Rainha Móo e A Esfinge Egípcia – Augustus Le Plongeon

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Queen Móo and The Egyptian Sphinx

Rainha Móo e A Esfinge Egípcia
por Augustus Le Plongeon

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Neste trabalho Eu não ofereço nenhuma teoria. Em questão de história, teorias não provam nada. Elas estão, portanto, fora de lugar. Deixo que meus leitores tirem suas próprias conclusões a partir dos fatos apresentados para sua consideração. Qualquer que seja a sua conclusão não é problema meu. Uma coisa, porém, é certa – nem a sua opinião nem a minha irá alterar eventos que aconteceram no passado remoto do qual tão pouco se sabe no dia de hoje. Um registro de muitos destes eventos chegou aos nossos tempos escrito, por aqueles que participaram neles, numa língua ainda falada por vários milhares de seres humanos. Ali podemos ler parte da história do homem e acompanhar o progresso de sua civilização.

O estudo – in situ – das relíquias dos antigos Maias revelou certas analogias marcantes entre a sua língua, suas concepções religiosas, suas noções cosmogônicas, seus hábitos e costumes, suas tradições, sua arquitetura, e a linguagem, com as concepções religiosas, noções cosmogônicas, modos e costumes, tradições, e arquitetura das antigas nações civilizadas da Ásia, África, e Europa, das quais não temos qualquer conhecimento, que se tornou evidente, a meu ver pelo menos, que tais semelhanças não são meros efeitos do acaso, mas o resultado de comunicações íntimas que devem ter existido entre todos eles; e que a distância não era maior obstáculo à suas relações do que é no dia de hoje para aquela dos habitantes dos vários países.

Tem sido, e ainda é, uma hipótese favorita, com alguns estudantes de etnologia, que o Continente Ocidental, agora conhecido como América, recebeu sua população humana, portanto, sua civilização, a partir da Ásia. Na verdade, há uma divisão em suas fileiras. Eles não estão completamente certos se a imigração na América veio a partir da Tartária [Tartary] através do Estreito de Behring, ou a partir do Hisdustão [Hindostan] sobre a vastidão do Oceano Pacífico. Isto, contudo, é de pouca importância.

Há aqueles que pretendem, como Klaproth, que o berço da humanidade encontra-se no planalto do Pamir, entre os altos picos dos Himalaias, ou como os Srs. Renan e Barthélémy Saint-Hilaire, que colocam-lo na região do Timeu [Timaeus], nos países onde a Bíblia diz que o “Jardim do Éden” situou-se; enquanto outros são igualmente convictos de que o homem veio da Lemuria, aquele continente submergido inventado por P. L. Sclater, que Haeckel * acredita que foi o berço do homem-macaco primitivo [ape-man], e o qual dizem que agora está sob as águas do Oceano Índico. A verdade da questão é que estas opiniões são meras conjecturas, simplesmente hipóteses, e seus defensores conhecem não mais quando e onde o homem apareceu pela primeira vez na terra do que o recém-nascido sabe de seus arredores ou como ele veio.

[* – Haeckel, Ernst, Hist. of Creation (Hist. da Criação), vol. ii., p. 326.]

Os eruditos polemistas sobre este ponto remoto e obscuro se esqueçem de que todos os principais geólogos agora concordam na opinião de que a América é o continente mais antigo conhecido na face do planeta; que os restos fósseis de seres humanos encontrados em várias partes do mesmo, muito distantes uns dos outros, provam que o homem viveu lá em tempos imemoriais, e que nós não temos o menor raio de luz para iluminar a escuridão que envolve a origem daqueles homens primevos. Além disso, é agora admitido pela generalidade dos cientistas, que o homem, longe de ter descendedido de um único par, localizado em uma parte específica da superfície da Terra, tem aparecido em toda parte dela, onde as condições biológicas têm sido propícias ao seu desenvolvimento e subsistência; e que a produção das várias espécies, com as suas características anatômicas e intelectuais distintas e bem definidas, foi devida à diferença das condições biológicas, e às forças gerais estimulando [calling forth] a vida animal prevalente no lugar onde cada espécie particular tem aparecido , e cujas marcas distintivas foram adaptadas aos seus ambientes peculiares.

Os sábios Maias, sem dúvida, tinham chegado a conclusões semelhantes, uma vez que eles chamavam seu país Mayach ; isto é, “a terra primeiro surgida do seio do abismo”, “o país do rebento; E os Egípcios, de acordo com Heródoto, se vangloriavam de que “seus ancestrais, nas Terras do Ocidente, eram os homens mais antigos da Terra.”

Se o parecer de Lyell, Humphry, e uma série de geólogos modernos, sobre a primazia da antiguidade da América, estiver correto, que direito temos nós para contradizer a afirmação dos Maias e dos Egípcios em reivindicar semelhante primazia para o seu povo e seu país ?

É natural supor que a inteligência no homem foi desenvolvida no continente mais antigo, entre seus mais antigos habitantes; e que sua concomitante, civilização, cresceu rapidamente com o seu desenvolvimento. Quando, no impulso do instinto de auto-preservação, os homens ligaram-se em clãs, tribos, e nações, a história nasceu, e com ela o desejo de comemorar os eventos de que se compõe. A arte de desenhar ou escrever foi então inventada. Os incidentes considerados como mais dignos de ser lembrados e preservados para o conhecimento das gerações vindouras foram esculpidos no material mais duradouro em sua posse – pedra. E assim é que encontramos hoje as noções cosmogônicas e religiosas, os registros de fenômenos naturais e incidentes predominantes na história de sua nação e de seus governantes, esculpida nas paredes dos templos e palácios dos civilizados Maias, Caldeus e Egípcios, assim como nas rochas sagradas e nas cavernas sagradas do incivilizado homem primitivo.

É para as inscrições monumentais e os livros dos Maias que devemos nos voltar se quisermos aprender sobre as tradições primevas da humanidade, o desenvolvimento da civilização, e os acontecimentos que tiveram lugar séculos antes dos remotos mitos registrados como ocorrências no início de nossa história escrita.

Os Historiadores, ao escrever sobre a história universal da raça [humana] nunca levaram em consideração aquela do homem na América, e o papel que, em eras remotas, nações Americanas desempenharam no palco deste mundo, e a influência que exerceram sobre as populações da Ásia, África e Europa. Ainda assim, tão longe quanto nós podemos sondar a longa vista dos séculos passados, os Maias parecem ter tido comunicações diretas e íntimas com elas.

Este fato, na verdade, não é nenhuma nova revelação, como provado pela universalidade do nome Maya, que parece ter sido bem conhecido por todas as nações civilizadas, há milhares de anos, assim como é hoje aquele do Inglês. Assim, nós encontramos com ele no Japão, nas ilhas do Pacífico, Hindustão, Ásia Menor, Egito, Grécia, África Equatorial, América do Norte e do Sul, bem como nos países conhecidos por nós como a América Central, que naqueles tempos compunham o Império Maia. A sede do governo e residência dos governantes foi a península de Yucatan. Onde quer que encontrado, o nome Maia é sinônimo de poder, sabedoria e aprendizado.

A existência do Continente Ocidental não era mais um mistério para os habitantes dos países limítrofes ao Mediterrâneo do que para aqueles cujas costas são banhadas pelas ondas do Oceano Índico.

Valmiki, em seu belo épico o “Ramayana”, diz que, em tempos tão remotos que o “sol ainda não tinha subido acima do horizonte,” os Maias, grandes navegadores, guerreiros terríveis, aprenderam arquitetura, conquistaram as partes do sul da península Indo-Chinêsa e se estabeleceram lá.

Nos autores clássicos, Gregos e Latinos, encontramos menção frequente do grande continente de Saturno [Saturnian continent], distante muitos milhares de estádios das Colunas de Hércules na direção do sol poente. Plutarco, em sua “Vida de Solon” [“Life of Solon”], diz que, quando o famoso legislador Grego visitou o Egito (600 anos antes da era Cristã), Sonchis, um sacerdote de Sais, também Psenophis, um sacerdote de Heliópolis, disse-lhe que há 9.000 anos, as relações dos Egípcios com os habitantes das “Terras do Ocidente” havia sido interrompidas por causa da lama que tinha tornado o mar intransitável após a destruição de Atlântida [Atlantis] por terremotos.

O mesmo autor, novamente, em sua obra, “De Facie in Orbe Lunae” (“Sobre a Face Visível no Orbe da Lua”), tem Scylla recontando ao seu irmão Lampias tudo o que ele tinha aprendido sobre eles a partir de estranho que ele conheceu em Cártago retornando de países transatlânticos.

Que o Continente Ocidental foi visitado por Cartagineses alguns anos antes da escrita da “Atlantis” de Platão , os retratos de homens com longas barbas e características Fenícias [Mouras], descobertas por mim em 1875, esculpidas nas colunas e antae do castelo em Chichen, dão testemunho. Diodoro da Sicília [Diodorus Siculus] atribui a descoberta do Continente Ocidental aos Fenícios, e descreve-o como “um país onde a paisagem é variada por montanhas muito altas, e a temperatura é sempre suave e uniforme.” Procópio, aludindo a ele, diz que ele está a vários milhares de estádios de Ogygia, e encerra todo o mar, no qual uma multidão de rios, descendo das montanhas, descarregam suas águas. Theopompus, de Quio, falando de sua magnitude, diz: “Em comparação com ele, o nosso mundo é apenas uma pequena ilha”, e Cícero, mencionando-o, faz uso de quase as mesmas palavras: “Omnis enin terrae quae colitur a vobis parva quaedam est insula.” Aristóteles em sua obra, “De Mirabile Auscultatio”, dando conta disso, representa-o como um grande e fértil país, bem regado por riachos abundantes;” e ele refere-se a um decreto promulgado pelo Senado de Cartago para o ano de 509 A.C., destinado a conter a corrente de emigração que tinha se estabelecido para Terras Ocidentais, como temiam que isso poderia ser prejudicial para a prosperidade da sua cidade. A crença na existência anterior de extensas terras no meio do Atlântico, e sua submersão em consequência de convulsões sísmicas, existia entre os cientistas, mesmo, tão cedo quanto o quinto século da era Cristã. Proclus, um dos maiores estudiosos da antiguidade, que durante trinta e cinco anos esteve à frente da escola Neoplatônica de Atenas, e era instruído em toda a ciência conhecida em seus dias, nos seus “Comentários sobre o Timeu de Platão,” diz: “A famoso Atlântida já não existe, mas dificilmente podemos duvidar que ele existiu uma vez, pois Marcellus, que escreveu uma história de assuntos Etíopes [history of Ethiopian affairs], diz que uma tal e tão grande ilha uma vez existiu, e que isto é evidenciado por aqueles que compuseram histórias relativas ao mar externo, pois eles relatam que, nesta época, haviam sete ilhas, três de imensa magnitude, sagradas a Plutão, Júpiter e Netuno; e, além disso, os habitantes da última ilha (Poseidonis) preservam a memória da magnitude prodigiosa da ilha Atlântica como relatada por seus ancestrais, e do seu governo por muitos período sobre todas as ilhas no mar Atlântico. A partir desta ilha pode-se passar para outras grandes ilhas mais além, que estão não muito longe da terra firme perto da qual está o verdadeiro mar.”

