman]. O princípio definidor é a vontade [will].

O ser humano [human] é assim rotulado para indicar que ele é um ser terrestre [earthly being] – homem hummus (terra), ou ‘hu mano’ [hu man]. Este rótulo indica o tipo de homem [kind of man] [mankind] (humanidade), cuja vontade é tão pouco desenvolvida (ela está dormindo) que a parte terrestre do Ser – emoções e sensualidade (o inconsciente) – determina o seu comportamento e destino. Além disso, porque a vontade está relativamente ainda dormindo *, o processo mental é dominado pela aceitação de atividade derivada de pensamento associativo [acceptance of associative thought drift activity]. O processo de raciocínio é baixo e incompetente. Crença e fé tomam o lugar da razão e do conhecimento [knowledge]. A Passividade é a marca.

[ * – A Consciência aqui está focada na 9ª esfera, onde o homem permanece dormindo espiritualmente.]

A segunda categoria é o Homem [Man] propriamente. A vontade atingiu a plena maturidade (ela despertou) e a principal marca distintiva da entidade é a luta [struggle] para impor a vontade sobre as emoções (o inconsciente). Além disso, porque a vontade é totalmente ativa, o processo mental é dominado pela razão e pelo conhecimento. *

[ * – A Consciência aqui está focada na 6ª esfera, onde o homem permanece espiritualmente desperto.]

A terceira categoria corresponde ao Homem [Man] que consumou a união entre a vontade e o inconsciente; recuperou o estado original de unidade e de paz * – Hetep, Nirvana **.

[ * – A Consciência aqui está focada na 1ª esfera, onde o homem pode funcionar com a vigília [wakefulness] no reino subconsciente ou espiritual.]
[ ** – A consciência está aqui sob a influência da esfera 0.]

Aqui [neste ponto], não há luta porque o poder espiritual foi adicionado às faculdades de ações externas e a sabedoria [wisdom] (intuição) foi adicionada à razão. Os Hindus se referem a esses três estágios como Tamásico, Rajásico, e Sátvico [Tamasic, Rajasic, and Satvic] respectivamente. Os Taoístas se referem a esses tipos de homem como o homem inferior, homem superior e o sábio [inferior man, superior man and sage]. Partindo da cosmologia Kamitica [Kamitic cosmology], Eu os tenho designado como o homem Sahu, o homem Ab, e o homem Ba [Sahu man, Ab man, and Ba man], de acordo com a divisão do espírito * que eles alcançaram.

[ * – Detalhes sobre a divisão do espírito são totalmente determinados em meus outros trabalhos: Metu Neter volumes 1 e 2, e Tree of Life Meditation System (Sistema de Meditação da Árvore da Vida).]

A meta do homem na vida é a mesma que aquela de Deus – gozo da vida – felicidade. Nós veremos conforme vamos através deste livro, que para realizar esta meta o homem deve primeiro realizar a sua divindade – tornar-se o veículo da consciência de Deus no mundo. Esta é a única maneira em que o homem seria capaz de superar os muitos obstáculos que a vida na Terra traz.

Deve ser entendido que todas as experiências estão nos levando para essa realização. Uma coisa que todos nós temos em comum é a necessidade de conhecimento e poder para realizar as atividades da vida, e os desafios do mundo são de tal magnitude que os homens são obrigados a procurar profundamente dentro de si por fontes de um tipo de conhecimento e poder que irá ajudá- los a prevalecer. Aqueles que as encontraram as têm rotulado de sabedoria e poder espiritual. E, embora, a maioria das pessoas possa pensar que estes são a providência de alguns poucos homens e mulheres talentosos, temos de compreender que o que chamamos de sabedoria e poder espiritual são simplesmente a manifestação no Homem da onisciência e onipotência de Deus. Tornar-se um veículo para a manifestação de Deus no mundo não é uma questão de dádivas ou graça [gifts or grace], mas é o resultado de se observar as leis de Deus.

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                     O Que São As Leis de Deus
What Are the Laws of God

Vamos começar deixando claro que as Leis de Deus não têm qualquer semelhança com as leis do homem. Elas não são injunções ou mandamentos a serem obedecidas. Eles não são regras, proibições e regulamentos estabelecidos para reger o comportamento do homem. Nem são elas convenções que os sábios encontraram e concordaram sobre.

Elas são princípios que explicam a natureza e a interação das forças e princípios que influenciam a vida do homem – seus pensamentos, sentimentos, ações e destino.
A observância destes princípios permitirá ao indivíduo viver em harmonia com esses princípios e forças, ganhando, assim, o acesso à sabedoria e poder espiritual de Deus — tudo o mais que é necessário ou é importante na vida irá seguir isso. Elas aplicam-se às 11 esferas de influência espiritual operando no espírito do homem e do mundo.

A apresentação das leis não apela para a crença, fé ou compreensão através de alguma ainda não manifestada faculdade “espiritual mais elevada”. Elas apelam para o poder de raciocínio e a experiência comum do homem.

Elas visam fornecer o homem com uma convicção inabalável baseada na compreensão derivada logicamente, dado que é assim que o poder do espírito é mobilizado para atuar plenamente no mundo. Pode parecer ser uma contradição a apresentação das Leis de Deus como sendo baseada no raciocínio lógico. A contradição existe apenas nas mentes de pessoas que não conseguiram entender a base da ciência e da religião.

A palavra “ciência” vem do Latim “scire”, que significa “saber” [“to know”]. – Na verdade, serve para a determinação de que algo é realmente conhecido [truly known].
Opor-se e excluir a ciência do domínio espiritual e religioso é dizer que existe incapacidade para alcançar o verdadeiro conhecimento a respeito de Deus e os fatores de formação da espiritualidade e religião. Isso pode ser verdade para algumas religiões, especialmente aquelas que têm sido erigidas sobre a crença e fé.

É simples. Se você pode provar um ponto, especialmente com a segurança proporcionada pelo método científico, então você não teria que pedir a alguém para acreditar ou ter fé em sua apresentação. Nós não dizemos que temos fé ou que acreditamos que a combinação de dois átomos de hidrogênio com um de oxigênio resultará na formação de água. Nós sabemos.

O argumento errôneo de que coloca a religião e a espiritualidade em uma categoria separada da ciência, matemática e lógica – crença e fé contra a razão e o conhecimento – será totalmente refutado no decorrer deste livro.

Esta não é a primeira vez que este conhecimento tem sido revelado. É bem conhecido por alguns estudiosos que vários religiosos da antiguidade não estavam baseados em fé ou crença, mas no conhecimento [knowledge]. Algumas das tais foram as religiões Gnósticas (gnosis é [o termo] Grego para conhecimento [knowledge]) (os mistérios de Orfeu, Eleusis), o Mitraísmo dos Persas e do antigo Império Romano e muitas outras – a maioria das quais foram derivadas dos sistemas religiosos de Kamit (Egito antigo).

A conexão entre a religião com a lógica, o direito [lei] e a ciência, pode ser inferida a partir da cunhagem de algumas palavras relevantes. O termo “religião” está relacionado com a raíz Indo-Europeia “leg”, que significa “coletar, ou ligar” [“to collect, or to connect”], daí o Grego “legein”, e o Latim “legere”, significando “lógica” e “legal”. Os homens que cunharam estas palavras conectavam a religião com a lei, e a lógica (que determina a conexão legítima entre as coisas). Não havia nenhum pensamento para separar a religião do domínio do pensamento lógico. Este livro vai tornar isso bem claro.

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Capítulo 2

             Lei de Amen, Esfera 0 da Árvore da Vida

Prova da Existência de Deus

Há um mundo de diferença entre ser capaz de dizer que você acredita na existência de Deus, e dizer que você sabe que Deus existe. A diferença não é facilmente perceptível para a maioria das pessoas na medida em que elas não têm uma profunda compreensão do significado da palavra “crença”. Digamos que há uma panela de feijão no fogão e, geralmente, leva entre 60 a 90 minutos para cozinhar completamente este tipo de feijão. Qual seria a sua resposta se você fosse perguntado se os grãos estão bem cozidos no ponto de 60 minutos, e você não pudesse realmente verificar o feijão? Você só tem a estimativa de tempo para sugerir uma resposta. Como há um elemento óbvio de dúvida, devido à ausência de provas, você só pode responder com “Eu não sei”, ou “Eu acredito que sim”, ou “é possível”, ou “talvez não”, etc. E digamos que é dado a você um teste de múltipla escolha em que sua vida depende da resposta correta. Você questionado a escolher a resposta correta para a pergunta acima. Declaração “A”: Eu sei [know] que os feijões estão bem cozidos. Declaração de “B”: Eu acredito [believe] que os feijões estão bem cozidos. Uma vez que o elemento tempo sugere que os feijões podem estar cozidos, “B” é a escolha correta. Embora seja fácil ver neste exemplo, e muitos outros como este, que nós expressamos a “crença” [“believe”] quando nos falta a prova e não somos, portanto, capazes de dizer que sabemos [know], a maioria das pessoas não pode ver o princípio quando expressam a crença [belief] na existência de Deus ao contrário de expressar que eles sabem [know] – tem uma prova – que Deus existe. Dizer “eu creio” [“I believe”] é dizer “Eu não sei”. Antes de dizer que você sabe [know], vamos entender que a expressão do conhecimento [knowledge] requer que se dê prova. E a prova requer a apresentação de evidêcia que deve ser universalmente aceitável para todos; evidência que argüida. É por causa da evidência que nós ‘sabemos’, e não ‘acreditamos’, na existência de mamíferos marinhos, dinossauros, vulcões, eletricidade, etc. Nós não ‘acreditamos’ que se fizermos contato com uma certa quantidade de tensão elétrica por uma certa quantidade de tempo, que isto vai nos matar. Nós sabemos!

Para compreender claramente essas diferenças é importante notar que quando experienciamos um objeto há sempre as propriedades do próprio objeto (o lado objetivo), e as nossas idéias e sentimentos sobre o objeto (o lado subjetivo). Em outras palavras, o objeto como ele é, independente de nós, e o que está na mente do sujeito (dependente de nós). Para uma pessoa o dia vai ser morno, e para outra este vai ser quente, e elas podem discutir por dias sobre isso e nunca concordar. Esta é a natureza da expressão subjectiva. Por outro lado, todos eles vão ter que concordar se é dito que está fazendo 70 ° C – expressão objetiva. Quando a nossa experiência do mundo é expressa em linguagem objetiva todos temos de concordar, porque estamos fazendo uma indicação que denota o objeto como ele é (ou concorda com um padrão universalmente aceito, ou categoria universalmente reconhecida).

Quando usamos a linguagem subjetiva, muitos vão discordar porque a declaração indica o que pensamos ou como nos sentimos – o que também pode ser diferente para o próprio falante em um outro momento. Expressões subjetivas são, portanto, classificadas como crenças [beliefs], enquanto que expressões objetivas são categorizadas como conhecimento [knowledge]. Com esse entendimento, temos de olhar para o fato de que a maioria das religiões não conseguiram explicar o ser de Deus de uma forma objectiva que todos teriam que concordar. Você diz que você acredita, ou que tem fé porque você não pode explicar uma coisa ou um processo com a objetividade (acordo universal) que acompanha a sujeição da água à 32 ° C para conseguir gelo. E já que você não pode dizer que você sabe [know], há sempre espaço para a dúvida na crença, há sempre espaço para que a fé seja abalada – ou, como a maioria das pessoas fazem – simplesmente prosseguir suas vidas de uma forma que, na realidade, não leve em conta a sua crença em Deus ou as doutrinas de sua religião – apesar das palavras ocas. Como, por exemplo, pode um cientista, assim-chamado, estar confortável com a declaração da ‘crença’ em Deus, e ainda apoiar uma teoria da criação que não faz ou não pode objetivamente (de forma universalmente aceitável) colocar Deus no comando da criação? Como pode um político declarar que Deus é o regente do mundo, e ainda assim separar o estado de Deus — deixar Deus fora da escola, e do governo? Poderia ser que eles não conhecem nem a Deus nem a ciência?

Deveria Deus ser o fator dominante na vida das pessoas religiosas ou espirituais? Uma análise em profundidade da vida das pessoas vai mostrar que isso não é assim. Enquanto a maioria dos críticos tenta colocar a culpa nas próprias pessoas – acusando-as de hipocrisia – a culpa recai sobre as religiões e os próprios sistemas espirituais. Qual o papel que Deus desempenha na vida de uma pessoa depende se a pessoa ‘acredita’ [believe] no ser de Deus ou tem ‘conhecimento’ [knowledge] do ser de Deus.

Um dos maiores danos causados ao mundo foi a declaração por cientistas ocidentais de que a ciência contradiz a religião; de que um dos maiores avanços na inteligência do homem – na verdade um milagre – ocorreu quando os Gregos tiraram Deus para fora do quadro da criação. Para compensar a ausência de um ser inteligente responsável pela criação, os cientistas ocidentais inventaram o conceito do acaso e da atividade aleatória.

Minha resposta a essas noções é que os Gregos, sem querer, conseguiram separar visões defeituosas sobre a ciência de visões defeituosos sobre Deus, e ninguém notou. Fato é que, quanto mais você entende sobre lógica, matemática e ciência, o mais perto que você vai chegar de Deus. Vamos começar nossa busca indutiva com a consideração de dois conceitos ocidentais.

O primeiro conceito afirma que a criação da matéria e do mundo começou com um big band; “Gases *” como resultado de certas forças que agem sobre eles explodiram gerando uma grande quantidade de calor, que após arrefecimento, formou os elementos. Primeiro hidrogênio foi criado, em seguida, hélio e assim por diante.

[* – Sejamos legais para os cientistas e permitamo-lhes teorizar sobre a criação do mundo a partir de matéria e forças já criadas. Eles são assim mentalmente desafiados pela natureza.]

O segundo conceito afirma que os elementos assim produzidos se juntaram por acaso e formaram seres vivos, que, no decurso do tempo criaram inteligência.

Qual seria a sua conclusão, se você viajasse para um distante planeta desabitado e encontrasse uma pilha de tijolos, exatamente iguais em tamanho e peso, alguns configurados de acordo com uma série geométrica, enquanto que outro grupo [destes tijolos] estava organizado para formar as letras do alfabeto. Você não concluiria que algum ser inteligente chegou lá antes de você, e foi responsável pelo arranjo?

De alguma maneira, os cientistas deixaram escapar o fato de que, após o Big Band, a criação de elementos procedeu de acordo com regras matemáticas rigorosas. Todos os elementos são feitos dos mesmos componentes, apenas configurados de forma diferente. A progressão de um elemento para o próximo segue um padrão matemático estrito, em que as propriedades inerentes de cada elemento são repetidas no elemento em 8 locais afastados [8 places away]. Esta troca cíclica ou periódica de qualidades, é a base para o arranjamento dos elementos na Tabela Periódica dos Elementos.

Devemos também observar que, embora cada elemento seja diferente, a estrutura de todos segue o mesmo padrão.

A unidade fundamental do elemento é o átomo [atom], e átomos são compostos de partículas com carga positiva nomeadas protons, partículas neutras nomeadas neutrons, que, em juntas ocupam o centro do átomo (o núcleo).
Girando em torno deste núcleo estão partículas carregadas negativamente chamadas elétrons.

O que eu quero chamar para a sua atenção em seguida, é a configuração desses elétrons. Eles giram em torno do núcleo em órbitas diferentes, chamadas de conchas [shells]. A primeira concha (ou camada) [shell] contém um máximo de 2 elétrons, a segundo 8, a terceira 18, a quarto 34.

Isso nos dá a série matemática

2 (1) 2 = 2
2 (2) 2 = 8
2 (3) 2 18 =
2 (4) 2 = 32

O que é notável no arranjo acima é que os vários elementos (ferro, ouro, etc), que são compostos de diferentes configurações das partículas acima, seguem o mesmo padrão como mostrado acima, quando dispostos na tabela periódica dos elementos.

Nós descobrimos que a mesma força modeladora [shaping force] que é responsável pela criação das conchas [shells] que seguram os elétrons, organiza a distribuição dos elementos da natureza, de modo que eles apresentam o mesmo arranjo na tabela periódica. Assim, encontramos na distribuição dos elementos que eles seguem a mesma série 2 8 18 32.
Na primeira linha [first row], temos 2 elementos, hidrogênio e hélio, nas linhas 2 e 3 encontramos 8 elementos em cada linha, nas linhas 4 e 5 encontramos 18 elementos em cada, na linha 6, encontramos 32 elementos e na linha 7 nós encontramos 23 elementos. A última linha não quebra o padrão. Ela contém elementos que são tão instáveis que o limite de integração foi alcançado antes de atingir o 32º elemento possível. É como se os átomos tomados em conjunto fossem, todos, elétrons girando em torno alguma força nuclear desconhecida (gravidade talvez?).

figura tabela elementos -
Tudo isso é muito interessante, mas não estamos interessados em química neste momento. Lembra-se de sua conclusão sobre os blocos ordenadamente dispostos que você encontrou no planeta X?
O que temos aqui é o fato de que muito antes que uma coisa viva pusesse ter surgido para criar inteligência, há algo agindo de uma maneira inteligente, muito inteligente, na criação do átomo, e os elementos. Uma coisa é um padrão ocorrer como uma força de organização dentro do átomo. Vê-lo atuando novamente como uma força organizadora fora do átomo reforça a idéia de uma presença organizadora inteligente no trabalho.

Em seguida, o Big Bang não é um simples processo de arrefecimento a partir do qual os vários átomos são criados, ou qualquer outra forma que os cientistas possam descobrir que a criação ocorre. O que é um fato independente do processo que ocorre, é que existe uma base numérica para ela. Há uma evidência de inteligência por trás dela. O problema com o homem ocidental é que ele tem o maior problema para entender a existência de uma presença inteligente sem um corpo físico ou material; uma inteligência que precede e cria a coisa física. Não há qualquer justificação para pensar que isso não possa ser, assim como não há nenhuma evidência para contradizer sua existência. Pelo contrário, há evidências nos olhando bem na cara para, pelo menos, acreditar ou refletir sobre a sua “presença”. No entanto a opção dos ocidentais por definir Deus para si mesmos é sua prerrogativa. Nós apreendemos o ser de Deus da mesma forma que apreendemos o “movimento” que é responsável pelo som, que é gerado pela colisão de moléculas postas em movimento pelo “movente – o que?”. Nós percebemos a presença de Deus através de sua inteligência. É a inteligência por trás de todas as leis da natureza, que pode ser compreendida através da lógica qualitativa ou lógica quantitativa (matemática).

Assim, Deus é o ser inteligente responsável pelo comportamento das coisas inanimadas e viventes. Os cientistas devem lidar com isto ou apresentar uma explicação credível para a fonte dessa inteligência ou rejeitá-la alegando que isto não exemplifica inteligência.

Na história de criação do Big Bang, vimos que muito antes de o primeiro átomo ser criado, e muito menos a criação de seres vivos a partir da combinação de átomos, há inteligência trabalhando no mundo designando e orientando o processo de criação. Os cientistas perderam mais uma oportunidade estupenda para perceber o ser de Deus. Eles afirmam que, assim como a criação do universo, a vida também surgiu a partir de uma combinação aleatória especial de moléculas – e mais tarde trouxe consciência e inteligência –  como uma excreção, suponho – à existência. Vamos dar uma olhada mais profunda sobre o que a ciência tem descoberto sobre a fundação dos seres vivos.

A idéia de que os seres vivos surgiram como resultado de uma combinação aleatória de moléculas derivou sua força a partir da crença – lá se vai esse fator não confiável novamente – de que o que distingue a matéria viva da matéria inanimada era a “irritabilidade” (capacidade de resposta ao meio ambiente) da primeira — esta “irritabilidade”, traduzida, de alguma forma, para a capacidade de se adaptar ao ambiente, através da alimentação, crescimento, mobilidade, reprodução, e a série de funções metabólicas que são características dos seres vivos.

A idéia de que o fundamento da vida estava na “irritabilidade” da matéria viva (protoplasma) poderia ter sido desculpada até 1953, quando J. D. Watson e F. H. Crick, dois cientistas da Universidade de Cambridge descobriram que o fenômeno que caracteriza a expressão dos seres vivos é baseado em quatro proteínas; adenina, designada em biologia molecular como A, timina, T, guanina, G, e citosina, C. Estas quatro substâncias químicas que são responsáveis por todos os fenômenos estruturais e funcionais em seres vivos realizam seu objetivo através de um processo matemático rigoroso e complexo. Todas as quatro são dispostas três de cada vez como uma hélice de cadeia dupla de diferentes maneiras para formar outra molécula – DNA, que é a unidade fundamental subjacente aos genes. Seu arranjo produz 64 combinações a partir das quais a grande diversidade de formas de vida na natureza é produzida. A conclusão é que a informação, desígnio, padrão, pensamento matemático e não “irritabilidade” estão na base da criação da matéria viva. Nenhuma forma de vida poderia vir a ser sem este projeto matemático complexo, muito complexo em sua fundação.
Devemos concluir, então, que é a inteligência que criou as coisas vivas, e não o contrário. E essa inteligência não tem um corpo! O que? Quem é essa? Qual é a extensão desta inteligência? Não têm os cientistas prova de sua onisciência? O que os cientistas aprenderam a partir da natureza comparado àquilo que há para ser conhecido é como um grão de areia para o universo.

Onde coisas ocorrem, isto é, ações ocorrem deve haver energia operando. No processo de criação do mundo e de seres vivos, é evidente que a inteligência está guiando a energia que é responsável pela realização do trabalho. Este poder sem corpo é o Espírito de Deus. Com isto em mente, seria tolice ignorar o fato de que por trás da inteligência e energia em operação deve haver uma consciência sem corpo com uma vontade sem corpo com um propósito. A evidência de sua existência é logicamente dedutível da matemática.
Será que você tem de ver, ouvir, sentir, saborear ou cheirar Deus? Será que alguém já experimentou a gravidade como uma força de atração entre si mesmo e qualquer outro corpo? No entanto, a lei da gravidade diz que quaisquer duas massas no universo se atraem com uma força (F), que é quantificável (matematicamente expressa) na seguinte fórmula:

Figura - Ra Un Nefer Amen - Fórmula

Em que F representa a força, m é a massa de um objeto, M é a massa da terra, r é a distância desde o centro da terra até o objeto, e G é uma constante em todas as condições.

Estou dando este exemplo para trazer a questão de que não podemos entender a gravidade sem aquilo que é evidenciado a partir da matemática pelo fato de que os fatores operacionais estão além do alcance dos sentidos. A capacidade dos cientistas para compreender a força da gravidade a fim de projetar foguetes no espaço exterior e assim por diante não foi derivada da experiência da sensação de peso, que é a experiência comum da gravidade. Na verdade, nós não experimentamos o peso como a operação de uma força atrativa. O mesmo aplica-se para o conhecimento da existência de Deus como evidenciado pela matemática. Ela nos permite adquirir conhecimento da existência de todos os eventos quantificáveis que não podem ser percebidos através dos sentidos. Isto é o que foi exprimido a 3653 anos atrás pelo sábio Kamita Ahmes quando escreveu como a introdução de sua reedição de um papiro matemático * que era, possivelmente, vários milhares de anos mais velho, o seguinte:

Regras precisas de cálculo para investigar as coisas, e o conhecimento de todas as coisas, mistérios, e todos os segredos.
[Accurate rules of reckoning for inquiring into things, and the knowledge of all things, mysteries, and all secrets.]

[* – Arrogantemente chamado o papiro de Rhind, nome de um colecionador da Inglaterra.]

“Secredos” referem-se às operações da natureza, e “mistérios” referem-se à existência e caminhos de Deus e do espírito [existence and ways of God and the spirit].

A questão é resolvida pelo entendimento de que somos capazes de pensar matematicamente porque temos sido dotados com a capacidade de fazê-lo por Deus. Poderíamos ter sido feitos mudos e totalmente insensíveis a tais noções como jumentos e todas as outras criaturas. Fosse deste modo, os padrões matemáticos subjacentes à criação da matéria física, e seres vivos ainda estaria lá. Tem escapado totalmente do entendimento dos cientistas ocidentais o fato de que o pensamento científico é a expressão da capacidade de reconhecer o lado quantificável do mundo. O raciocínio quantitativo, a espinha dorsal da ciência, é nada mais do que o pensamento do homem seguindo a maneira pela qual os processos ocorrem no mundo. Se a natureza não fosse construída em padrões quantificáveis, então, o raciocínio quantitativo sobre eventos naturais seria totalmente inútil, e tolo. O homem não cria ou inventa a ciência. Os cientistas não inventam, eles descobrem a ciência (informação) armazenada na natureza. Ele/ela aprende da natureza – uma encarnação da delineadora inteligência de Deus [na embodiment of God’s designing intelligence]. Veremos mais adiante que, além de nossa inteligência para discernir as coisas secretas e misteriosas no mundo vindo de Deus, está a nossa consciência, vontade e poder espiritual – e que estes estão igualmente além da capacidade dos sentidos para perceber.