É bom notar que, como todos os autores Maias que descreveram os cataclismos terríveis que causaram a submersão da “Terra de Mu“, Proclus menciona a existência de dez países ou ilhas, como Platão fez. Pode isso ser uma mera coincidência, ou foi conhecimento geográfico real por parte desses escritores ?

Investigações são muitas vezes feitas quanto às causas que levaram à interrupção das comunicações entre os habitantes do Continente Ocidental e os moradores das costas do Mediterrâneo, depois de terem sido renovadas pelos Cartagineses.

É evidente que a lama afirmada pelo sacerdote Egípcio tinha sido removida no decorrer dos séculos, e que as algas mencionadas por Hamilco tinham deixado de ser uma barreira suficiente para dificultar a passagem, uma vez que Cartagineses atingiram as costas de Yucatan, pelo menos quinhentos anos antes da era Cristã. *

[* – Juan de Torquemada, Monarquia Indiana, lib. iii., Cap. 3. Lizana (Bernardo) Devocionario de Nuestra Señora de Itzamal, etc., parte 1, fólio 5, publicado por Abbé Brasseur, em Las Casas de Yucatan, de Landa, pp. 349, et passim.]

Essas causas podem ser encontradas na destruição de Cartago, de seu comércio e seus navios, pelos Romanos sob Publius Scipio. Os Romanos nunca foram navegadores. Após a queda de Cartago, a atenção pública sendo direcionada para suas conquistas no Norte da África, na Ásia Ocidental, e na Grécia; às suas guerras com os Teutões e os Cimbri; às suas próprias dissensões civis e aos muitos outros acontecimentos políticos que precederam a decadência e desintegração do Império Romano; as expedições marítimas dos Fenícios e dos Cartagineses – suas descobertas de países distantes e transatlânticos tornaram-se quase esquecidas. Por outro lado, os destemidos navegadores mantiveram suas descobertas tão secretas quanto possível.

Com o advento e a ascendência da Igreja Cristã, a lembrança da existência de tais terras que ainda permanecia entre os estudantes, * assim como aquela das civilizações Egípcia e Grega, foi totalmente apagada da mente das pessoas.

[* – Clemente de Roma, Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo VIII, verso 12.]

Se formos acreditar em Tertuliano e outros escritores eclesiásticos, os Cristãos, durante os primeiros séculos da era Cristã, mantiveram-se contra todas as artes e ciências, que, como a literatura, eles atribuíram às Musas, e, portanto, consideradas como artifícios do diabo . Eles consequentemente destruíram todos os vestígios, bem como todos os meios de cultura. Eles fecharam as academias de Atenas, as escolas de Alexandria; queimaram as bibliotecas do Serapião [Serapion] e outros templos de aprendizagem, que continham as obras dos filósofos e os registros de suas pesquisas em todos os ramos do conhecimento humano (o poder do vapor e eletricidade inclusos). Eles despovoaram os países banhados pelas águas do Mediterrâneo; mergulharam a população da Europa Ocidental na ignorância, superstição; lançaram sobre eles, como uma mortalha funerária intelectual, a onda negra de barbárie que durante a Idade Média chegou apagando todos os vestígios da civilização – que foi salva da destruição total pelos seguidores de Maomé [Mahomet], cujas grandes realizações mentais e científicas iluminaram a noite da escuridão intelectual como um meteoro brilhante, muito em breve extinta por esses lacaios da Igreja, os membros da Santa Inquisição estabelecida pelo Papa Lucius III. Os inquisidores, imitando seus dignos predessores, os Metropolitanos de Constantinopla e os bispos de Alexandria, fecharam as academias e escolas públicas de Córdoba, onde o Papa Silvestre II e vários outros altos dignitários da Igreja já tinham sido admitidos como alunos e adquirido, sob a instrução de filósofos Mouros, conhecimentos de medicina, geografia, retórica, química, física, matemática, astronomia e outras ciências contidas nos milhares de volumes preciosos que formaram as excelentes bibliotecas que os inquisidores impiedosamente destruíram, alegando exemplo de São Paulo. *

[Os Atos dos Apóstolos, Capítulo XIX., versículo 19.]

Provas abundantes das comunicações íntimas dos antigos Maias com as nações civilizadas da Ásia, África e Europa podem ser encontradas entre os restos de suas cidades em ruínas. Sua arquitetura peculiar, incorporando suas noções cosmogônicas e religiosas, é facilmente reconhecida nos antigos monumentos arquitetônicos da Índia, Caldéia, Egito, e Grécia; na grande pirâmide de Gizé, no famoso Partenon de Atenas. Embora a arquitetura seja um padrão infalível do grau de civilização atingido por um povo, e constitua, portanto, um fator importante na pesquisa histórica; embora seja tão correta como um teste de raça como é a linguagem, e mais facilmente aplicada e compreendida, não estando sujeita a mudanças, eu me abstive de aproveitar-me da mesma, a fim de não aumentar os limites do presente trabalho.

Eu reservo os ensinamentos que podem ser recolhidos a partir do estudo de monumentos Maias para uma ocasião futura; restringindo minhas observações agora principalmente ao Salão Memorial em Chichen, dedicado ao manes [alma] do Príncipe Coh por sua irmã-esposa, a rainha Móo; e ao mausoléu, erguido por sua ordem, para conter sua efígie e seus restos cremados. No primeiro ela fez com que fossem pintados, nas paredes da câmara funerária, os principais acontecimentos da vida dele e da sua, assim como os reis Egípcios tinham os eventos de suas próprias vidas pintados nas paredes de suas tumbas.

A Linguagem [Idioma] é admitida por ser um guia mais preciso em traçar a relação familiar de vários povos, mesmo quando habitando países separados por vastas extensões de terra ou água. No presente caso, o Maia [Maya], ainda falado por milhares de seres humanos, e no qual as inscrições esculpidas nas paredes dos templos e palácios nas cidades em ruínas de Yucatan estão escritos, como estão também os poucos livros dos antigos sábios Maias que chegaram até nossas mãos, será o fio de Ariadne que nos guiará ao seguir as pistas dos colonos de Mayach em suas peregrinações. Em cada localidade onde seu nome é encontrado, ali também nos encontramos com seu idioma [language], suas noções cosmogônicas e religiosas, suas tradições, costumes, arquitetura, e uma série de outras indicações de sua presença e permanência, e da influência que exerceram sobre a civilização dos habitantes aborígenes.

Meus leitores vão julgar por si mesmos sobre a justeza desta afirmação.

A leitura das inscrições e livros Maias, entre outros assuntos muito interessantes, revela a origem de muitas narrativas que chegaram até nós, como tradições, nos livros sagrados de várias nações, e que são consideradas por muitos como mitos inexplicáveis. Por exemplo, encontramos neles a história de certos personagens que, após a sua morte, se tornaram os deuses mais universalmente reverenciado pelos Egípcios, Isis e Osiris, cuja história terrena, relacionada por Wilkinson e outros autores que consideram-na como um mito, corresponde exatamente com aquela da Rainha Móo e seu irmão-marido, o Príncipe Coh, cujo coração carbonizado foi encontrado por mim, preservado em uma urna de pedra, em seu mausoléu em Chichen.

Osiris, somos informados, foi morto por seu irmão através de ciúme, e porque o seu assassino queria se apoderar das rédeas do governo. Ele fez guerra contra a viúva, sua própria irmã, a quem ele passou a odiar amargamente, depois de ter sido loucamente apaixonado por ela.

Nestes mesmos livros [Maias] nós aprendemos o verdadeiro significado da árvore do conhecimento no meio do jardim; da tentação da mulher pela serpente oferecendo-lhe uma fruta. Esta oferta de uma fruta, como uma declaração de amor, que era uma ocorrência comum na vida do dia a dia dos Maias, Egípcios e Gregos, perde toda a incongruência aparente que apresenta na narrativa do Gênesis por falta de uma palavra de explicação. Mas isso mostra como fatos muito simples foram, e ainda são, utilizados por homens astutos, como o sumo-sacerdote Hilquias, para elaborar especulações religiosas e impor sobre a boa fé das massas ignorantes, crédulas, e supersticiosas. É nesta história do cortejo da Rainha Móo pelo Príncipe Aac, o assassino de seu marido – [história esta] propositadamente desfigurada pelo maquinador sacerdote Judeu Hilquias, que fez a mulher parecer ter se rendido a seu tentador, talvez por despeito contra a profetisa Hulda [Huldah], tendo ela se recusado a aprovar sua fraude e tornar-se sua cúmplice nesta * – que assenta toda a estrutura da Religião Cristã, que, desde o seu advento no mundo, tem sido a causa de tanto derramamento de sangue e tantos crimes atrozes.

[* – 2 Reis, Cap. XXII, versículo 14, et passim ; também 2 Crônicas, Cap. Xxxiv., Versículo 24.]