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AMEN
[AMÉM]

“Amém,” é uma palavra Kamítica que significa “oculto, imperceptível.” Ela é usada para denotar a imperceptibilidade das deduções extraídas da inteligência subjacente à natureza, como mostrado anteriormente. Ela também é usada para denotar o imperceptibilidade do Eu [Self] – nossa consciência – devido à sua imaterialidade. Um dos principais objetivos do cultivo espiritual é experienciar a realidade de que você é a consciência que percebe pensamentos, emoções e as várias coisas que os cinco sentidos transmitem a partir do mundo físico. No entanto, você como a própria consciência não pode ser percebido. Uma vez que você é desprovido de energia você não manifesta emoções. Isto é, o espírito (subconsciente) do Homem é essencialmente incondicionado. Isso quer dizer que as nossas reações emocionais não são expressões da nossa natureza, mas nosso ser condicionado pela experiência.
As emoções que você percebe ocorrem no corpo físico.
O que é referido como “Eu” [“I”] não é nada que possa ser percebido – não é a mente (pensamentos e imagens verbais), sensações, emoções, nem o corpo. Desprovido de conteúdo energético (e-moção/e-mocion-al [e-motion-al]), o Eu [I], o Eu [Self] é pacífico por natureza. Todas as emoções e sensações são eventos que ocorrem na parte inferior do espírito – o não eu [the not Self]. Esta é a razão por trás da não universalidade dos gostos e desgostos, prazer e dor. Todos nós sabemos que aquilo que uma pessoa gosta, outra não. E o que você gostou ou não, ou experienciou como dor ou prazer em um determinado momento em sua vida pode ser transcendido. Todas as respostas emocionais e sensoriais são nada mais do que as respostas condicionadas sobrepostas sobre a natureza indiferenciada original do espírito.

Assim, a Lei da parte Amém [Amen] do ser afirma que:

A Paz é o estado emocional natural, essencial, e verdadeiro do Homem. Estabelecê-lo e mantê-lo em todas as situações é a principal chave para o sucesso na vida.

[“Peace is the natural, essential, and true emotional state of Man’s being. Establishing and maintaining it in all situations is the principal key to success in life.”]

Aplicado à vida diária, isso significa que a nossa resposta natural a todos os acontecimentos da vida é a paz – paz em face dos desafios mais difíceis, em face da ameaça de morte, em face do tratamento mais desumano que se possa imaginar. É isso que fez de Amém [Amen] o mais elevado aspecto de Deus * na religião Kamítica.

[* – Por esta razão, os Cristãos tomaram emprestado o termo (Amém) dos antigos Egípcios e maquinaram para fazê-lo significar “assim seja”, e afixaram-no ao fim de todas as suas orações.]

Veremos mais adiante como a manifestação de todos os poderes espirituais no Homem dependem de sua capacidade de permanecer em paz (Hetep, nirvana) – fiel à sua natureza – em meio aos desafios mais difíceis da vida.

Que Amém [Amen] é uma esfera de influência espiritual em nossas vidas pode ser visto na busca universal de paz interior. Nada na vida pode ter valor se não estivermos em paz com ela ou nela. A Paz que é difundida ao longo da vida é chamada felicidade. Devido ao desconhecimento da lei que a rege, a maioria das pessoas respondem ao desejo de paz (felicidade) na maneira errada. Existe a crença errônea comum de que a felicidade pode ser encontrada como resultado de aquisições ou realizações materiais, juntamente com a prevenção e eliminação de experiências dolorosas. Como resultado, as pessoas investem seu tempo e energia na aquisição e realização de coisas, evitando e eliminando pessoas e eventos de suas vidas, etc., ao invés de cultivar a habilidade espiritual de transcender seus condicionamentos emocionais e sensuais. Uma vez que se perceba que ninguém pode evitar contratempos, negações, e catástrofes na vida, e que ninguém vai conseguir tudo o que desejar ou mantê-los sempre, então a única coisa sensata que pode ser feita para garantir a felicidade – uma paz interior inatacável (hetep, nirvana – [nir] não [vana] em movimento) – é através do cultivo espiritual.

A importância da paz em nossas vidas pode ser vista no fato de que quando estamos em paz ao invés de estarmos perturbados (com raiva, medo, etc.) o nosso pensamento é mais claro, nosso QI é maior, nós apresentamos maior força, exibimos melhor saúde e cura, temos melhor desempenho, e assim por diante. Duas pessoas são agredidas fisicamente. Ambas sofrem a dor física. Além disso, a pessoa A, a partir daquele dia, vive com medo, raiva e auto-desprezo, enquanto a pessoa B permanece em paz com a ocorrência. Quem está em melhor situação? Será que a resposta emocional vivida pela pessoa A foi uma continuação lógica, natural, inevitável, desejável, produtiva ou essencial para a agressão? E aquelas pessoas que afirmariam “naturalmente, eu fiquei tão triste em ter sido agredido de tal maneira”? E se o ataque levou à morte? Será que existe alguma validade no desejo universal de que o falecido descanse em paz? Pode o falecido descansar em paz se ele morreu em turbulência emocional?

Estatísticas de seguros mostram que há uma percentagem muito elevada de doenças e mortes em conseqüência de eventos estressantes na vida das pessoas; Não importa se os eventos são altamente dolorosos ou altamente agradáveis. Fortes momentos emocionais são todos estressantes para o corpo. Durante esses momentos, cortisol e outros hormônios potentes são secretados em grandes quantidades para equipar o corpo com os meios de interação aumentada com o ambiente externo. O sangue é fornecido para os órgãos de ações externas (pernas, braços, costas, etc.) à custa do fornecimento de sangue para os órgãos vitais. É assim que as pessoas que são emocionalmente perturbadas várias vezes ao dia tornam-se doentes e encurtam suas vidas.

Segue-se então que, em uma situação de desafio, uma vez que responder com raiva, medo, etc. é ou prejudicial para nós na pior das hipóteses, e na melhor das hipóteses um obstáculo à nossa capacidade de responder da melhor forma que se adapte à situação, a única resposta emocional que é natural para nós é nenhuma – um estado de paz. Se a raiva, o medo, e todas as formas de estresse levam à doença, QI reduzido, redução da competência mental e desempenho, as respostas emocionais não podem ser a nossa natureza. Não é a paz e a calma o antídoto para o stress? Isso não significa que vamos viver uma vida que seja desprovida de emoções. A partir das leis que regem as 11 partes de nosso espírito vamos aprender a programar à vontade a melhor resposta emocional às várias situações que a vida nos apresenta, e estar sempre no controle.

É importante perceber que cada vez que somos confrontados com uma dificuldade, o potencial para intuir o conhecimento e contatar o poder espiritual para lidar com isso está sempre presente. Em outras palavras, em tais momentos sempre temos o potencial para receber assistência da mente e poder sem corpo [bodiless mind and power] cuja presença é evidenciada pela estrutura matemática dos eventos naturais – Deus. Mas a nossa capacidade de fazer contato é bloqueada por não estarmos em harmonia com as leis fundamentais que regem a utilização do conhecimento e poder que podem ser assim alcançados. Nós devemos, primeiramente, ser um com o todo [be one with all], de modo a não usar tal conhecimento e poder de uma forma que seja prejudicial para nós e os outros; e para ser um com o todo [be one with all] nós devemos ter transcendido a nossa natureza emocional. Você pode imaginar o que aconteceria se alguém que está sob o controle das emoções cegas tivesse acesso ao maior poder no mundo? Veremos no capítulo seguinte, que é impossível ser um com o todo [be one with all] sem a capacidade de estar em paz em todas as situações.

Recuperar nosso estado incondicionado original e essencial – a paz – é a base [foundation] da felicidade – o gozo da vida. As vidas da maioria das pessoas oscilam entre os pólos do prazer e dor. Prazer, para a maioria das pessoas, é substituído por dor quando um ente querido morre, quando a riqueza ou a saúde é perdida. O prazer domina a vida da maioria das pessoas que não são capazes de atingir seus objetivos, ou que vivem com ansiedade sobre a possibilidade de perder o que eles adquiriram. Um homem não pode nem mesmo desfrutar dos milhões que ele acaba de ganhar na loteria por medo de que ele não vai viver tempo suficiente para desfrutar mais do mesmo, ou de que a economia pode quebrar e deixá-lo com alguns centavos de dólar. Uma mulher não pode desfrutar de seu bom homem por medo constante de que ele é bom demais para ser verdade. A única solução para este problema é substituir a dor com a paz. A felicidade está seguindo a vida, do prazer para a paz, do prazer para a paz. Aproveite a sua companheira, e esteja em paz se ela vai embora ou morre. A infelicidade é uma vida que flui do prazer para a dor, da dor para o prazer. Aprecie a sua companheira e chafurde na dor quando ela morrer. Não há nada que você possa fazer para impedir falhas, perdas, retrocessos, etc. Mas há algo que você pode fazer sobre sua reação à elas.

É muito importante perceber que temos explorado a Lei de Amém [Amen], esfera 0, do ponto de vista da experiência e raciocínio lógico. Seja qual for a dificuldade que você possa estar experimentando em compreender e aceitar plenamente esta Lei e seu argumento corroborante é devido ao fato de que todas as onze leis do espírito são interdependentes umas com as outras para a sua compreensão. Isso ficará claro conforme seguimos a cadeia de deduções lógicas que formam os meios para a extração das outras leis do espírito a partir da Lei de Amém [Amen] servindo, assim, como sua premissa mestre. Violar a Lei de Amém é o pior que você pode fazer. Se você ainda não recuperou o seu estado incondicionado originais de ser, nada mais vai funcionar para você. Isto é o que se entende como um arranjo hierárquico.

Lei de Amém
Law of Amen

Você foi feito à semelhança de uma paz que nada pode perturbar. Recupere sua paz para que você possa alcançar a sua razão por vir à existência – o gozo da vida.

[You were made in the likenss of a peace that nothing can disturb. Reclaim your peace that you may attain to your reason for coming into existence – the enjoyment of life.]

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Capítulo 3

A Lei de Ausar

A Primeira Esfera da Árvore da Vida

A primeira esfera da Árvore da Vida representa a unidade interna [inner drive] sentida universalmente por todos os homens para se reunir [the inner drive felt universally by all men to congregate]. Todos nós reconhecemos a importância de se unir para a segurança, para atingir nossos objetivos, companheirismo, apreciação, etc., – como diz a expressão, “nenhum homem é uma ilha” [“no man is na island”]. Mas, se unir não é uma coisa simples. Os muitos pontos de diferenças entre as pessoas tornam a aproximação [se unir] difícil, e em muitos casos aparentemente impossível. Essa aproximação [coming together] é uma grande unidade interna universal [major universal inner drive] que não pode ser ignorada [ou grande esforço/impulso universal, que não pode ser ignorado], devemos conhecer a lei que a rege, e deixá-la regular nossos pensamentos, sentimentos e ações. Esta Lei está consagrada na constituição do princípio divino de Ausar.

Deduzindo a Lei de Ausar a Partir da Lei de Amém [Amém]

Na Lei de Amen viu-se que o estado emocional natural do homem é a “paz”, isto é, a ausência de compulsão para responder automaticamente de uma maneira emocional específica em situações é a natureza do homem. É lógico deduzir daí que, em referência às escolhas que se apresentam ao Homem; é sua natureza ser imparcial, não-preferencial, portanto, ser Um Com Todos [ou Um Com o Todo] [One With All]– isto é, Altruísta [Selfless].

Figura - Ra Un Nefer - Ausar



Além disso, foi demonstrado em relação à Lei de Amém [Amen], que manter-se fiel à sua natureza– paz – em face de qualquer e todos os desafios, ao invés de sucumbir à raiva, medo, etc. é benéfico, portanto todos os eventos experimentados como desafiadores favorecem ainda mais a aquisição de benefícios através da paz que é mantida ou adquirida na situação. É por isso que o termo Kamítico Hetep significa ambos, paz, e bênção. É por isso que o Nirvana, o qual significa não (nir) se movendo (vana), ou seja, um estado não-emocional, ou pacífico é o grande objetivo da busca espiritual na tradição espiritual Hindu. Conclui-se, logicamente, então, que nenhum evento na vida de uma pessoa deve ser interpretado como sendo contra ela [nenhum evento em uma vida deve ser interpretado como sendo contra ela] [no event in one’ life must be interpreted as being against one]. Se assim for, então não somos um com a situação. Na verdade, não há quaisquer desafios, a partir de uma perspectiva absoluta. Um evento é visto como um desafio por pessoas que ainda não recuperaram seu estado original de ser – Nirvana, Hetep. Para aqueles que o têm [recuperado], aquilo que são os desafios para os outros são simplesmente eventos em suas vidas; na verdade, eventos bem-vindos para os benefícios da sabedoria e poder espiritual que se obtêm a partir de tais experiências, quando se encontram com paz e serenidade.

É de extrema importância ver a íntima conexão entre a Lei de Amém [Amen] e a Lei de Ausar. De fato, nenhuma das 11 leis pode contradizer umas às outras, porque elas são logicamente ligadas umas às outras – algumas dedutivamente derivadas da outra, como é o caso com Ausar derivado de Amém [Amen].
A Lei de Ausar

A Lei de Ausar afirma que:

O homem não deve ter nenhuma preferência, e deve ser imparcial e igual à todas as pessoas e eventos. Deve ser entendido que ninguém ou nenhuma situação pode ser contra alguém. Este é o verdadeiro significado de Altruísmo, e em-Unicidade, e estabelece a base para participar espiritualmente na onisciência de Deus (ser capaz de afetar espiritualmente os outros, porque nós somos uma parte deles e eles de nós!).

[Man must have no preferences, and must be impartial and equal to all people and events. It must be realized that no one or no situation can be against one. This is the true meaning of Selflessness, and at-Onement, and establishes the foundation to share in God’s omniscience and omnipotence (to be able to spiritually affect others because we are a part of them and they us!).]

Este conselho pode parecer aéreo em face do senso comum, mas isso se dá apenas quando visto superficialmente. Não se segue logicamente que a perda de bens materiais, e até mesmo da vida ou da saúde, através das ações dos outros seja a causa da perda da paz interior (causa de dor e sofrimento) que ocorre com a maioria das pessoas em tais situações. Onde há paz em face da perda material, há apenas uma perda – de bens materiais. Onde a paz é perdida juntamente com perdas materiais, então, são duas perdas. Das duas, a perda da paz interior é a pior. E essa perda não é causada por outros, mas pela nossa própria incapacidade ou impossibilidade de restabelecer o nosso estado original do ser. Devemos aprender a ver que os problemas na vida não têm nada a ver com problemas e perdas materiais, mas com nossa reação emocional de dor e sofrimento. Este último está totalmente sob nosso controle.

A incapacidade, “senso comum”, para estar em paz, em face das dificuldades, resulta da ignorância do fato de que a manutenção de sua paz em face de dificuldades – que é a resposta natural do homem às situações – é o principal meio de aquisição de sabedoria e poder espiritual. Esta paz é perdida, a partir da perspectiva da Lei da Unicidade [Law of Oneness], quando interpretamos uma situação ou pessoa como sendo contra nós.

Uma vez que se entende que se houver no mundo alguém ou algo que possa ser contra alguém então não há nenhuma unicidade com essa coisa ou pessoa, e, portanto, nenhuma unicidade com o todo [oneness with all]. E uma vez que se entende que o único caminho para a sabedoria e poder espiritual é através da paz manifestando-se no meio da dificuldade, então é preciso entender que experiências de “desafios” são eventos para aumentar a nossa sabedoria e poder espiritual, e devemos, portanto, compreendê-las como promovendo o nosso bem. Este é um exemplo claro do que se entende por uma interpretação “espiritual” versus uma interpretação “materialista” das experiências da vida.

Para observar adequadamente esta Lei, devemos ter em mente, o princípio de Individuação do Ser. Vimos no capítulo I que, embora sejamos um em essência e origem, nós somos separados em substância e forma física – uma dualidade indivisível. Devemos aprender, portanto, que viver a unicidade não significa que podemos ignorar certas diferenças exteriores nos homens. Não está sendo dito que você deva se reunir com assassinos e demônios, ou que o erudito deva sair com o inculto, e assim por diante. Também não significa que o mal não deva ser combatido por quaisquer meios legítimos necessários. É preciso adotar uma atitude genuína de aceitar os erros cometidos por outras pessoas contra alguém como condições necessárias para a geração de paz, sabedoria e poder espiritual. Você não pode ser beneficiado por estas pessoas e estas situações e ao mesmo tempo interpretá-las como sendo contra você, seus inimigos.

A falha em entender como aplicar a Lei da Unicidade, Em-Unicidade, tem levado muitas pessoas, por um lado, a tentar sentar-se e repartir o pão com pessoas que não tinham nada além de intenções assassinas em relação a elas e sua descendência, com conseqüências graves. A incapacidade de compreender como aplicar esta lei tem levado outros a declarar, no mínimo, inimizade, e na pior das hipóteses, ódio contra essas pessoas, com conseqüências igualmente graves. Infelizmente, as conseqüências de tais erros são, às vezes, limitadas a uma expressão espiritual, e são, portanto, despercebidos.

Por último, mas não menos importante, deve-se notar que a capacidade de compreender plenamente esta Lei, e a capacidade de vivê-la depende da compreensão de todas as onze leis de Deus (divindade) [ all the eleven laws of God (self)].

Encerrando, devemos lembrar que a Lei de Ausar foi logicamente deduzida a partir daquela de Amém [Amen], e que a primeira esfera da Árvore da Vida é uma expressão da unidade interna universal para congregação universalmente sentida por todos os homens. [universal inner drive for congregation universally felt by all men.]

Lei de Ausar

Sua natureza é uma paz invencível,
portanto, nada ou ninguém no mundo pode ser contra você.
Todas as experiências chegam a você para promover sua regeneração da paz,
para que você possa, por sua vez, adquirir sabedoria e poder.

[Your nature is na unconquerable peace,
therefore nothing or no one in the world can be against you.
All experiences come to you to promote your reclamation of peace,
that you may in turn, acquire wisdom and power.]

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                                         Capítulo 4

                                      Lei de Tehuti

                    A Segunda Esfera da Árvore da Vida

A segunda esfera da Árvore da Vida representa a unidade interior [inner drive] que é universalmente sentida por todos os homens para adquirir o conhecimento necessário para o sucesso em todas os empreendimentos. Enquanto esta unidade interna é expressa na necessidade de saber o que fazer na vida e como, ela é centrada na necessidade de saber o valor do que está a ser feito na vida, e os meios que adotamos para o seu fim. Em outras palavras, nossos desejos e escolhas são regidos pelo julgamento (valor) que damos à coisas em nossas vidas. É isso bom, benéfico, inofensivo; é isso propício para a felicidade, prazer, etc.? é isso mau, prejudicial; é isso propício para a infelicidade, dor, etc.? Em outras palavras, nós não decidimos realizar coisas só por fazê-lo [for their own sake] – uma carreira, ou casamento, por exemplo –mas por seu valor em nossa vida. Nós fazemos um julgamento sobre elas.

Respostas à perguntas a respeito dos efeitos bons ou maus que as coisas têm em nossas vidas vêm de diferentes partes do ser. A partir da parte inferior do nosso ser obtemos “orientação” dos nossos sentimentos – forças emocionais cegas. Desta parte do ser também obtemos “orientação” da parte de nossa mente que lida com opiniões e pensamento irracional. Nós entramos em um juízo de bem ou mal, benéfico ou prejudicial, etc. sobre as coisas com base em nossos sentimentos e opiniões ou frases de efeito tomadas indiscriminadamente aqui e ali. Mesmo muitos discursos e teorias de estudiosos sobre o assunto baseiam-se nas inclinações emocionais e opiniões ouvidas da maioria. O consenso comum é que para um grande número de coisas, o que é bom ou ruim para uma pessoa não é assim para outra. O bom, o mau [bad], o mal [evil], etc. são todos definidos subjetivamente, de acordo com o condicionamento de cada pessoa. Esta é uma indicação de que não há nenhum sistema de valores em vigor a partir da qual possa-se chegar a juízos verdadeiros, ou a Verdade sobre a vida. Fala-se muito sobre pessoas não terem valores, no entanto, não há nenhuma maneira sistemática para inculcar-los – no mínimo há a ignorância geral de que um sistema deste tipo já exista há milhares de anos.

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Uma das principais causas do problema reside na incompreensão geral da palavra valor, que está intimamente relacionada com julgamento, verdade, e conhecimento. Atribuir um valor a uma coisa é tirá-la para fora do reino da subjetividade (como cada pessoa se sente ou pensa sobre isso) e colocá-la no reino da objetividade (além de opiniões e sentimentos pessoais). Isso nos leva a uma linha de pensamento que é estranha para a maioria dos estudiosos do mundo, e muito mais para as massas. A subjetividade tem sua própria linguagem, que é a linguagem que usamos na comunicação diária. A objetividade também tem a sua própria linguagem, que é a linguagem que é usada na ciência, da qual a matemática é a linguagem por excelência. Duas pessoas podem argumentar sobre a declaração subjetiva sobre o tempo – “está frio” – mas não sobre a afirmação objetiva “está fazendo 55⁰ C”. “Isso é pesado” vs. “isso pesa 30 libras”. E assim por diante. Temos ouvido muito se falar referindo-se à espiritualidade (“Ciência Espiritual “) e à psicologia como sendo ciências. Se elas são ciências, elas devem estar abertas à representação matemática (não estamos falando da medição de habilidades usadas em Psicologia, etc.). Se algo é bom ou o mal isso deve ser assim para todos, e em todos os momentos. Imagine o que seria da Química se os átomos começassem a mudar seus pesos atômicos, valências, etc. Nós seríamos capazes de escrever peças de teatro e poemas sobre suas atividades, não é? E, claro, não haveria Química – talvez Guerra da Química I e II. O bom deve ser bom como uma libra é uma libra. Como é que vamos dar uma dimensão matemática para idéias no domínio das humanidades?

Quando a Árvore da Vida deixou o Egito para outras terras, o conhecimento de uma de suas funções mais importantes foi perdida. A Árvore da Vida é uma organização hierárquica e relacional dos princípios que moldam a vida do homem. Enquanto todos nós temos entendido que os números têm uma função de ordenação, a maioria das pessoas não conseguiu entender que organizar hierarquicamente uma coleção de coisas é ordená-las matematicamente; isto é, ordená-las em uma escala descendente de valores. Desta forma cada item adquire um valor que se baseia na sua relação com os outros itens na hierarquia e com o todo *.

[ * – Esta é a mesma forma que os elementos de um polígono, ou da expressão algébrica de uma lei de natureza (por exemplo, E = MC2) adquirem o seu valor.]

Nos capítulos anteriores foi demonstrado que a paz interior é a fonte da unicidade [oneness] na vida, sabedoria e poder espiritual. O que está sendo dito aqui é que a paz interior tem um valor maior do que a unicidade, sabedoria e poder espiritual uma vez que os três últimos dependem dela para sua manifestação. Não podemos aceitar um transgressor como não sendo contra nós se não formos capazes de estar em paz perante a transgressão. Na verdade, somos auxiliados na nossa capacidade de ser um com o transgressor uma vez que experimentamos o crescimento da sabedoria e poder espiritual de estar em paz com o transgressor. Aliás, é devido ao fracasso do mundo Cristão para ensinar os seus fiéis a ciência espiritual de Amen (para manifestar a paz em face das maiores provações) o motivo porque não tem havido a realização do ditado de “amar seus inimigos”; eles devem primeiro ter que saber que a sua natureza é uma paz que não pode ser perturbada por nada. À medida em que prosseguimos através dos capítulos, veremos que a segunda esfera vem (é uma dedução lógica) da esfera 0 e 1; que a esfera 3 vem das [esferas] 0, 1, e 2 e assim por diante. Desta forma, temos agora uma escala de valores estabelecida para a partir da qual fazer os nossos julgamentos, e determinar a verdade.