Nesses escritos Maias também nos encontramos com a solução daquela questão muito debatida entre os cientistas modernos – a existência, destruição, e submersão de uma grande ilha no Oceano Atlântico, como relatado por Platão em seu “Timeu” e “Crítias”, em consequência de terremotos e erupções vulcânicas. Deste cataclismo terrível, em que pereceram sessenta e quatro milhões de seres humanos, quatro autores diferentes deixaram descrições na língua Maia. Duas destas narrativas são ilustradas – Aquela contida no Troano MS., * a outra no Codex Cortesianus. A terceira foi gravada na pedra em relevo, e colocada para custódia segura em um quarto em um edifício em Chichen, onde ela existe até hoje, abrigada da ação dos elementos, e preservada para o conhecimento das gerações vindouras. A quarta foi escrita há milhares de milhas de Mayach, em Atenas, a brilhante capital Grega, sob a forma de um poema épico, na língua Maia. Cada linha do referido poema, formada por uma palavra composta, é o nome de uma das letras do alfabeto Grego, rearranjadas, como a temos, quatrocentos e três anos antes da era Cristã, sob o arcontado [archonship] a de Euclides.

[* – Ver apêndice, nota iii.]

Fugindo da ira de seu irmão Aac, a Rainha Móo direcionou seu curso em direção ao sol nascente, na esperança de encontrar abrigo em alguns dos remanescentes da Terra de Mu, como os Açores [Azores], por exemplo. Deixando de descer em um tal lugar de refúgio como ela estava procurando, ela continuou a sua viagem ao oriente, e, finalmente, chegou às colônias Maias que por muitos anos tinham sido estabelecidas às margens do Nilo. Os colonos receberam-na de braços abertos, a chamaram de “irmãzinha” [“little sister”], Ἶσις (Isis), e proclamaram-na sua rainha.

Antes de sair de sua pátria-mãe no Ocidente ela fez com que fossem erguidos, não só um salão memorial à memória de seu irmão-marido, mas também um soberbo mausoléu em que foram colocados os seus restos mortais e uma estátua que o representa. No topo do monumento estava seu totem, um leopardo moribundo com uma cabeça humana – uma verdadeira esfinge. Será que uma vez estabelecida na terra de sua adoção, ela encomendou a construção de outro de seus totens – novamente um leopardo com cabeça humana – para preservar sua memória entre seus seguidores? Os nomes inscritos na base da esfinge Egípcia parecem sugerir esta conjetura. Através dos tempos, essa esfinge Egípcia tem sido o enigma da história. Será que sua solução, finalmente, foi dada pelos antigos arquivos Maias ?

No apêndice são apresentados, pela primeira vez em tempos modernos, as noções cosmogônicas dos antigos Maias, re-descobertas por mim. Eles serão encontradas idênticas àquelas de outras nações civilizadas da antiguidade. Nelas estão incorporadas muitas das doutrinas secretas comunicadas, em suas iniciações, aos adeptos na Índia, Caldéia, Egito, e Samotrácia – a origem da adoração da cruz, aquela da árvore e da serpente, introduzidas na Índia pelos Nagas, que ergueram um tão magnífico templo no Camboja, na cidade de Angor-Thom [Angkor Thom], ao seu deus, a serpente de sete cabeças, o Ahac-Chapat dos Maias, e depois levaram sua adoração até Akkad e Babilônia. Nestas noções cosmogônicas encontramos também a razão pela qual o número dez foi mantido o mais sagrado de todas as nações civilizadas da antiguidade; e por que os Maias, que no seu esquema de numeração adotavam o sistema decimal, não contavam por dezenas, mas sim por cincos e vintes [fives and twenties]; e por que eles usavam a vigésima-milionésima parte da metade do meridiano como padrão de medidas lineares.

Nas páginas seguintes eu simplesmente ofereço aos meus leitores a relação de certos fatos que aprendi a partir das esculturas, das inscrições monumentais esculpidas nas paredes dos palácios arruinados dos Maias ; o registro das quais também está contido em grande parte dos seus livros como chegaram até nós. Eu atrevo tais explicações unicamente para que se torne claro sua identidade com as concepções, sobre os mesmos assuntos, dos sábios da Índia, Caldéia, Egito, e Grécia. Eu não peço aos meus leitores para aceitar à priori minhas próprias conclusões, mas para seguir o sonoro conselho contido no ditado Indiano citado no início deste prefácio, “Verifique pela experiência o que você aprendeu;” então, e só então, forme a sua própria opinião. Quando formada, agarre-se a ela, embora esta possa ser contrária às suas idéias pré-concebidas. A fim de ajudar na verificação dos fatos aqui apresentados, tenho ilustrado este livro com fotografias tiradas no local, desenhos e plantas/projetos [plans] de acordo com verdadeiras pesquisas cuidadosas, feitas por mim, dos monumentos. A precisão dos referidos desenhos e plantas/projetos pode ser facilmente comprovada nas próprias fotografias. Tenho além disso dado muitas referências cuja exatidão não é difícil de determinar.

Este não é um livro de romance ou imaginação; mas um trabalho – um de uma série – destinado a dar a antiga América seu devido lugar na história universal do mundo.

Eu tenho sido acusado de promulgar noções sobre a América antiga contrárias à opinião de homens considerados como autoridades em arqueologia Americana. E assim é, de fato. Minha não é a culpa, no entanto, embora possa ser minha desgraça, uma vez que isto tem certamente acarretado sobre mim a sua inimizade e suas consequências. Mas quem são estas pretensas autoridades? Certamente não os doutores e professores na chefia das universidades e faculdades nos Estados Unidos; pois não só eles não sabem absolutamente nada da antiga civilização Americana, mas, a julgar pelas literaturas em minha posse, a maioria deles se recusa a aprender qualquer coisa a respeito desta.

Pode ser indagado, Sobre que base [fundamento] podem aqueles que têm publicado livros sobre o assunto, na Europa ou nos Estados Unidos, estabelecer a sua pretensão de ser considerados como autoridades? O que é que eles sabem dos antigos Maias, dos seus hábitos e costumes, de suas realizações científicas ou artísticas? Será que eles entendem a língua Maya? Podem eles interpretar uma única frase dos livros nos quais a erudição dos sábios Maias, suas realizações cosmogônicas, geográficas, religiosas e científicas, estão registradas? De que fonte eles têm derivado seu pretenso conhecimento? Não a partir dos escritos dos cronistas Espanhóis, com certeza. Estes só escreveram sobre os nativos como eles foram encontrados no momento da, e muito tempo depois, da conquista da América por seus compatriotas, cujos sacerdotes fanáticos destruíram pelo fogo as únicas fontes de informação – os livros e registros antigos dos filósofos e historiadores Maias. O Padre López de Cogolludo, em sua “Historia de Yucathan” * admite francamente que em seu tempo não poderiam ser obtidas informações sobre a história antiga dos Maias.

[* – Cogolludo, Historia de Yucathan, lib. Iv., Cap. Iii., P. 177.]

Ele diz: “Dos povos que se estabeleceram neste reino de Yucathan, ou a sua história antiga, eu fui incapaz de obter quaisquer outros dados além daqueles que se seguem.” Os cronistas Espanhóis não dão uma palavra de confiança sobre os modos e costumes dos construtores dos grandes edifícios antigos, que eram objetos de admiração para eles assim como eles são para os viajantes modernos. A única resposta dos nativos para as indagações dos Espanhóis a respeito de quem os construtores eram, invariavelmente, era, Nós não sabemos.

[Será que] Por medo de ferir o orgulho das pseudo-autoridades, a verdade aprendida com as obras dos sábios Maias e as inscrições esculpidas nas paredes de seus templos e palácios desertados deve ser subtraída ao mundo? [Será que] Devem os erros que eles propagam ser aceitos a permanecer, e os propagadores não serem chamados a provar a veracidade de suas declarações?

Os então-chamados homens instruídos dos nossos dias são os primeiros a se opor a novas ideias e aos portadores destas. Esta oposição continuará a existir até que a arrogância e presunção da aprendizagem superficial que ainda pairam dentro dos muros de faculdades e universidades desapareça completamente; até que a generalidade dos homens inteligentes, tomar o trabalho de pensar por si mesmos, deixar de aceitar como verdade implícita o ipse dixit [fulano disse] de qualquer um [quidam who] que , pretendendo saber tudo sobre um determinado assunto, se pronuncia magistralmente sobre este; até que os homens inteligentes não mais sigam cegamente tais auto-nomeados professores, tendo sempre em mente que “aceitar qualquer autoridade como final, e dispensar a necessidade de investigação independente, é destrutivo de todo o progresso.” Pois, como diz o Dr. Paley “Há um princípio que não pode deixar de manter um homem na ignorância eterna; este princípio é o desprezo antes do exame [desprezar antes de examinar]”.

A questão é muitas vezes perguntada: “De que utilidade prática pode o conhecimento de que a América foi, possivelmente, o berço da civilização do homem, ser para a humanidade?” Para alguns, de apenas pouca utilidade verdadeiramente; mas muitos são os que ficariam felizes em saber a origem das tradições primitivas do homem registradas em livros sagrados em forma de mitos ou lendas, e quais foram os incidentes que serviram de base sobre a qual foi levantada a estrutura das várias religiões que têm existido e existem entre os homens, que foram e ainda são a causa de tantas guerras, dissensões, e perseguições. Este conhecimento também serviria para divulgar a fonte de onde emanaram todas essas superstições que foram e são tantos obstáculos no caminho do progresso físico, intelectual, e moral do homem; e para libertar a sua mente de todas essas amarras, e fazer dele, o que ele diz ser, a obra mais perfeita da criação na terra; também para dar a conhecer o fato de que Mayach – não a Índia – é a verdadeira mãe de nações.

Então, talvez, serão despertados, na mente das pessoas em cujo poder está para fazê-lo, o desejo de salvar e preservar o que resta das inscrições murais esculpidas nas paredes dos palácios e templos em ruínas dos Maias, que estão sendo despedaçados por indivíduos encomendados por algumas instituições nos Estados Unidos e em outros lugares para obter objetos antigos para enfeitar seus Museus, independentemente do fato de que eles estão a destruir as restantes páginas da história Americana antiga com a mão imprudente da ignorância, tornando-se culpados do crime de lezar-a-história [leze-history], bem como de iconoclastia.