“É correto amar os nossos inimigos?”  Sim, se as 11 leis de Deus estão dirigindo as forças em seu espírito, ou se você está se esforçando em direção a sua realização; e obviamente não, se você não sabe nada sobre as leis do seu espírito. Você irá contradizer a si mesmo, tornar-se neurótico, e se comportar como um idiota. Uma vez que as 11 leis de Deus estão direcionando seu pensamento, emoções e ações, você terá o poder espiritual e sabedoria para controlar e/ou estar em harmonia com os seus “inimigos”. Por que não amá-los? Eles são o seu bilhete [convite] para uma maior sabedoria e poder espiritual. Lembre-se, você não pode obter a paz da qual a sabedoria e poder espiritual dependem para sua manifestação simplesmente dispondo-se a estar em paz, ou fazendo meditação para induzir a paz, etc. É a paz que você manifesta em face das dificuldades. O que é que pode resistir à sabedoria e poder espiritual de Deus fluindo através de você?

A Base do Conhecimento do Bem e do Mal

Como dito acima, o bem e o mal são valores que dependem de uma organização hierárquica dos fatores determinantes [shaping factors] de nossas vidas. Dos vários fatores determinantes, a felicidade, o gozo da vida é o mais alto na hierarquia. E, como indicado no capítulo de Amen, a felicidade não pode ser adquirida através de coisas, mas através de se viver as 11 leis de Deus. Onde quer que você imaginasse um mundo em que todos buscassem a felicidade através do cultivo espiritual, você teria uma visão de um mundo em que não há guerra, crime, sofrimento, estupidez, e assim por diante. O bem deve ser visto, portanto, não nas coisas e eventos em nossas vidas, mas em nossas reações a estes. Se crescemos mais fortes e mais sábios a partir um evento por causa de uma resposta correta a este – guiados pelas leis de Deus – então é a nossa resposta que é boa.
Eventos e coisas são apenas eventos e coisas. Eles são desprovidos de valores ou qualidades. A atribuição de qualidades e valores para as coisas, ao invés do nosso manejo espiritual delas foi um dos piores erros da humanidade. Nós passamos a vida tentando escapar de “eventos dolorosos e maus”, e tentamos preencher nossas vidas com “bons e agradáveis eventos e coisas”, supostamente em busca da felicidade, alheios ao fato de que não existem esses tipos de coisas; alheios ao fato de que, no final das contas, não podemos organizar a vida dessa forma. Nós iremos, pelos fatos da vida, encontrar-mo-nos com todos os tipos de eventos (a maioria dos quais não são pessoais), então é melhor nos organizarmos. Em relação a Tehuti, o trabalho que temos de fazer na busca da felicidade diz respeito à aquisição de conhecimento.

É evidente que todas as coisas conhecidas no mundo até à data, em todas as áreas da ciência, etc. foram originalmente intuídas (aprendidas a partir de dentro) por alguém. A questão é. Somos todos potencialmente capazes de intuir a mesma informação, ou será que a capacidade potencial limita-se às pessoas responsáveis pela respectiva informação trazida ao mundo? A história está cheia de muitos exemplos de várias intuições das mesmas descobertas científicas, e os fatos são tais que temos de concluir que todos nós compartilhamos na capacidade potencial. Eu digo capacidade potencial e não real [actual], porque a realização [actualization] da intuição de certos fatos é dependente de vários fatores nutridores – cultura, educação, estado de vitalidade, etc. No que diz respeito à capacidade de intuir algo devemos distinguir como fatores, 1) o potencial para intuir que é uma propriedade comum de todos os homens e, 2) as condições externas para intuir itens específicos.

A questão aqui é a capacidade potencial para intuir, ou seja, para aprender a partir de dentro as coisas que precisamos saber sobre os acontecimentos em nossas vidas, aplicação de carreira, etc. Existe uma diferença entre o que se aprende a partir de dentro e o que é aprendido de fora? A experiência demonstra a superioridade do primeiro. Na verdade, nós damos o título de gênio e grandes talentos para as pessoas que são capazes de aprender e expressar muito bem as questões de suas vidas e carreiras. E também sabemos que o nutrimento [nurture] – os fatores externos (educação, cultura, etc.) – não é o fator decisivo. Portanto, como é que o potencial para intuir é realizado [efetivado] [actualized] para tirar proveito de fatores nutridores?

A mensagem de todas as grandes mentes é que a intuição é efetivada [actualized] através da adoção de um estado pacífico de ser, o qual se encontra na solidão, meditação, ambientes tranquilos e serenos. Um olhar mais atento, porém, irá revelar que não é o suficiente adotar essa estratégia. Nenhum grau de acumulação de meios externos pode remover o suficiente da tensão que se acumula a partir do mau uso [mishandling] de golpes graves na vida para induzir a paz que é necessária para trazer a manifestação da intuição. No decorrer deste livro, será visto que é a compreensão e a aplicação das 11 Leis de Deus para guiar nosso pensamento, emoções e ações que traz o grau de paz que é necessário para efetivar a intuição (sabedoria). É  necessário que nunca se perca de vista o fato de que temos acesso à mente sem corpo [bodiless mind] que é evidenciada através das propriedades matemáticas de eventos naturais.

Deduzindo a Lei de Tehuti a partir da Lei de Amen


             Nós todos experimentamos que o nosso desempenho mental – pensamento, memória, QI, criatividade – é reforçado quando estamos calmos e pacíficos, ao contrário de tensos, agitados, excitados, irritados, amedrontados, etc. A posição assumida pelos sábios de Kamit é que é possível estar em paz em todas as situações da vida – não só porque é possível, mas porque isso representa nosso estado original e natural de ser. Uma vez que é o principal potenciador do nosso desempenho mental, é desejável mantê-lo em todas as situações de desafio. Assim, vemos a dependência da sabedoria (manifestação da intuição) sobre a paz. É por isso que todos os buscadores de sabedoria envolvem-se na prática de meditação, que funciona através da indução de um profundo estado de paz e relaxamento. A fim de adquirir com sucesso a sabedoria (iluminação, satori) através da meditação é essencial manifestar paz nos desafios vivenciados na vida. Este fato é metaforicamente retratado pela apresentação de Tehuti, o princípio Kamítico da sabedoria divina, como um Íbis que fica por horas apoiado sobre uma perna em uma lagoa de água rasa. Isto é uma exemplificação de grande capacidade meditativa (indutora de paz).

Deduzindo a Lei de Tehuti a partir da Lei de Ausar

A partir da lei de Ausar aprendemos que devemos ser imparciais para (ser um com) todas as coisas e eventos, se, na verdade, nossa natureza é paz. Um estado de imparcialidade à todas as coisas e experiências na vida induz na mente um livre fluxo de idéias e intuição revelando todas as possibilidades em uma situação. Nossa polarização emocional em uma determinada direção, especialmente se forte, inibe o fluxo de todas as idéias e intuições opostas, que poderiam muito bem suportar a solução ou o insight [o conhecimento] que estamos procurando. Portanto, imparcialidade, a lei de Ausar contribui para a efetivação [actualization] da intuição.

Dedução da Lei de Tehuti a partir da experiência da Ciência

Antes que possamos proceder para uma declaração da Lei de Tehuti devemos passar por uma exploração em profundidade de nosso conhecimento científico do mundo físico. Na tradição Kamítica, Tehuti é a fonte divina – “Deus” da Sabedoria – a partir de onde o homem recebe o seu conhecimento das ciências – matemática, geometria, escrita, astronomia, medicina, música, etc. Tudo isso é sem sentido a menos que seja entendido que Tehuti representa a faculdade no espírito do Homem onde a intuição e a quantificação matemática operam, e os então-chamados procedimentos de adoração do “Deus” são os meios através dos quais a intuição – o processo de aprendizagem a partir do espírito (o subconsciente), que detém os outros 90% da capacidade cerebral não utilizada – é ativada. A maioria dos estudantes não tem nenhum indício disso devido ao fato de que o ensino tem sido degradado à educação. Educar é conduzir externamente [to educate is to lead externally] (e = externo, fora; duct = conduzir [to lead]). Educadores despejam informações nas mentes dos alunos e não fazem nada para trabalhar sobre o que está recebendo e processando essas informações. Não há atenção para a nutrição do cérebro, a forma como ele aprende e retém as informações, e em relação a este tema, o papel do subconsciente (o espírito), que é 90% da equação mental não é considerado. Mas isto está de acordo com as pessoas que estão empenhados em passar a vida com o uso de apenas 10% da sua capacidade mental. Eles simplesmente não podem fazer melhor. Ensino e aprendizagem é um processo duplo, 10% extuitivo [extuitive] (educacional – o que o professor fornece), e 90% intuitivo (aprendizagem a partir de dentro – o que o aluno fornece). Os poucos que escapam dos campos de concentração mentais do ensino superior são rotulados como gênios.

Outra evidência da mente e poder invisível de Deus em operação no mundo é fornecida por alguns sistemas oraculares. Para a maioria das pessoas oráculos são trivialidades que devem, na melhor das hipóteses, ser ignorados. No entanto, algumas das maiores mentes do mundo construíram suas vidas e filosofias que desempenharam um papel importante na formação de algumas das culturas mais proeminentes do mundo. A China deve muito da sua grandeza cultural e espiritual à homens como Lao Tze, e Kung Fu Tze (Confúcio), cujas filosofias espirituais foram construídas em torno do Oráculo I Ching Oracle. A sabedoria do povo Iorubá é construída em torno do Oráculo Ifa. Oráculos do Estado desempenharam papéis importantes na vida e morte de muitas das grandes civilizações da antiguidade. Embora o Tarô não seja geralmente usado de uma forma altamente espiritual pela maioria das pessoas, ninguém que tenha recebido uma “leitura” de um especialista pode duvidar do estranho fenômeno em torno de seu uso – o qual se aplica igualmente a todos os oráculos. A maioria das pessoas não se preocupa em perguntar a respeito de que força e inteligência invisível está orientando a seleção de cartas que produz respostas de precisão fantástica, e que fornecem aconselhamento oportuno. Sentar-se e consultar o I Ching dá a experiência de sentar-se e conversar com um velho filósofo espiritual sábio. Não menos um estudioso do que o ilustre psicólogo Carl Jung escreveu o prefácio à primeira tradução do I Ching para uma língua ocidental (por Wilhelm Baynes). Através do I Ching, o grande oráculo da China, você pode diagnosticar a condição dos meridianos (canais de energia trabalhados em acupuntura). Através do oráculo que eu dei ao mundo em 1985, o Metu Neter (Palavra de Deus), você pode descobrir que parte do seu espírito ([que] esfera da Árvore da Vida) é responsável pelos acontecimentos em sua vida, e no mundo. A estrutura dos oráculos I Ching e Ifa é semelhante àquela da matemática binária. Muitos trabalhos tem sido feitos pelos matemáticos relacionando os dois.

E como os homens se deparam com oráculos? Eles são recebidos através do processo de Revelação (intuição). Você se lembra daquela inteligência sem-corpo [bodiless intelligence] que projetou a estrutura dos átomos, as sequências de DNA que são responsáveis pela vida física? Deus simplesmente não criou o mundo e desapareceu ou removeu-se do mundo. Ele permanece ativo em todos os momentos e em todos os lugares. Ele É a inteligência que é responsável pela concepção subjacente a todos os padrões e inter-relações na natureza. Um bom exemplo pode ser visto nas ilhas do Pacífico. Muitas dessas ilhas são isentas de animais predadores. Elas são habitadas por alguns mamíferos que estão isentos de chifres, enquanto que os membros da mesma espécie no continente possuem chifres para se proteger contra predadores. Estes últimos também são também maiores que os primeiros. É óbvio que a inteligência responsável por essa adaptação e harmonização com o meio ambiente não se origina nas próprias criaturas – o que diz muito em comparação com a capacidade do homem para harmonizar com seu ambiente. A inteligência que é responsável pela programação que é conhecida como comportamento instintivo e adaptação na natureza não é outro senão a mente de Deus, Tehuti. Os elevados oráculos foram dados à humanidade por essa mente sem-corpo [bodiless mind], de modo que os homens serão capazes de se envolver, um a um, em comunicações diretas de duas vias com ela [men will be able to engage in one to one direct two way communications with It] – é claro que isso é a mente de Deus. É bom ter a Palavra de Deus na forma de um livro, mas existem limitações com isso. Você não pode obter orientações relativas a uma pessoa em especial que você está pensando em se casar ou se divorciar; na escolha de uma carreira; sobre o valor espiritual dos acontecimentos em sua vida; por que você está aqui na terra; qual deve ser o seu foco espiritual no ano que vem. Através de oráculos tais como o Ifa Iorubá, o I Ching Chinês, o Metu Neter Kamítico, você pode descobrir as lições espirituais que o seu filho recém-nascido irá enfrentar como um adulto – você pode começar na criação adequada desde o primeiro dia.