Talvez também será sentida a necessidade de recuperar as bibliotecas dos sábios Maias (ocultadas por volta do início da era Cristã para salvá-las da destruição nas mãos das hordas devastadoras que invadiram seu país naqueles tempos), e de aprender a partir de seus conteúdos a sabedoria daqueles filósofos antigos, da qual aquela preservada nos livros dos Brâmanes [Brahmins] é apenas o reflexo. Essa sabedoria foi, sem dúvida, trazida para a Índia, e de lá levada para a Babilônia e Egito em idades muito remotas pelos adeptos Maias (Naacal – “o exaltado”/“o elevado”), que, iniciando a partir da terra de seu nascimento como missionários da religião e da civilização, foram para Burmah, onde ficaram conhecidos como Nagas, se estabeleceram no Decão [Dekkan], de onde eles levaram a sua obra civilizadora toda a terra.

A pedido de amigos, e para mostrar que a leitura de inscrições e livros Maias não é mais um enigma sem solução, e que aqueles que se dão como autoridades em antiga paleografia Maia já não são justificados em adivinhá-la, ou em formar teorias como a respeito do significado dos símbolos Maias ou o conteúdo dos referidos escritos, Eu traduzi na íntegra a legenda que acompanha a imagem, em estuque, de um sacrifício humano que adornava o friso do famoso templo de Kabul em Izamal.

Esta lenda eu escolhi porque ela está escrita com caracteres hieráticos Maias, que são semelhantemente Egípcios. *

[* – Ver alfabeto hierático Maia antigo por Le Plongeon em comparação com o alfabeto hierático Egípcio, em Sacred Mysteries [Mistérios Sagrados], Introdução, p. xii].

Qualquer um que pode ler inscrições Egípcias hieráticas não terá nenhuma dificuldade em traduzir dita lenda com a ajuda de um dicionário Maia, e, assim, encontrar provas irrefutáveis: 1. Que os Maias e os Egípcios devem ter aprendido a arte de escrever a partir dos mesmos mestres. Quem eram esses? 2. Que alguns dos monumentos em ruínas de Yucatan são muito antigos, muito anteriores à era Cristã, não obstante o parecer contrário das auto-denominadas autoridades em civilização Maia. 3. Que nada agora impede o caminho para se adquirir um conhecimento perfeito dos hábitos e costumes, das realizações científicas, concepções religiosas e cosmogônicas, da história dos construtores dos templos e palácios em ruínas dos Maias.

Que este trabalho receba a mesma aceitação de estudantes de arqueologia Americana e de história universal como foi concedida à “Sacred Mysteries among the Mayas and the Quiches” [“Mistérios Sagrados entre os Maias e os Quiches.”] Ele é escrito para o mesmo fim e com o mesmo espírito.

AUGUSTUS LE PLONGEON, M.D.

Nova Iorque, Janeiro de 1896

 

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INTRODUÇÃO

ORIGEM DO NOME MAYACH.

O país hoje conhecido como Iucatã [Yucatan], um dos estados da confederação Mexicana, pode de fato ser justamente considerado pelo etnólogo, o geólogo, o naturalista, o filólogo, o arqueólogo e o historiador como um campo de estudo dos mais interessantes. Sua área de setenta e três mil milhas quadradas, coberta com florestas densas, é literalmente repleta de ruínas de numerosas antigas cidades, templos majestosos, palácios imponentes, o trabalho de arquitetos experientes, agora montões de escombros desmoronando sob o dente inexorável do tempo e a mão ímpia de coletores iconoclastas de relíquias para museus. Entre estas as estátuas de sacerdotes e reis, mutiladas e desfiguradas pela ação dos elementos, pela mão do tempo e a do homem, jazem prostradas na poeira. Paredes cobertas com baixos-relevos, inscrições e esculturas esculpidas em mármore, contendo o panegírico dos governantes, a história da nação, suas tradições cosmogônicas, os antigos ritos religiosos e observâncias de seu povo, convidando à decifração, atraem a atenção do viajante. A formação geológica de seu solo pedregoso, tão cheio de depósitos curiosos de conchas fósseis do período Jurássico (Placa I.); suas cavernas inexploradas, supostas habitações de duendes e elfos, criaturas da imaginação fantasiosa e supersticiosa dos nativos; suas correntes subterrâneas de água fresca e límpida, habitada por bagres e outros peixes – estão ainda para ser estudadas por geólogos modernos; enquanto a sua flora e fauna, tão ricas e tão diversificadas, mas imperfeitamente conhecidas, esperam por classificação na mão de naturalistas.

O peculiar embora melodioso vernacular [língua original] dos nativos, preservado através do lapso de idades, apesar das invasões de tribos bárbaras, as perseguições por Conquistadores Cristãos, ignorante, avarentos, e sedentos de sangue, ou monges fanáticos que acreditavam que agradavam ao Todo-Poderoso por destruir uma civilização igual, se não superior, à deles, é de total interesse para o filólogo e o etnólogo. Situado entre 18° e 21° 35′ de latitude norte e 86° 50′ e 90° 35′ de longitude oeste do meridiano de Greenwich, o Iucatã constitui a península que separa o Golfo do México do Mar do Caribe.

O Bispo Landa * informa-nos que quando, no início do ano 1517, Francisco Hernandez de Córdoba, o primeiro dos Espanhóis a por os pés no país dos Maias, desembarcou em uma pequena ilha que chamou Mugeres, os habitantes, ao serem questionados quanto ao nome do país, responderam U-luumil ceh (a terra dos veados) e U-luumil cutz (a terra dos perus). **

[ * – Ver Apêndice, nota i.]
[ ** – Diego de Landa, Relacion de las cosas de Yucatán, cap. ii., p. 6.]

Até então, os Europeus eram ignorantes da existência de tal lugar; pois embora Juan Diaz Solis e Vicent Yanes Pinzón chegaram à avistar suas costas orientais em 1506, eles não pousaram nem deram a conhecer a sua descoberta. *

[ * – Antonio de Herrera, Hist. geral de los hechos de los Castellanos en las islas y la tierra del firme Oceano. (Madrid, 1601) Decada 1, lib. 6, cap. 17.]

Herrera, em sua Decadas, diz-nos que quando Colombo, em sua quarta viagem à América, estava ancorado perto da ilha de Pinos, no ano de 1502, seus navios foram abordados pelos navegadores Maias. Estes vieram do oeste; do país conhecido por seus habitantes sob o nome geral de a Grande Can (serpente) e a Cat-ayo (árvore de pepino). *

[ * – Ibid, (Herrera, Antonio) Decada 1, lib. 5, cap., 13.]

A península, então dividida em vários distritos ou províncias, cada um governado por um governante independente que recebia um título peculiar aos seus próprios domínios, parece não ter tido nenhum nome geral. Um distrito era chamado Chacan, outro Cepech, outro Choaca, outro Mayapan, e assim por diante. *

[ * – Landa, Relacion, etc., cap. V., p. 30.]

Mayapan, no entanto, era um grande distrito, cujo rei era considerado suzerano pelos outros chefes, antes da destruição de sua capital pelo povo, liderado pela nobreza, tendo eles se cansado de suas extorsões e arrogância. Esta rebelião é dita ter ocorrido setenta e um anos antes do advento dos aventureiros Espanhóis no país. A poderosa dinastia dos Cocomes, que tinha mantido domínio tirânico sobre a liderança por mais de dois séculos, então, chegou ao fim. *

[* – Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. iv., cap. Iii., P. 179. Veja o Apêndice, nota ii.]

Entre os cronistas e historiadores, vários se aventuraram a dar uma etimologia da palavra Maia [Maya]. Nenhum, no entanto, parece ter conhecido sua verdadeira origem. O motivo é muito simples.

Na época da invasão do país pelos bárbaros e turbulentos Nahuatls, os livros contendo o registro das antigas tradições, da história dos séculos passados, a partir da civilização da península pelos seus habitantes primitivos, tinham sido cuidadosamente escondidos (e assim se mantiveram até hoje) pelos versados filósofos, e os sábios sacerdotes que tinham comando das bibliotecas nos templos e colégios, a fim de salvar os preciosos volumes das mãos das tribos bárbaras do Ocidente. Estas, entrando no país a partir do sul, chegaram espalhando ruína e desolação. Eles destruíram as principais cidades; as imagens dos heróis, dos grandes homens, das mulheres célebres, que adornavam as praças públicas e edifícios. Esta invasão ocorreu no ano 522, ou por aí, da era Cristã, de acordo com a opinião dos calculadores modernos. *

[* – Philip J. J. Valentini, Katunes da História Maya, p. 54.]

Como consequência natural da destruição, pelos invasores, de Chichen-Itza, então o lugar de aprendizagem, os Itzaes, preferindo o ostracismo à submeter-se a seus conquistadores tipo-Vândalos, abandonaram suas casas e colégios, e tornaram-se errantes no deserto. *

[* – Juan Pio Perez (Codex Maya), U Tzolan Katunil ti Mayab (§7): “Laixtun u Katunil binciob Ah-Ytzaob yalan che, aban yalan, yalan ak ti numyaob Iac” ( “Por volta desta época, então, os Itzacs foram para as florestas, viveram sob as árvores, sob as árvores de ameixa [prune trees], sob as vinhas, e foram muito infelizes.”).]

Então as artes e as ciências logo declinaram; com a sua degeneração veio aquela [degeneração] da civilização. Guerra civil – aquela consequência inevitável de invasões – conflitos políticos, e dissensão religiosa eclodiram em pouco tempo, e causaram o desmembramento do reino, que culminou com o saque e queima da cidade de Mayapan e a extinção da família real dos Cocomes em 1420 D.C., duzentos e setenta anos após a sua fundação. *

[* – Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. Iv., Cap. 3, p. 179.]

No meio dos cataclismos sociais que deram o golpe de misericórdia na civilização Maia, as velhas tradições e conhecimentos foram esquecidos ou ficaram desfigurados. Enxertados com as tradições, superstições, e fábulas dos Nahuatls, eles assumiram a forma de mitos. Os grandes homens e mulheres de eras primitivas foram transformados em deuses dos elementos e dos fenômenos da natureza.