A abordagem popular de oráculos como pode ser visto com os leitores e clientes de Tarô tem gerado um equívoco popular sobre oráculos. A maioria das pessoas solicita a orientação de oráculos como o Tarô para descobrir o que vai acontecer ou o que é provável que aconteça. Outros oráculos como o I Ching e o Metu Neter concentram-se nas causas espirituais dos eventos previstos. Eles fornecem uma imagem “raio-x” da condição do subconsciente, revelando assim, as desordens morais, emocionais, intelectuais ou físicas escondidas atrás do objeto do inquérito, que pode ser no passado, presente ou futuro. Enquanto a ação a ser tomada na sequência de leituras semelhantes ao Tarô é uma de evasão ou aceitação, as ações que seguem as revelações das leituras semelhantes ao I Ching e Metu Neter envolvem a correção das causas espirituais da desordem *.

[ * – Oráculos como Tarô estão limitados a mostrar os “o Que’s” [what’s] na vida, porque eles se comunicam através do espírito. Oráculos como o Metu Neter e o I Ching revelam os “porquê’s” [why’s] na vida, porque eles permitem a comunicação com a consciência de Deus.]

Eles servem, assim, como auxiliares críticos para o crescimento espiritual, o desenvolvimento da personalidade e a cura psicológica. No final do dia, os acontecimentos da vida – casamento, carreira, governo, educação, etc. – são de nenhum valor se não reconhecemos e aplicamo-nos a sua finalidade espiritual e significado. Oráculos como o I Ching e o Metu Neter funcionam identificando a parte do espírito que desempenha a função de controle em um departamento de nossas vidas. O oráculo Metu Neter, que é o oráculo da Árvore da Vida, revela qual esfera da Árvore é responsável por uma área ou evento na vida das pessoas. Ele mostra, por exemplo, que uma pessoa veio à Terra na presente encarnação para trabalhar principalmente no desenvolvimento da 8ª esfera, enquanto outro veio para desenvolver a 4ª. Ele mostra que o casamento de uma pessoa está sob a 2ª esfera, enquanto que a sua carreira está sob a 6ª esfera. Desta forma o oráculo Metu Neter, na verdade, Deus se comunicando através dos oráculos – prescreve o currículo espiritual personalizado para cada indivíduo.

Comunicação direta com Deus na forma de um diálogo é uma característica essencial das religiões Kamíticas e Gnósticas. Através dos oráculos, uma variedade de iscas [a lot of casting], uma pergunta direta e muito específica pode ser colocada para Deus e uma resposta objetiva é recebida. Pode-se perguntar, por exemplo, “Devo comprar esta casa?” A resposta do Metu Neter pode mostrar que esse interesse está regido pela parte Heru do meu espírito, indicando que o envolvimento requerirá que eu trabalhe na parte da 6º esfera de meu espírito – minha vontade, disciplina, habilidades de gestão em relação ao dinheiro, tempo, energia, etc. – A resposta é, então, sim, comprá-la se você pode e vai fazer o trabalho indicado, e não, se você não pode ou não vai. É uma resposta objetiva, o que significa que todos os adivinhos terão de concordar com a resposta e o trabalho que tem de ser feito para o sucesso no assunto. Por outro lado, se alguém veio até mim dizendo que eles tinham uma resposta à minha pergunta, solução esta que foi uma resposta à suas orações em meu nome. Dada a natureza subjetiva deste conselho, eu iria ou rejeitá-la completamente ou considerá-la como um grão de areia. A Palavra de Deus, então, como recebida através de oráculos, fornece o homem com orientação objetiva nos assuntos da vida.

Outra finalidade de se receber a Palavra de Deus gira em torno da questão do poder espiritual. Em toda a natureza a presença da Mente de Deus pode ser vista como a inteligência subjacente aos padrões sobre os quais os eventos naturais são construídos. E para a construção de tais acontecimentos, é necessário energia para realizar o trabalho. É importante notar que as duas, inteligência e energia sempre andam juntas. Embora seja explicado como sendo a energia sendo guiada pela inteligência, o fato é que elas são dois pólos da mesma realidade – como os dois pólos de um ímã. Na Árvore da Vida, a inteligência de Deus é representada pela 2ª esfera, e em frente a ela está a energia espiritual de Deus, a 3ª esfera. Isso produz o entendimento de que a forma suprema de mobilizar o poder espiritual de Deus é através da Palavra de Deus.

Por último, mas não menos importante são os profetas – não deve ser confundido com médiuns *. Eles são homens e mulheres que, como resultado de seu desenvolvimento espiritual são capazes de receber revelações diretas de Deus.

[ *– Profetas profetizam através da recepção da Palavra de Deus, médiuns profetizam pela luz astral – o maior meio eletro-magnético que fornece as energias e matéria para a formação de pensamentos.]

Você nunca deve perder de vista o fato de que a mente sem corpo que projetou o átomo, e tudo o mais no mundo pode e quer comunicar-se diretamente com você. Retire sua mente dos filmes, jornais, e tudo aquilo que detém a sua atenção fora de sua mente, e tome tempo para viver as leis que lhe permitem estar em contato com a Voz de Deus.

Lei de Tehuti

Quando todos os seus pensamentos,
sentimentos e ações refletem a
Palavra de Deus, então o poder do
Espírito de Deus e uma paz que nada pode desafiar
fluirá através do seu ser.

 

Capítulo 5

                                      Lei de Sekher

A Terceira Esfera da Árvore da Vida


             No capítulo 2, a Lei de Amen, vimos que o relato da criação científico ocidental contemporâneo revelou a preexistência de uma inteligência incorpórea [bodiless intelligence] que é responsável pelas idéias subjacentes à estrutura dos átomos e a disposição dos elementos de acordo com sua estrutura. Precisamos agora concentrar nossa atenção no fato de que havia também um sistema de energia incorpóreo [bodiless system of energy] responsável por realizar o trabalho de organizar os componentes dos átomos, e estes na série periódica de acordo com o padrão exibido pela inteligência incorpórea. Em outras palavras, a “criação” da matéria física foi executada por uma Entidade incorpórea usando Sua inteligência e poder. Da mesma forma que temos acesso direto à Sua inteligência, como mostramos no capítulo anterior (Tehuti), temos acesso direto ao Seu poder (somos capazes de acessar esse poder para nos ajudar em nossas vidas diárias).

Que o Homem é capaz de afetar os eventos físicos e a matéria por meio de uma força metafísica é evidente pela telepatia (comunicação direta de uma mente para outra), telecinésia (a capacidade de alterar a forma ou posição da matéria física através de meios “mentais”) e clarividência (a capacidade de ver o passado, o futuro, e locais distantes no presente) que foram atestadas por pessoas de todas as culturas e esferas da vida desde tempos imemoriais, e receberam verificação científica irrefutável. Devemos também colocar na categoria de telecinésia e precognição, a habilidade possuída por todas as pessoas para manipular dispositivos oraculares. É uma força metafísica e “inteligência” subconsciente pertencente ao espírito (o subconsciente) que “manipula” a seleção de materiais de adivinhação (conchas cauris, ossos, dados, moedas, tarô, cartas, hieróglifos, etc.).

Assim, podemos ver que para influenciar os eventos em nossas vidas não estamos limitados a depender de nossas faculdades físicas — comunicação verbal e ação física. Temos uma faculdade metafísica à nossa disposição. Nós veremos que esta não só é mais poderosa do que nossas faculdades e meios físicos, quando usada corretamente — de acordo com as 11 Leis de Deus — elas podem superar todas as possíveis oposições e limitações que possamos encontrar. Se isso for verdade, seria mais sensato confiar principalmente [primeiramente] nelas para o sucesso na vida, e somente secundariamente em nosso intelecto e faculdades e recursos físicos. Na verdade, compreenderemos que, por esta razão, um de nossos principais objetivos na vida é desenvolver a capacidade de usar nossos poderes metafísicos acima de nosso intelecto e habilidades físicas. Em outras palavras, estamos destinados a viver pelo espírito e não apenas por nossas faculdades físicas e intelectuais.

De maior importância neste momento é a identificação adequada desses “poderes metafísicos“. Ao longo das eras, a comunidade ocidental veio a se referir às forças através das quais ações espirituais ocorrem como sendo metafísicas. Esta é uma designação correta para as forças espirituais que atuam acima daquelas responsáveis diretas por fenômenos físicos, tais como telecinese, clarividência, telepatia, e assim por diante. Verdadeiramente forças metafísicas são aquelas que operam nos reinos mental e divino. As forças espirituais que operam diretamente sobre a matéria e eventos físicos não são outras senão nossas emoções [emotions]. “Energia” é definida como a capacidade para realizar trabalho, ou para alterar o estado ou posição de uma coisa ou evento. Essencial, então, para a definição de energia, é o movimento [motion]. Alteração só pode ocorrer através de movimento. E isso é o que as e-moções [e-motions] fazem. O que temos de entender aqui, é que nossas emoções não se limitam a nos levar a falar e a tomar ações físicas, mas podem agir diretamente no mundo independentemente de nosso veículo físico. Isto é devido ao fato de que elas são energias físicas; É por isso que podemos senti-las, e falar delas como nossos sentimentos. Sim! O que chamamos de nossas emoções são expressões das mesmas energias que operam no universo.

É importante notar que nosso poder espiritual não funciona por pura força. Muitos, se não todos nós, já experimentamos o sucesso por estar no lugar certo no momento certo. Nós já “magicamente”, “do nada”, encontramos um livro ou alguém para receber informações pertinentes ou ajuda de algum tipo quando necessitados. Este tipo de eventos é característico do espírito agindo sobre a matéria e eventos físicos independente de nossas faculdades físicas. Tenho certeza de que todos gostaríamos de ser capazes de fazer essas coisas e mais acontecerem à vontade, ao invés das ocasiões imprevistas que elas ocorrem. Isto é o que as 11 Leis de Deus permitirão que você faça um dia.

Dado o fato de que as forças espirituais que estão envolvidas na manipulação de eventos físicos são nossas emoções — sim, raiva, medo, amor, etc. — nossa capacidade de usá-las à vontade para manipular o resultado dos eventos deve ser regulada por lei. É por isso que foi dito que antes que possamos ser sábios como serpentes (símbolos de energias — seu movimento é semelhante a uma serpente), devemos tornar-nos inofensivos como a pomba (símbolo da paz interior — hetep, nirvana) — palavras nesse sentido. O acesso aos poderes sobre o mundo é uma coisa perigosa nas mãos dos sem educação e dos imaturos (pessoas ignorantes e más), pois eles trariam um grande dano a si mesmos e aos outros.

Influenciar o curso dos eventos através do espírito é chamado em certos círculos, magia, e em outros, milagres. Uma leitura cuidadosa da literatura e das práticas ao longo das idades e do mundo revelará diferentes níveis de procedimento. Uma compreensão do assunto mostrará que das várias maneiras de utilizar o poder espiritual, a mais segura e mais poderosa é através da observância das 11 Leis de Deus. As técnicas mais comumente usadas são aquelas usadas pelos homens Sahu (o humano) e Ab (verdadeiro). Estas são magia cerimonial (também conhecida como bruxaria, e juju — uso de raízes, ervas, substâncias animais, etc). O problema com essas abordagens é que, tendo em vista o fato de que esses homens não se tornaram homens Deus [God men] e, portanto, estão excluídos do acesso à parte divina do espírito (a 3ª esfera), suas técnicas apropriam poderes espirituais nos níveis inferiores do espírito (Ab, Sahu, Khaibit).

[ * — Ver capítulo 1.]

O problema é agravado pela sua ignorância. O acesso ao poder espiritual que estamos aqui discutindo envolve o simples ato de querer que algo aconteça e o espírito obrigar, da mesma maneira que o pé é estendido quando vamos caminhar, e assim por diante. Este tipo de poder espiritual pertence a Deus e, portanto, só segue a vontade de Deus (a Palavra e a Voz de Deus) como explicado na Lei de Tehuti.

Dedução da lei de Sekher a partir da lei de Amen:

Tem sido universalmente observado que todos nós somos emocionalmente mais fortes quando calmos e relaxados, em oposição a quando excitados, ou chateados. Um dos fatos que foram descobertos por pessoas que dedicaram suas vidas à espiritualidade (como uma carreira, por assim dizer) é que quanto maior o desafio em que se é capaz de manter a paz, maior é a geração de poder espiritual (emotivo). Este é o princípio por trás do “martírio” dos santos. “Martírio” foi colocado entre aspas porque dá a impressão de que o santo sofre grande sofrimento, quando na realidade é a sua capacidade de estar em paz que lhe permite suportar as “provações”, que por sua vez é a fonte do poder por trás dos milagres — manifestação de poder espiritual (emotivo).

É importante perceber que cada vez que somos confrontados com uma dificuldade o potencial para intuir o conhecimento e para acessar o poder espiritual para lidar com ela está sempre presente. Em outras palavras, nesses momentos temos sempre o potencial de receber assistência da mente e poder incorpóreos cuja presença é evidenciada pela estrutura matemática dos eventos naturais — Deus. Mas a nossa capacidade para fazer contato é bloqueada por não estarmos em harmonia com as leis fundamentais que regem o uso do conhecimento e poder que pode ser assim obtido. Devemos primeiro ser um com todos [one with all], de modo a não usar tal conhecimento e poder de uma maneira que seja prejudicial a nós mesmos e aos outros; E para ser um com tudo nós devemos ter transcendido nossa natureza emocional.

A maioria das pessoas prefere não ter obstruções e dificuldades como partes da vida. Devemos entender que estas [dificuldades] estão em nossas vidas, não como meras ocorrências, mas pelo desígnio de Deus. Fomos feitos para o propósito de nos tornarmos o veículo da consciência e vontade de Deus no mundo. Para nos qualificarmos para esta grande honra devemos ser puros — livres das emoções negativas e separatistas da raiva, do medo, do ódio, etc. Como antagonistas do nosso estado essencialmente incondicionado, elas impedem a manifestação da sabedoria e do poder espiritual (Deus se expressando através de nós ). Nós viemos para a Terra com nossas vidas já planejadas. Isto é o destino. Planejados para nós estão eventos que implicam perdas materiais, ganhos, dificuldades e facilidade. Eles são todos iguais. Qualquer tipo pode trazer-nos prazer e dor, e se não tivermos recuperado a paz, então o prazer eventualmente cederá à dor. Sucesso e fracasso na vida devem ser olhados a partir de uma perspectiva divina. Não se preocupe. Esta leva em consideração suas necessidades mundanas e desejos legítimos. Fracasso na vida não é fracassar para fazer uma carreira de trabalho ou ter um fracasso nos negócios. Sucesso não é alcançar seus objetivos materiais. Sucesso é alcançar a felicidade. É ser capaz de fluir do prazer para a paz, da paz para o prazer. Isso só pode acontecer através da observância das 11 Leis de Deus.

Qualquer um que duvida que nossas vidas são planejadas — que existe algo como o destino — precisa sentar-se com um astrólogo competente. Deixando de lado a versão de astrologia dos tablóides, drogarias, supermercados, existem vários poderosos sistemas que podem dizer-lhe muito sobre a sua vida a partir do dia em que você nasceu. *

[ * — Os vários livros por Michele Gauquelin, Cosmo Biology System por R. Ebertin, I Ching Astrology system, Mahabote (astrologia Birmanesa), Padhati Sideral astrology por Krishna Murti.]

A astrologia foi estudada por grandes homens tais como Isaac Newton e Johannes Kepler que escreveram livros muito importantes sobre o assunto. Como conciliar a grandeza da mente desses homens com esses estudos se o assunto fosse pueril? Mas o que é o destino? Estamos destinados a sofrer, a fracassar, a ter sucesso? O fracasso dos líderes espirituais e dos filósofos em dar respostas adequadas a essas questões é a fonte da atitude popular de dúvida em relação à realidade do destino. Porque a compreensão deste assunto bastante difícil exige e compreensão de todas as leis e como elas interagem, vou adiar sua discussão para o capítulo final.

Existe uma lei que governa o comportamento das forças físicas no sentido de que para cada ação há uma reação igual. Esta lei também se aplica ao comportamento das forças espirituais. Elas realmente exercem um efeito de puxa e empurra (atraindo e repelindo), e de expansão e contração sobre as coisas no mundo físico. A força espiritual é capaz de superar toda a resistência no mundo pela razão de que enquanto nada no mundo é imóvel — o núcleo pacífico de nosso ser é. Tudo no mundo cede exceto a parte Amen de nosso ser [Everything in the world gives except the Amen part of our being]. Do ponto de vista do poder manifesto, esta é a razão para reivindicar a paz que é nossa natureza. Esta é a razão para Nirvana, para Hetep.

Devemos tomar notar neste ponto de uma relação recursiva da Lei de Sekher com a lei de Amen, e esta é que podemos estar em paz em todas e quaisquer situações desafiadoras porque somos dotados com o potencial de gerar o poder espiritual para superá-las.

Dedução da lei de Sekher a partir da lei de Ausar:

Se o maior desafio do mundo auxilia alguém a gerar o maior poder, encontrar a paz, então a situação é benéfica. Não é contra a pessoa, mas uma com a pessoa.

Devemos tomar nota neste ponto de uma relação recursiva da Lei de Sekher com a lei de Ausar, e esta é que podemos relacionar-nos a todas e quaisquer situações desafiadoras como não sendo contra nós, porque somos dotados com o potencial para gerar o poder espiritual para superá-las.

Dedução da lei de Sekher a partir da lei de Tehuti:

Os cientistas são capazes de propor leis explicando o comportamento das forças na natureza — calor, luz, magnetismo, gravitação, etc. É importante ter em mente que esta habilidade “científica” não é um ato de criação realizado na mente do cientistas, mas um ato de cognição da informação que está guiando o comportamento das forças. O raciocínio quantitativo e qualitativo do homem sobre os fenômenos naturais é devido ao fato de que os eventos naturais são baseados em padrões ou desenhos quantificáveis na natureza. A Sabedoria, a inteligência de Deus e o poder espiritual de Deus são, portanto, dois pólos da mesma realidade.

A Necessidade de Poder Espiritual

É importante perceber que o cultivo do poder espiritual não é uma opção. Dentro de todos nós há um impulso para a capacitação que vai nos ajudar na realização de nossas tarefas mundanas, ou o medo que acompanha o sentimento de impotência em face de desafios esmagadores. Espera-se que psicólogos e sociólogos venham  a perceber um dia que é a má resposta [ill response] à esse impulso que é a força motriz que conduz os poderes do mundo em seus atos de conquista e construção de impérios. Profundamente dentro deles está a crença de que somente através do controlo a todo o custo das vidas e recursos dos outros que eles podem alcançar a segurança — leia felicidade — que eles cobiçam para si e sua família. Em contrapartida, finalmente, está a impotência espiritual dos muitos que permite a alguns poucos governar o mundo. Isso é uma grande vergonha uma vez que os poderes do universo fluem como o espírito do conquistador e o espírito do conquistado.
Qual é a resposta às guerras?

 

A Lei de Sekher, a 3ª Esfera da Árvore Da Vida

Quando as emoções do Homem se manifestam em resposta à Palavra de Deus, elas têm o poder de influenciar o curso de todos e quaisquer eventos no mundo.

 

 
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Capítulo 6

                                      Lei de Maat

A 4ª Esfera da Árvore da Vida


             Maat, a 4ª esfera da Árvore da Vida manifesta-se no espírito do Homem como a necessidade universalmente sentida por ordem (lei). Para os espiritualmente imaturos, a lei ou ordem é posta em prática através de regras apoiadas por força coercitiva com o objetivo de alcançar a paz social e harmonia. É lamentável que quase 6000 anos de história registrada não tenham dissipado esta falácia. Deve-se entender que as regras que constituem as leis do homem — e supostamente a lei de Deus também — baseiam-se na crença de que o humano (espécie de homem, homem sahu ou inferior) representa a totalidade do Homem. Apesar da altamente elogiada teoria da evolução, o homem presente, como visto na maioria das pessoas, não é visto como um produto em evolução, mas um produto acabado. Ao invés de dar regras, o objetivo da lei seria alcançado submetendo todas as pessoas na Terra a um programa de cultivo espiritual baseado nas 11 leis do espírito. E no lugar de apelar para a força coercitiva, que a história mostrou não funcionar, as pessoas devem ser ensinadas a amar.

Figura - Ra Un Nefer Amen - Maat

O Amor é uma das forças (e-moções) mais mal-entendidas. Ele é “dar sem esperar nada em troca.” Tem que ser assim, se ele é, como a maioria diz, uma expressão de altruísmo. Ele não tem nada a ver com sexo, embora muitas pessoas usem a expressão “fazer amor,” por ter relações sexuais. Ele é muitas vezes confundido com carinho. A distinção é facilmente vista no fato de que alguém pode ser afetuoso com você, mas ainda assim se comportar muito egoisticamente em relação a você. Amor, então é a emoção ou força executiva de nossa unicidade com todos. É o lado emocional da experiência da unicidade. É a dedução lógica da lei de Ausar, a 1ª esfera da Árvore. Se eu sou um com você, então o que eu dou a você eu tenho dado a mim mesmo. O bem que eu faço a você, tenho feito a mim mesmo.

O Amor leva a lei de Ausar um passo adiante. De acordo com a lei de Ausar, uma pessoa não deve interpretar as ações negativas de outra como sendo contra ele/ela. Em Maat, expressamos amor para com o transgressor. Isso pode parecer difícil de se fazer, até que nos lembremos que nossa natureza é a paz, portanto, não precisamos experimentar dor emocional ou dificuldades em fazê-lo. Isso pode parecer um mau conselho, até mesmo suicida, até que nos lembremos do conhecimento de que a paz em face da “oposição” gera sabedoria e poder espiritual. A pergunta que não foi levantada até agora é “qual é o poder gerado pela paz em face da oposição e das dificuldades?”A resposta é Amor. Para entender como o amor é uma força, especialmente uma que pode ajudá-lo diante de alguém que esteja tentando remover sua semente do planeta, igualmente, é necessário remover alguns outros mal-entendidos sobre o amor.

Alguns dizem que eles te amam porque sentem uma dor quando você está ausente e se sentem bem quando você está por perto, especialmente quando você os envolve afetuosamente ou sensualmente. Nenhum destes são sinais de amor. A palavra [amor] foi apropriada pelos espiritualmente imaturos que são incapazes de experimentar a realidade denotada por ela. No discurso sobre a lei de Sekher foi explicado que as emoções (forças) podem agir diretamente para afetar objetos e eventos físicos. Colocando isto com o entendimento de que a Árvore da Vida representa uma distribuição hierárquica dos fatores formadores de nossas vidas, podemos concluir que a força executiva da unicidade (amor) deve ser a força dominante entre todas as outras. Assim, sempre que duas forças se unem, a superior se impõe e substitui a outra. Amar o inimigo, então, é um ato de conquista, não uma resignação submissa. Mas é claro que você tem que saber como expressar amor, e mais importante, você tem que estar genuinamente em paz na situação — ei, esse cara está tentando matá-lo. Não pode ser realizado por uma mera injunção. É o resultado de um longo processo de cultivo espiritual. É criminosamente irresponsável dizer à pessoa espiritualmente, e intelectualmente, e moralmente imatura para amar seus inimigos. Este [amar seus inimigos] é um princípio que requer que outros 10 sejam despertados no espírito da pessoa a fim de colocá-lo em prática com segurança e eficácia.