As bibliotecas antigas tendo desaparecido, novos livros tinham de ser escritos. Eles continham esses mitos. Os Manuscritos de Troano e de Dresden parecem pertencer a essa época. *

[ * -. Ver apêndice, nota iii]

Eles contêm, além de algumas das antigas tradições cosmogônicas, os princípios e preceitos da nova religião que surgiu a partir da mistura das cerimônias da forma antiga de culto dos Maias com as noções supersticiosas, os ritos sanguinários, e as práticas obscenas do culto fálico dos Nahuatls; as leis da terra; e os vestígios da ciência e do conhecimento dos filósofos dos séculos passados que ainda permaneciam entre algumas das famílias nobres, transmitidos como herança, de boca em boca, de pai para filho. * Estes livros foram escritos em novas letras alfabéticas e alguns dos antigos caracteres demóticos ou populares que, sendo conhecidos por muitos da nobreza, permaneceram em uso.

[ * – Diego de Landa, Relacion de las Cosas de Yucatan (chap. Vii., p. 42): “Que enseñavan los hijos de los otros sacerdotes, y á los hijos segundos de los señore que los llevaban para esto desde niños.” “Lizana (cap. 8), História de Nuestra Señora de Ytzamal“. “La historia y autores que podemos alegar son unos caracteres mal entendidos de muchos y glossados de unos indios antiguos que son hijos de los sacerdotes de sus dioses, que son los que sabian leer y adevinar.”.]

Com as velhas ordens do sacerdócio, e os estudantes, o conhecimento do modo hierático ou sagrado da escrita tinha desaparecido. As lendas esculpidas nas fachadas dos templos e palácios, sendo escritas nestes caracteres, não foram compreendidas, exceto talvez por alguns arqueólogos, que juraram segredo.

Os nomes dos construtores, a sua história, a [história] dos fenômenos da natureza que haviam testemunhado, os princípios da religião que tinha professado – tudo contido, como já dissemos, nas inscrições que cobriam estes muros antigos – eram tanto um mistério para o povo, quanto para as multidões que desde então os têm contemplado com espanto, durante séculos, até os dias atuais.

Bispo Landa, falando dos edifícios em Izamal, afirma * que os antigos edifícios dos Maias, no momento da chegada dos Espanhóis em Iucatã, já eram montões de ruínas – objetos de admiração e veneração para os indígenas que viviam em suas proximidades. Eles haviam perdido, diz ele, a memória de quem os construiu, e do objetivo para o qual haviam sido erguidos. No entanto, diante de seus olhos estavam suas fachadas, cobertas com esculturas, inscrições, figuras de seres humanos e de animais, ao redor e em baixos-relevos, em melhor estado de conservação do que estão agora, não tendo, então, sofrido tanta injúria na mão do homem, pois os nativos consideravam-os, assim como seus descendentes ainda fazem, com temor reverencial.

[ * – Landa, Relacion de las Cosas (p. 328): “Que estos edificios de Izamal eran xi à xii por todos, sin aver memoria de los fundadores.”]

Lá estavam registradas as lendas do passado – uma letra morta para eles assim como para os homens doutos da idade atual. Lá, também, nas paredes interiores de muitos aposentos, estavam pintadas em cores brilhantes imagens que poderiam enfeitar as salas de estar das nossas mansões, representando os eventos na história de certos personagens que floresceram no início da vida de sua nação; cenas que tinham se passado nos séculos anteriores foram retratadas em baixos-relevos muito bonitos. Mas esses quadros falantes eram, para a maioria das pessoas, tanto enigmas como eles são hoje.

Todavia viajantes e cientistas não estão querendo quem pretenda que estes edifícios estranhos foram construídos pela mesma raça que agora habita a península ou pelos seus antepassados próximos * – independentemente da afirmação de Cogolludo *2 [de] “que não se sabe quem foram seus construtores, e que os próprios Índios não preservaram nenhuma tradição sobre o assunto;” desatentos, da mesma forma, destas palavras de Lizana: “que, quando os Espanhóis chegaram a este país, ainda que alguns dos monumentos pareciam novos, como se tivessem sido construídos há apenas vinte anos, os Índios não viviam neles, mas usavam-nos como templos e santuários, oferecendo neles sacrifícios, por vezes, de homens, mulheres e crianças; e que a sua construção remontava a uma antiguidade muito elevada.” *3

[ * – John L. Stephens, Incidentes de Travels in Yucatan, vol. ii., p. 459. Desejo Charnay, revisão norte-americana, de abril de 1882.]
[ *2 – Diego López de Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. Iv., Cap. Iii., P. 177.]
[ *3 – Lizana, Historia de Nuestra Señora de Ytzamal, cap. ii.]

O historiógrafo por excelência de Iucatã, Cogolludo, nos informa que em sua época – meados do século XVII – praticamente um pouco mais de cem anos depois da Conquista, a memória dessas tradições adulteradas já estava desaparecendo da mente dos aborígenes. “Sobre as pessoas que primeiro se estabeleceram neste reino de Iucatã”, diz ele, “nem sobre sua história antiga, eu não tenho sido capaz de encontrar quaisquer dados além daqueles que menciono aqui.” *

[* – Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. Iv., Cap. III., p. 177.]

Os livros e outros escritos dos cronistas e historiadores, a partir da conquista Espanhola até os nossos tempos, devem ser portanto considerados quase sem valor, tanto quanto a história dos primitivos habitantes do país, os eventos que ocorreram em épocas remotas, e tradições antigas, em geral, estão em causa, vendo que Cogolludo diz que eles foram incapazes de obter alguma informação sobre o assunto. “Parece-me que é tempo”, diz ele, “de falar das várias coisas pertinentes a este país, e seus nativos; No entanto, não com a extensão que alguns podem desejar, mencionando em detalhe a sua origem e os países de onde podem ter vindo, pois seria difícil para mim saber agora aquilo que tantos homens eruditos não foram capazes de descobrir, no início da conquista, mesmo inquirindo com grande diligência, como eles afirmam, particularmente uma vez que não existem mais quaisquer documentos ou tradições entre os Índios sobre os primeiros colonos de quem eles são descendentes; nossos pastores evangélicos, que importaram a fé, a fim de extirpar radicalmente a idolatria, depois de ter queimado todos os personagens e pinturas de que eles puderam se apossar em que estavam escritas as suas histórias, e isto a fim de lhes tirar todas as lembranças de seus antigos ritos”. *

[ * – Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. iv., Cap. III., p. 170.]

Aqueles que se comprometeram a escrever a narrativa da Conquista e a história do país, a fim de obter os dados necessários para isso, tiveram, naturalmente, que interrogar os nativos. Estes eram incapazes ou relutantes de transmitir o conhecimento procurado. Pode ser que alguns daqueles a quem foram feitos inquéritos eram descendentes dos Nahuatls, ignorantes da história antiga dos Maias. Outros podem ter sido alguns dos mercenários Mexicanos que moravam nas costas, onde eles eram mal tolerados pelos outros habitantes, por causa de suas práticas sanguinárias. Eles, desde o princípio, acolheram os Espanhóis como amigos e aliados – mantiveram com eles relações íntimas durante vários anos, * antes dos invasores se aventurarem no interior do país.

[ * – Nakuk Pech. Um antigo documento concernindo a família Nakuk Pech, Senhores de Chicxulub, Iucatã. Este é um documento original pertencente aos Srs. Regil y Peon, de Merida, Iucatã.]

Temendo que se caso confessassem ignorância da história isto poderia ser atribuído à falta de vontade da sua parte para responder à pergunta; temendo também alienar a boa vontade dos homens com vestidos longos [padres], que os defendiam contra os outros que portavam os raios [thunderbolts] [armas de fogo] – aqueles estranhos cobertos com ferro, agora donos do país e de suas pessoas, que à menor provocação submeteram-lhes a tão terríveis punições e tormentos atrozes – [os nativos] recitavam os contos infantis com que suas mães lhes tinham embalado para dormir nos dias de sua infância. Estas histórias foram [estão] definidas [pelos inquiridores] como tradições indubitáveis dos tempos antigos.

Mais tarde, quando a Conquista foi alcançada, alguns dos nativos que realmente possuíam um conhecimento dos mitos, tradições, e fatos da história contidos nos livros que esses mesmos homens com vestidos longos [padres] tinham deliberadamente destruído, alimentando as chamas com eles, não obstante os protestos fervorosos dos proprietários, inventaram contos plausíveis quando questionados, e narraram-los como fatos, relutantes, como eles eram, para dizer a verdade aos estrangeiros que vieram ao seu país sem serem convidados, armas na mão, levando a guerra e desolação aonde quer que fossem; * abatendo os homens; *2 ultrajando as esposas e as virgens; *3 destruindo suas casas, suas fazendas, suas cidades; *4 espalhando ruína e destruição por toda a terra; *5 profanando os templos dos seus deuses; pisoteando as imagens sagradas, os símbolos venerados da religião de seus antepassados; *6 impondo-lhes ídolos estranhos, que eles disseram que eram às semelhanças do único Deus verdadeiro e de sua mãe *7 – uma afirmação que parecia a mais absurda para esses adoradores do sol, da lua e outros corpos celestes, que consideravam Ku, a Essência Divina, a Alma incriado do mundo, como o único Deus Supremo, que não podia ser representado em forma alguma.

[ * – Cogolludo, Historia de Yucatan, lib. ii., cap. vi., p.77. ]
[ *2 – Landa, Las Cosas de Yucatán, cap. xv., p. 84 et passim. Bernal Diez de Castillo, Historia de la Conquista de México, cap. 83.]
[ *3 – Landa, Las Cosas de Yucatán, cap. xv., p. 84. Bartholome de las Casas, Tratado de la Destruccion de las Indias, Reyno de Yucathan, lib. viii., cap. 27, p. 4.]
[ *4 – Cogolludo, Hist. de Yucatan, lib. iii., cap. xi., p. 151. Landa, Las Cosas, cap. Iv.]
[ *5Ibid].
[ *6 – Cogolludo, Hist. de Yucatan, lib. iii., cap. x., p. 147. Landa, Las Cosas, cap. IV.]
[ *7Ibid., Lib. iv., cap. xviii., p. 229. Landa, Las Cosas, cap. IV.]

No entanto, através de chicotadas, tortura, mesmo morte, as vítimas foram obrigados a prestar homenagem a estas imagens, com ritos e cerimônias cujo significado eles eram, como seus descendentes ainda são, incapazes de entender, sendo, ao mesmo tempo proibidos de observar as práticas religiosas a que eles tinham sido acostumados desde tempos imemoriais. *

[ * – Landa, Las Cosas de Yucatan, chap. xli., p. 316.
Cogolludo, Hist. de Yucathan, lib. iv., chap. vi., p. 189. “Los Religiosos de esta provincial, por cuya atencion corrió la conversion de estos indios, á nuestra santa fé católica, con el zelo que tienen de que aprouechassen en ella, no solo demolieron y quemaron todos los simulacros que adoraban, pero aun todos los escritos (que á su modo tenian) con que pudieran recorder sus memorias y todo lo que presumiero tendria motiuo de alguma supersticion ò ritos gentilicos.
Em seguida, falando sobre o auto-de-fé ordenado pelo Bispo Landa, o qual teve lugar na cidade de Mani por volta do final de 1561, ele diz: “Con el rezelo de esta idolatria, hizo juntar todos los libros y caracteres antiguos que los indios tenian, y por quitarles toda occasion y memoria de sus antiguos ritos, quantos se pudieron hallar, se quemaron públicamente el dia del auto y à las bueltas con ellos sus historias de antiguidades” (lib. vi., chap. i., p. 309).]

Além disso, seus templos de aprendizagem foram destruídos, com suas bibliotecas e os preciosos volumes que continham a história de sua nação, a dos seus homens e mulheres ilustres cuja memória veneravam, as ciências de seus homens sábios e filósofos. *

[ * – Cogolludo, Hist. de Yucatan, lib. ii., cap. xiv., p. 108. et passim.]

Como, então, poderia se esperar que eles [os nativos] devessem dizer o que sabiam da história de seu povo, e tratar como amigos homens que eles odiavam, e com razão, do fundo de seus corações? – Homens que consideravam os seus deuses com desprezo; homens que tinham, sem provocação, destruido a autonomia de sua nação, dividido suas famílias, reduzido seus parentes à escravatura, trazido miséria sobre eles, tristeza e luto por toda a terra. *

[ * – Landa, Las Cosas de Yucatán, cap. xv., p. 84. et passim.]

Agora que trezentos e cinquenta e cinco anos se passaram desde que o país tornou-se do domínio da coroa espanhola, se poderia pensar, e não poucos tentam convencer a si mesmos e aos outros, que antigas rixas, rancor, e desconfiança devem ser esquecidas ; na verdade, devem ser substituídas por amizade, confiança, e até mesmo, gratidão, por todas as bênçãos recebidas das mãos dos Espanhóis –  não a menor entre estas, a destruição de seus ritos idólatras, o conhecimento do verdadeiro Deus, e o modo de adorar que ele mais gosta – não obstante os meios desleais utilizados pelos seus bons amigos, aqueles dos vestidos longos [os padres], para forçar tais bênçãos e conhecimento sobre eles e levá-los a esquecer e abandonar os hábitos e costumes dos seus antepassados. *

[ * – Cogolludo, Hist. de Yucathan, lib. v., cap. xvii., p. 296. et passim. Las leyes mas en orden al bien espiritual de los Indios.]

Atualmente, quando os aborígenes são referidos como sendo cidadãos livres da República do México, com direito a todos os direitos e os privilégios que a constituição é suposta a conferir a todos os homens nascidos dentro das fronteiras do país, eles ainda buscam – e por uma boa causa – o isolamento dos recessos das mais densas florestas, longe das assombrações dos seus concidadãos brancos, para realizar, em segredo, alguns antigos ritos e práticas religiosas que até hoje perduram entre eles, aos quais eles aderem com grande tenacidade, e que a perseguição e maus tratos que eles resistiram foram impotentes para extirpar. *

[ * – Ver Apêndice, nota iv.; Cogolludo, Hist. de Yucathan, lib. v., cap. Xvi., Xvii., Xviii.]

Sim, de fato, até o presente momento, eles mantêm qualquer conhecimento de suas tradições que eles possam ainda possuir cuidadosamente escondidos em seus corações; seus lábios estão hermeticamente selados sobre o assunto.

Sua confiança em, seu respeito e amizade por, alguém não de seu sangue e raça deve ser muito grande, para que eles lhe permitam testemunhar suas cerimônias, ou tornar-se familiarizados com o sentido de determinadas práticas, ou ser informados  do significado dos sinais e Símbolos peculiares, transmitidos a eles oralmente por seus pais. Esta reserva pode ser a razão por que alguns viajantes, incapazes de obter qualquer informação a partir dos aborígenes, erroneamente afirmaram que eles [os nativos] perderam todo o conhecimento tradicional; que toda a tradição desapareceu completamente do meio deles. *

[ * – John L. Stephens, Incidentes de Travels in Yucatan, vol. ii., pp. 446, 449.]

Maia era o nome de uma nação poderosa que em eras remotas habitou a península de Iucatã, e os países hoje chamados América Central, compreendida entre o Istmo de Tehuantepec, no norte e aquele [Istmo] de Darien no sul. Esse nome [Maia] foi bem conhecido entre as nações civilizadas antigas em todo o mundo assim como atualmente são [bem conhecidos] os nomes de Espanha, França, Inglaterra, etc. Uma vez que a partir destes países colonizadores, abandonando a terra do seu nascimento, [estas nações] foram e ainda vão em busca de novos lares em regiões distantes; carregaram e ainda carregam, com os costumes, maneiras, religião, civilização, e língua dos seus antepassados, o nome mesmo do país natal para suas novas moradas – assim podemos imaginar que isso aconteceu com os Maias em algum período remoto no passado.

Pois é um fato que, onde quer que encontramos o seu nome, ali também nos encontramos com os vestígios de sua língua e costumes, e muitas de suas tradições; mas em nenhum lugar, exceto em Iucatã, a origem de seu nome pode ser encontrada.

Entre os diversos autores que escreveram sobre este país vários têm se esforçado para dar a etimologia da palavra Maia [Maya]: nenhum teve sucesso; pois, em vez de consultar os livros Maias que escaparam da destruição nas mãos dos Zumarragas, Landas, e Torquemadas, eles apelaram à sua imaginação, como se em sua fantasia eles pudessem encontrar os motivos que levaram os habitantes primitivos a aplicar tal ou tal nome para esta ou aquela localidade.

Ramon de Ordoñez y Aguiar * imaginou que o nome Maia [Maya] foi dado à península por conta da escassez de água em sua superfície, e insinuou que ele foi derivado dos dois vocábulos ma, “não”, e ha, “água” – “sem água.”

[* – Ramon de Ordoñez y Aguiar, o autor da Historia de la Creacion del Cielo y la Tierra, era um nativo da ciudad Real de Chiapas. Ele morreu, muito avançado em anos, em 1840, sendo cânone da catedral daquela cidade.]

Brassour, * seguindo a sua própria ideia de estimação, combate tal explicação como incorreta e diz: “O país está longe de ser desprovido de água. Seu solo é alveolar [honeycombed], e existem inúmeras cavernas logo sob a superfície. Nessas cavernas há depósitos de água fresca, límpida, lagos extensos alimentados por correntes subterrâneas.” Por isso, ele argumenta que a verdadeira etimologia da palavra Maia [Maya] possivelmente pode ser a “mãe das águas” ou “tetas das águas ma-y-a” – aquela dos quatrocentos seios, como eles estavam acostumados a representar a deusa de Éfeso.

[ * – Brassour (Charles Etienne), Maya Vocabulary, vol. ii., p. 298, Manuscrito de Troano.]

Mais uma vez, esta explicação não se adequa ao Señor Eligio Ancona, * pois ele ridiculariza os etimologistas. “Que absurdo“, diz ele, “acumular, assim, os seus cérebros! Eles devem estar fora de sua mente para se dar ao trabalho de levar à diante estes esclarecimentos eruditos para explicar a palavra Maia [Maya], que todo mundo sabe que é uma mera corrupção Espanhola de Mayab, o antigo nome do país”. Ao afirmar que o verdadeiro nome (nombre verdadero) da península nos tempos antigos era Mayab, o Señor Ancona não sustenta a sua afirmação com qualquer documento histórico conhecido; ele apenas se refere ao dicionário Maya de Pio Perez, que ele mesmo publicou. Ele é igualmente omisso quanto à fonte a partir da qual o Señor Pio Perez obteve suas informações relativas ao nome antigo da península.

Landa, Cogolludo, Lizana, * concordam todos em afirmar que a terra era chamada U-luumil ceh. “A terra do veado” [“the land of the deer”].

[ * -. Ver apêndice, nota v]

Herrera * diz que [o país] era chamado Beb (uma árvore muito espinhosa), e a ” grande serpente ” Can; mas vemos no [Códice] Troano MS. que este era o nome de todo o Império Maia, não da península sozinha.

[ * – Antonio de Herrera, Decada 1, lib. 7, cap. 17.]

O Señor Ancona, não obstante suas zombarias, não é bem seguro de estar certo em sua crítica, pois ele também testa suas mãos em etimologizar. Tomando como certo que a declaração de Lizana é verdadeira, que em algum momento ou outro, duas tribos diferentes tinham invadido o país e que uma dessas tribos era mais numerosa do que a outra, ele alega que a palavra Mayab foi concebida para designar os mais fracos, sendo composta, como ele diz, de Ma, “não”, e yab, “abundante”.