O problema não é sobre como se vai amar os “inimigos.” Muitas pessoas acreditam que o amor é algo que é dirigido a esta ou aquela pessoa, porque eles o confundiram com afeto. O objetivo espiritual de Maat é tornar-se uma pessoa amorosa, e não apenas amar essa ou aquela pessoa. É desenvolver um “coração” que seja cheio com o amor por tudo, como uma expressão emocional da unicidade com tudo manifestada em Ausar. Uma vez que a unicidade engloba aqueles que tentarão agir contra você, assim também deve o seu amor todo-abrangente. Em outras palavras, o amor devidamente compreendido é o reflexo e-mocional da unicidade. Assim, ao invés de entreter pensamentos de ver aqueles que se envolvem em transgressões à você queimarem no inferno, ou encontrarem um fim desafortunado (como um desejo defensivo), você vai orar pelo seu bem-estar assim como faria para todos os outros no mundo. Deve ser entendido que o amor para com essas pessoas não é expresso por virar a outra face ou dar-lhes a camisa de suas costas, ou sentar-se com eles para repartir o pão. Em algumas ocasiões tal seria a coisa certa a fazer, não em outras. Se você chegar em casa e encontrar um homem estuprando sua filha, você oferece a ele sua esposa? Caso se tornasse necessário matá-lo em legítima defesa, a lei do amor e da unicidade não seria violada. Você deve manter o equilíbrio entre as duas partes de seu ser — somos um em essência, separados em forma.

Neste ponto você pode estar perguntando “e sobre o amor para com o justo, o fraco e o inocente?” Devemos voltar a um princípio explicado nas leis de Sekher e de Tehuti que afirma que o poder e a sabedoria não são gerados a menos que haja uma demanda genuína por eles. E essa demanda genuína é proporcionada pela adversidade e pelas dificuldades na vida. Portanto, embora seja bom expressar o nosso amor pela família e pelos justos, etc. tais ações não nos acumulam sabedoria e poder. É o amor que flui da paz que tem de ser convocada na adversidade que manifesta a capacidade de agir como uma força independente no mundo. Este amor flui da parte divina de nosso ser, enquanto que o amor que é expresso àqueles que não representam um desafio para nós flui da parte humana de nosso ser. O amor da parte Divina de nosso ser é um poder que subjuga os injustos.

Além de ser a força executiva por trás da unicidade de Ausar, o amor é também a força executiva por trás da realidade da interdependência que opera no nível de Maat, propriamente dito. Devemos lembrar que somos uma dualidade indivisível — una em ser, mas separada em manifestação. No nível de Maat, nossa separatividade [separateness] é reconhecida, contudo nós somos unidos através de nossa interdependência.

Interdependência é um fato da natureza. Um ótimo exemplo é a interdependência entre flores e abelhas. As flores, como sabemos, são do sexo feminino ou masculino e, portanto, requerem ajuda externa para se reproduzir. A diversão vai para as abelhas. É seu trabalho transportar o pólen das flores masculinas às fêmeas. Isso ocorre à medida que vão de flor em flor coletando seus alimento (néctar e pólen). Para garantir que as abelhas vão encontrá-las, as flores secretam seu perfume sedutor que pode ser detectado à milhas de distância pelas abelhas. É óbvio que as flores e as abelhas foram criadas umas com as outras em mente. Nenhuma pode sobreviver sem a outra. E quanto aos milhares de outras criaturas que dependem dessa relação para a sua sobrevivência dado que estão a montante da cadeia alimentar. Neste ponto, devemos fazer algumas perguntas muito importantes. Será que essa relação surgiu através da inteligência que reside nas abelhas e nas flores, ou veio de uma fonte fora delas? Se a inteligência reside dentro dessas criaturas, então a reivindicação do homem à supremacia na terra está em sérios problemas. E podemos replicar inúmeros exemplos de tal interdependência em toda a natureza — nós a vemos nos ciclos da água, dióxido de carbono, nitrogênio/proteína, etc. Mais uma vez, somos confrontados com evidências da existência de uma inteligência incorpórea, e um poder executivo incorpóreo operando no mundo. Até agora você não deve ter nenhum problema com a identidade desta entidade — Deus. *
[ * — Como Maat e Tehuti são polaridades opostas do mesmo princípio (esposa e marido), não é de surpreender que ambos representem princípios que dão evidência do ser e das manifestações de Deus no mundo.]

A outra pergunta que devemos perguntar “Será que o homem vive fora desta teia de interdependência — do homem para as outras criaturas, e dos homens para os homens?” Não é preciso muito reflexão para concluir que o homem não o faz. O homem não é nem menos e nem mais parte da natureza como todas as outras criaturas. A diferença é que enquanto todas as outras criaturas não podem escapar viver em harmonia com as forças que as ligam às outras, o homem pode escapar — em [sua] desvantagem — por causa de seu livre arbítrio. Também deve ser claro que a única emoção que é congruente com entidades que dependem umas das outras é o amor. Embora o homem possa optar por não integrar-se com o todo, ele não pode sobreviver ou florescer desta maneira. Nada que não esteja em harmonia com o todo pode sobreviver por muito tempo, ou florescer. O câncer é um exemplo claro.

Antes de abandonar este assunto, é necessário destronar uma grande falácia que obsta à compreensão do princípio do amor como expressão de unicidade e interdependência. Esta é a Teoria Darwiniana da Evolução das Espécies. Embora haja um processo evolutivo acontecendo no mundo, ele não se aplica às espécies que compõem o mundo. Darwin chegou à sua teoria a partir da percepção de que o mundo é composto de criaturas que podem ser organizadas em uma ordem progressiva de complexidade ao longo de uma linha do tempo. O mesmo pode ser dito dos seres vivos, que são feitos de células de diferentes níveis de complexidade.
Por outro lado, os biólogos concluem que as células em uma criatura são tão simples ou complexas de acordo com a função que estão realizando como parte de um todo. As plaquetas não são células primitivas que irão eventualmente evoluir para uma forma complexa. Sua natureza simples está em conformidade com seu papel no corpo. As células cerebrais não são células altamente evoluídas. Sua natureza complexa está em conformidade com sua função. Podemos e devemos dizer o mesmo sobre as criaturas que compõem o mundo. Se as abelhas evoluíssem, se as flores evoluíssem, se as bactérias fixadoras de nitrogênio e os feijões evoluíssem, o que aconteceria com as milhares de criaturas, incluindo o homem, na cadeia alimentar? Se as plantas evoluíssem o que aconteceria aos animais que são incapazes de fazer seu próprio alimento ou de preparar o oxigênio para o consumo animal, e assim por diante? Quanto ao que parece ser uma introdução progressiva de criaturas mais complexas ao longo do tempo, não precisa ser a expressão de criaturas separadas envolvidas em um esforço por e para si, mas um desdobramento gradual dos componentes de um ser em desenvolvimento — como visto no processo fetal, onde células e tecidos complexos “evoluem” dos mais simples como partes integrantes e interdependentes de um todo. É uma vergonha que a teoria da evolução não tenha sido revisitada a partir do nível da genética, o qual revela muito pouco desenvolvimento “evolutivo” entre os planos [genéticos] [blueprints] de criaturas primitivas e altamente evoluídas. Espelhando isso está o fato de que todo o plano genético [genetic blueprint] de uma criatura está codificado igualmente em todas as suas células — da mais simples à mais complexa.

Visto de outra perspectiva, a interdependência se traduz na expressão da necessidade e sua realização através da partilha. Que as pessoas precisam umas das outras e devem compartilhar é facilmente compreendido. O que não é reconhecido pela maioria das pessoas é que Deus precisa do homem tanto quanto o homem precisa de Deus. Isso não é reconhecido por pessoas que vêem Deus como um ser onipotente que faz o mundo e o Homem e lida com o mundo a partir de fora. Vamos lembrar o que foi dito no capítulo 1 sobre o propósito de Deus para criar o mundo; Que Deus cria o mundo para experimentar a vida e cria o homem como o veículo de sua consciência no mundo, uma vez que este último tenha completado seu desenvolvimento espiritual (evolução *).

[ * — O homem completa sua evolução na forma física presente. Não há necessidade de passar por uma mudança de espécie. É seu veículo espiritual que está evoluindo. Deve-se sempre ter em mente que o espírito é composto de sete divisões. A maioria das pessoas só evoluiu as três inferiores, e parte da quarta. Isto é o que explica o comportamento das pessoas.]

Portanto, Deus não pode vir ao mundo para cumprir Suas razões por criá-lo, a menos que os homens completem seu desenvolvimento espiritual. Por outro lado, um homem/mulher não pode alcançar a felicidade (gozo da vida) a menos que eles se desenvolvam para se tornarem veículos de Deus; Ou seja, tornarem-se Deus-mulher/homem. Sem a paz transcendental de Amen sempre haverá sofrimento, sem a sabedoria (a onisciência de Deus) sempre haverá erros que levam ao sofrimento, sem poder espiritual (a onipotência de Deus) sempre haverá fracasso nas empresas e sem esses atributos a unicidade com o todo será apenas meras palavras e inimizade (falta de unicidade) será nosso quinhão. Sim, Deus é onipotente, mas não forçará o homem a tornar-se seu veículo mundano. Deus deixou isso para o homem escolher. E que seja entendido agora que é somente escolhendo alegremente tornar-se o templo vivo de Deus na terra e no mundo espiritual que o Homem pode mostrar seu amor por Deus. Mas exercer esta escolha é mais fácil dizer do que realmente fazê-lo. Sua realização exige a eliminação de todos os padrões de comportamento no espírito que são contrários às leis de Deus. Estes são os condicionamentos que se manifestam como raiva, medo, cobiça, egoísmo, ódio, ciúmes, inveja, luxúria, vulnerabilidade às tentações e emoções, dependência da própria mente em lugar da Palavra de Deus, e assim por diante.

Seu cumprimento não pode ser feito sem uma luta poderosa que para a maioria das pessoas se estende por várias encarnações. Essa luta é aquela das batalhas épicas entre as forças do bem e do mal que foram retratadas nas grandes obras literárias— seculares e espirituais — de muitas culturas; O Bhagavad Gita, as batalhas de Set e Heru, de Ra e Apep, para citar algumas. Considerando o que está em jogo para o Homem — adquirir sabedoria, um poder que nada pode perturbar — a batalha envolve uma prova dos limites da capacidade de amar a Deus. Você está disposto a alegremente * abrir mão de sua possessão mais querida, a estar em paz diante de transgressão assassina, a orar pela redenção daquele que matou seus sonhos, a fim de se tornar o veículo de Deus, se não na terra, no reino espiritual?

[ * — A alegria dada é o verdadeiro padrão, e é representada pela pena de Maat contra a qual a vontade (coração/ab) do Homem é pesada.]

Se você orasse num estado de paz pela redenção do malfeitor (mostrando seu amor), sua oração não seria apoiada pelo poder espiritual de Deus? O amor a Deus deve ser demonstrado através das maiores provações. Ele não pode ser demonstrada através da entrega diária de agradecimentos, orações, meditação, rituais, leitura de escrituras e assim por diante. Estas são práticas preparatórias para a luta. Você vai descobrir o que a luta é logo depois que fizer uma segura decisão para implementar uma das 11 leis dadas neste livro. Lembre-se que essas leis permitem que você entre em um relacionamento consciente com as forças que moldam sua vida. Tenha em mente que você está ciente dessas forças. As forças da Árvore da Vida foram identificadas como estímulos ou impulsos internos [urges or inner drives] que são comuns a todos os homens.

Você pode adiar essa tarefa? Você vai manter Deus esperando? Se você não pode amar a Deus, quem então você pode amar? Quem ou o que você colocará acima de Deus? E se você ama a Deus, então você não ama tudo? Você não é então um ser amoroso? Não é então seu amor universal? E se a força mestra do universo — a força imperecível, o amor — é a sua, que força separadora (raiva, ódio, egoísmo, etc.) pode opor-se a você?

Deduzindo a lei de Maat a partir das Leis de Ausar e de Amen

Se somos um com todos (lei de Ausar), na satisfação de nosso estado essencialmente incondicionado (a lei de Amen), então a lógica expressão emocional desta unicidade é o Amor.

Deduzindo a lei de Maat a partir da Lei de Tehuti

Se somos um com todos, o amor por todos, então, é uma expressão de sabedoria.

Deduzindo a lei de Maat a partir da Lei de Sekher

Se temos acesso ao poder espiritual, não há necessidade de temer amar a todos, especialmente dado o fato de que o poder do amor é a suprema manifestação dos poderes do espírito.

 

Lei de Maat

Deus precisa de você para vir ao mundo.
Cumprir a necessidade de Deus é o ato mais elevado de amor, e somente através de seu amor a Deus você pode cumprir seu amor pelos outros.
Torne-se o Amor de Deus no mundo para a proteção do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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