Eu mesmo, com a força do nome dado ao local de nascimento de seus antepassados pelos Egípcios, e naquela [força] da tradição, transmitida entre os aborígines de Iucatã, admitindo que um dos nomes dados a península, Mayab, estava correto; considerando, além disso, a formação geológica de seu solo, a sua porosidade; relembrando, além disso, que o significado da palavra Mayab é uma “peneira” [“sieve”], um “coador” [“tammy”], Eu escrevi: * “É muito difícil, sem a ajuda dos livros dos sábios sacerdotes de Mayab, saber positivamente por que eles deram esse nome ao seu país. Só posso supor que eles chamaram-no assim a partir da ótima qualidade absorvente de seu solo pedregoso, que, em um tempo incrivelmente curto absorve a água na superfície. Esta água, percolando através dos poros da pedra, depois é encontrada filtrada, límpida e fresca, nos senotes e cavernas, onde forma vastos depósitos“.

[ * – Augustus Le Plongeon, Vestiges of the Mayas, p. 26.]

Quando publiquei as linhas anteriores, em 1881, Eu não tinha estudado o conteúdo do [Códice] Troano MS. Eu estava, portanto, inteiramente ignorante do seu valor histórico. A descoberta de um fragmento da pintura mural, no mês de fevereiro de 1882, * nas paredes de um aposento em um dos edifícios em Kabah, levou-me a dedicar muitos meses ao estudo do texto Maia desse interessante documento antigo. Foi com grande surpresa que eu, então, descobri que várias páginas no início da segunda parte são dedicadas à recitação do fenômeno terrível que ocorreu durante o cataclismo que causou a submersão de dez países, entre os quais a “Terra de Mu” [“Land of Mu”], aquela grande ilha provavelmente chamada de “Atlântida” [“Atlantis”] por Platão; e a formação da linha estranhamente torta figura - Plongeon - linha curvada crooked line MU de ilhas conhecidas por nós como “Índias Ocidentais” [“West Indies”], mas [conhecidas] como a “Terra do Escorpião” [“The Land of the Scorpion”] pelos Maias. *2

[ * – North American Review, April, 1882. “Explorations of the Ancient Cities of Central America,” Désiré Charnay.]
[ *2 – Manuscrito de Troano, Parte II, placas vi, vii.]

Eu estava não menos admirado do que satisfeito de encontrar um relato dos acontecimentos na vida dos personagens cujos retratos, bustos, e estátuas que eu tinha descoberto entre as ruínas dos edifícios levantados por eles em Chichen e Uxmal, cuja história, retratada nas pinturas murais, também é contada nas lendas e esculturas que ainda decoram as paredes de seus palácios e templos; e por aprender que esses personagens antigos já haviam sido convertidos, no momento em que o autor do [Códice] Troano MS. escreveu seu livro, nos deuses dos elementos, e se tornado os agentes que produziram os terríveis terremotos que sacudiram partes das “Terras do Ocidente” até os seus fundamentos, como dito na narrativa do Akab-ͻib, e, finalmente, os levaram a ser engolidos pelas ondas do Oceano Atlântico. *

[ * – Manuscrito de Troano, Parte II, placas ii, iii, iv.]

O autor do Manuscrito de Troano fornece em sua obra o mapa adjacente (placa II.) da “Terra do Beb” (árvore amoreira) [“Land of the Beb” (mulberry tree)], o Império Maia. * Neste [mapa], ele indica os locais que foram submersos, e aqueles que ainda permaneciam acima da água, naquela parte do mundo, depois do cataclismo.

[ * – Ibid., Vol. i., parte ii., pl. x.]

Na legenda explicativa de seu objetivo em desenhar aquele mapa, assim como em muitos outros lugares em seu livro, * ele fornece a cabeça de serpente figura - Plongeon - hieróglifo Maya -  Kan - cabeça da serpente kan, “sul”, como símbolo do continente do sul. Ele representa o norte por este monograma figura - Plongeon - hieróglifo Maya - aac que se lê aac, “tartaruga.” Por este sinal figura - Plongeon - hieróglifo Maya - 2  colocado entre os outros dois, ele tem a intenção de transmitir à mente de seus leitores que os lugares submersos a que ele se refere estão situados entre os dois continentes ocidentais, são banhados pelas águas do Golfo do México, e mais particularmente por aquelas do Mar do Caribe – figurado pela imagem de um animal parecido com um cervo [deer], colocado sobre a lenda. É bom notar que este animal é típico dos vales das Antilhas submersos, como aparecerá nitidamente mais adiante.

[ * – Ibid., Pl. xxiv., xxv., passim et.]

figura Le PLongeon - Placa II - Códice Troano.jpg

figura Le PLongeon - Placa II - H-  Códice Troano.jpg
As linhas levemente gravadas aqui são pintadas de azul no original. Como em nossos mapas topográficos as bordas dos cursos de água, do mar e lagos, são pintadas de azul, assim o hierogramata Maia representou as margens do Golfo do México, indicadas pela cabeça de serpente. Os três sinais figura - Plongeon - hieróglifinho Quadrado  de localidade, colocados no centro do referido golfo, marcam o local do vulcão extinto conhecido atualmente como os recifes de Alacranes. A cabeça de serpente era, para os escritores Maias, típica do mar, cujas ondas eles comparavam com as ondulações de uma serpente em movimento. Eles, portanto, chamaram o oceano de canah, uma palavra cujo é radical can, “serpente”, cujo significado é a “poderosa serpente” [“mighty serpent”].

As linhas do desenho gravadas mais fortemente, ao final das quais corresponde o sinal figura - Plongeon - hieróglifo Maya - 2, são pintadas de vermelho, a cor de argila, kancab, e indicam os locais que foram submersos e transformados em pântanos. Este sinal complexo é formado pelo figura - Plongeon - hieróglifinho sign emblema de países próximos ou na água, e pela cruz, feita de linhas tracejadas, o símbolo das fissuras e fendas feitas sobre a superfície da terra pelos gases em escape, representados pelos pontos . . . . , E por pequenos círculos, figura - Plongeon - hieróglifinho Círculo, imagens de vulcões.
Quanto ao caractere figura - Plongeon - hieróglifinho simbolo ele é composto por duas letras figura - Plongeon - hieróglifinho caractere Maia ,
equivalente à letra Maia e Grega A, assim entrelaçadas para formar o caractere figura - Plongeon - hieróglifinho caractere Maia ... igual ao K Maia e Grego, mas formando um monograma que se lê aac, a palavra Maia para “tartaruga.”

Antes de prosseguir com a etimologia do nome Maia [Maya], pode ser apropriado explicar as legendas e os outros desenhos do quadro. Será notado que os caracteres sobre aquela parte do desenho que se parece com o ramo horizontal de uma árvore são idênticos aos colocados verticalmente contra o tronco, mas em uma posição invertida. É, de fato, a mesma legenda repetida, e assim escrita para a melhor compreensão do mapa, e da posição exata das diferentes localidades; a do Golfo do México figurou na esquerda, e a da representação ideográfica ou pictórica do Mar do Caribe para a direita do quadro. A fim de compreender completamente a idéia do autor Maia, é indispensável ter um perfeito conhecimento dos contornos dos mares e terras mencionados por ele neste caso, assim como eles existem hoje. Claro, algumas ligeiras alterações desde a época referida por ele, naturalmente ocorreram, e os contornos das costas estão um pouco alterados, particularmente no Golfo do México, como pode ser verificado consultando mapas feitos pelos Espanhóis no momento da conquista.

O mapa contíguo da América Central, Antilhas, e Golfo do México, sendo copiado a partir daquele publicado pela Secretaria de Hidrografia em Washington, pode ser considerado preciso (Figura III). Neste eu tenho traçado, em linhas pontilhadas, figuras que vão permitir que qualquer um entenda facilmente por que o autor Maia simbolizou o Mar do Caribe como um cervo/veado [deer], e o império de Maiach como uma árvore, enraizada no continente sul e com um único ramo, horizontal e apontando para a direita, isto é, em uma direção leste/oriental.

Um olhar sobre o mapa dos “Vales Submergidos das Terras das Antilhas” (Figura IV.), Publicado pelo professor J. W. Spencer, de Washington, no “Boletim da Sociedade Geológica da América” para Janeiro de 1895, que é aqui reproduzido com a permissão do autor, deve convencer qualquer um de que os antigos geólogos e geógrafos Maias não estavam muito atrás de seus irmãos professores, nessas ciências, dos tempos modernos, em seu conhecimento, pelo menos, das partes da terra que eles habitavam, e dos países adjacentes. *

[ * – O mapa adjacente (Figura IV) foi construído pelo professor J. W. Spencer de acordo com suas próprias pesquisas e estudos geológicos originais na ilha de Cuba e na América Central, auxiliado pelas sondagens de profundidade feitas em 1878 pelo Comandante Bartlett do navio a vapor Blake dos Estados Unidos. Pode-se, portanto, considerá-lo como perfeitamente acurado. Durante uma curta estadia em Belize, Honduras Britânica, o comandante Bartlett me honrou com uma visita. Falando de seu trabalho de triangulação e de sondagens em profundidade no Mar do Caribe, ele mencionou a existência de vales muito profundos cobertos por suas águas, revelados pelo som. Eu informei a ele que eu tinha me tornado ciente desse fato, tendo-o encontrado mencionado pelo autor do antigo livro Maia conhecido hoje como o Manuscrito de Troano [Troano MS.]. Se minha memória não me falha, mostrei-lhe os mapas desenhados pelo escritor do antigo livro, e fiz um mapa em minha cópia da [obra] Navigations {Navegações} de Bowditch um traçado aproximado dos vales submersos no Mar do Caribe, em explicação dos mapas Maias, mostrando por que eles simbolizaram este mar pela figura de um animal parecido com um veado – que pode ter sido a razão pela qual eles chamaram o país de U-luumil ceh, a “terra dos veados” {“the land of the deer}.]

Figura III -   Le Plongeon - Mapa Moderno América Central, com símbolos Maias..jpg
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Figura III -  Horizontal  -Le Plongeon - Mapa Moderno América Central, com símbolos Maias..jpg
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Figura IV. - Horizontal -  Le Plongeon - Mapa Vales Submergidos das Antilhas.jpg
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Figura IV. - Le Plongeon - Mapa Vales Submergidos das Antilhas.jpg

 

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O sinal de que mais atrai a atenção é figura-plongeon-hieroglifinho que o Bispo Landa diz que deve ser lido Yax-kin, e era aquele do sétimo mês do calendário Maia. Literalmente essas palavras significam o “sol vigoroso.” Se, no entanto, interpretarmos o símbolo foneticamente, isso nos dá “o país do rei, que é cercado por água;” “O reino no meio da água.” Notar-se-à também que ele [este símbolo] está colocado no topo da árvore, para indicar que esta “árvore” é o reino. Próximo a ele, no lado esquerdo, está o nome Mayach, o que indica que este é o “reino de Mayach“, o que se tornará claro pela análise dos símbolos.
Para começar, figura-plongeon-hieroglifinho-i é uma pena ou asa, insígnia usada por reis e guerreiros. Colocado aqui, ele tem um significado duplo. Denota o norte, como veremos mais tarde, e também mostra que a terra é aquela do rei cujo emblema é este. O caractere figura-plongeon-hieroglifinho-ii significa ahau, a palavra para rei, e já vimos que este figura-plongeon-hieroglifinho-iii-luumil, luumil, é o símbolo para “terra próxima [da água], na [água] ou cercada por água”, como o Império de Mayach (a península de Iucatã e América Central são, certamente, cercadas por água), a norte, pelo o Golfo do México, a leste pelo Mar do Caribe, a oeste e ao sul pelo Oceano Pacífico. O símbolo, então, se lê Luumil ahau, o “país do Rei”, o “reino”.

Mas como é que você faz a sua interpretação concordar com o significado dado ao caractere pelo Bispo Landa? Imagino que ouço nossos eruditos Americanistas perguntando; e eu respondo, de uma forma muito simples, conhecendo como eu conheço o gênio do povo Maia e sua língua.

O antigo escudo heráldico do país ainda existe na fachada ocidental do “santuário” em Uxmal, e nos baixos-relevos esculpidos no monumento memorial do príncipe Coh em Chichen.
O emblema figura-plongeon-escudo-brasao-maia-filhos-do-sol representado no referido escudo dificilmente precisa de explicação. Ele é facilmente lido U-luumil kin, a “Terra do Sol.”

Os reis de Mayach, assim como os do Egito, Caldéia, Índia, China, Peru, etc., levavam sobre si o título de “Filhos do Sol”, e, num espírito jactância, o [título] de “o Forte, o Vigoroso Sol.” Kin é a palavra Maia para o sol. Mas kin é também o título do sumo-sacerdote do sol. Como no Egito e muitos outros países civilizados, assim, em Mayach, o rei era, ao mesmo tempo, chefe do Estado e da religião, como em nossos tempos [c. 1876] a rainha na Inglaterra, o Czar da Rússia, o Sultão da Turquia, etc. o título Yax-kin pode, portanto, ter sido aplicado, entre os Maias, ao rei e ao reino; e minha interpretação do símbolo figura-plongeon-hieroglifinho não entra em conflito com a de Landa.

No quadro, o Império Maia é retratado pelo beb – uma árvore com o tronco cheio de espinhos. O tronco é a imagem da cadeia de montanhas que atravessa todo o país de norte a sul. Ali habitaram os mestres da terra, os vulcões. Eles lhe deram vida, poder e força. Esta cadeia [de montanhas] é, por assim dizer, a sua espinha dorsal. Ela termina no Istmo de Darien, ao sul. É por isso que a árvore está plantada no caractere figura-plongeon-hieroglifinho-kan kan, que Landa diz-nos era o nome para o sul antigamente. *

[ * – Landa, Las Cosas de Yucatán, cap. xxxiv., p. 206.]

No norte, o ramo da árvore se estende para o leste, isto é, à direita do tronco. Este ramo, a península de Iucatã, é representado por este símbolo figura-plongeon-hieroglifinho-iiiii , que, com apenas uma ligeira diferença no desenho, é o mesmo que este figura-plongeon-hieroglifinho-iiiv colocado na legenda vertical, em posição invertida, contra o tronco da árvore, pelo qual o autor designou todo o país, chamando-o
u Ma yach, a “terra do rebento” [“land of the shoot”], a “terra do vérêtrum,” a partir do nome da península que parece ter sido a sede do governo do Império Maia.

O motivo para a ligeira mudança no desenho é facilmente explicada. A península que se projeta para o mar a partir do continente, como um rebento [shoot], um ramo do tronco da árvore, é indicada pela representação de um yach, um vérêtrum, cuja base repousa sobre o signo da terra figura-plongeon-hieroglifinho-ma , ma; ou, ainda, de um rebento, projetando-se para além de dois figura-plongeon-hieroglifinho-imix imix, símbolos de duas bacias de água [bacias hidrográficas] – isto é, sobre o Golfo do México e o Mar do Caribe – que estão em cada lado dele.
O hieróglifo inteiro, o nome da península, lê-se, portanto, u-Mayach, o lugar do vérêtrum [pênis] do ancestral, ou [o lugar] do rebento da árvore.

Estes dois imix diferem um pouco em forma. O imix figura-plongeon-hieroglifinho-imix-caribbean-sea é destinado para designar o Mar do Caribe, a parte oriental do qual sendo aberta para as ondas do oceano é indicada pela linha ondulada figura-plongeon-hieroglifinho-agua, emblema da água. Neste caso, também pode denotar as montanhas nas ilhas, que fecham-lo, por assim dizer, em direção ao sol nascente. O outro imix figura-plongeon-hieroglifinho-imix-golfo-do-mexico representa o Golfo do México, um mar mediterrâneo, completamente cercado pela terra [land-locked], com uma pequena entrada formada pelas península da Flórida e aquela do Iucatã, e comandado pela ilha de Cuba. É bom notar que, como já se disse, alguns dos sinais na legenda horizontal são os mesmos que aqueles na legenda vertical, mas colocados numa posição inversa em relação uma à outra. Isto é como deveria ser naturalmente.
É claro, os nomes particulares das várias localidades do país são um pouco diferentes, e os sinais que indicam a sua posição em relação aos pontos cardeais não são os mesmos.
O símbolo figura-plongeon-hieroglifinho-imix-2 imix, por exemplo, do Golfo do México, é colocado na legenda vertical à esquerda, isto é, ao oeste, do imix figura-plongeon-hieroglifinho-imix-3 imagem do Mar do Caribe, como deveria ser certamente se olharmos para o mapa de América Central a partir do sul, quando é evidente que o Golfo do México encontra-se ao oeste do Mar do Caribe figura-plongeon-hieroglifinho-imixes-2.
Por outro lado, se entrarmos no país a partir do norte, o Golfo do México estará para a direita, e o Mar do Caribe para a esquerda, do viajante, assim como o hierogramatista Maia colocou na legenda horizontal, figura-plongeon-hieroglifinho-imixes-3.

Para retornar ao caractere figura-plongeon-hieroglifinho-kan em que o pé da árvore está plantado. Kan não só significa “sul”, como acabamos de ver, mas tem muitas outras aceitações –  todas transmitindo a idéia de força e poder. É uma variação de can, “serpente”.
A serpente, com o peito inflado, figura-plongeon-hieroglifinho-can-serpente sugerida pelo contorno do Império Maia, foi adotada como um símbolo do mesmo. Seu nome tornou-se o da dinastia dos governantes Maias, e seu totem. Nós o vemos esculpido nas paredes dos templos e palácios erguidos por eles. Em Mayach, no Egito, na China, na Índia, no Peru, e muitos outros lugares a imagem da serpente era o emblema da realeza. Ela fazia parte do cocar dos reis; era bordada em suas vestes reais. * Khan ainda é o título dos reis da Tartária, Burmah, etc., o dos governadores das províncias do Afeganistão, Pérsia, e outros países da Ásia Central.

[ * – Wilkinson, Customs and Manners, vol. i., p. 163 (illust.).]

Que a árvore figura-plongeon-hieroglifinho-beb-arvore também foi implicada pelo autor do MS. de Troano como símbolo do Império Maia, não pode haver dúvida. Ele próprio se esforça para nos informar sobre o fato, figura-plongeon-hieroglifinho-beb-uaacal Beb uaacal (o beb brotou) entre figura-plongeon-hieroglifinho-uuc-luumilob uuc luumilob, os sete países figura-plongeon-hieroglifinho-numeral-quatro-4 de Can.

O sinal  figura-plongeon-hieroglifinho-kancab-terra está pintado de vermelho no original, para indicar a terra arável, kancab.  figura-plongeon-hieroglifinho-kancab-2-terra era o símbolo de terra, país, entre os Maias, assim como com os Egípcios; mas os primeiros utilizaram-no também como numérico para cinco, ao qual, neste caso, devem ser adicionadas as duas unidades figura-plongeon-hieroglifinho-duas-unidades. Portanto temos sete terras férteis.

Os quatro pontos pretos figura-plongeon-hieroglifinho-numeral-quatro-4 são o numérico quatro, e um outro sinal ideográfico para o nome do país – Can, “serpente”. É por isso que ele é colocado no pé da árvore, como o sinal figura-plongeon-hieroglifinho no topo para significar que ela [árvore] é o reino. Eles estão justapostos ao caractere figura-plongeon-hieroglifinho-kan Kan, também, para indicar a sua posição geográfica.

Será notado que este sinal foi omitido na legenda horizontal, como deve ser, uma vez que kan é a palavra para “sul”, mas ele foi substituído por ix  ( “norte”) sinal o qual foi incorporado com o sinal figura-plongeon-sinal-ix, beb, figura-plongeon-hieroglifinho-ix-com-beb assim figura-plongeon-sinal para mostrar que esta é a parte norte da árvore – isto é, do país.

Resta explicar o que pode ser considerado, no presente caso, o caractere mais importante do quadro, figura-plongeon-hieroglifinho , uma vez que este é o nome original dado, nas idades mais remotas, a essa parte do Império Maia conhecido nos nossos mapas como a península de Iucatã. Ele lê, Mayach, a “terra recém surgida” [“land just sprung”], a “terra primitiva”, a “terra dura”. O símbolo em si é uma representação ideográfica da península e seus arredores, como será mostrado.

O motivo que levou-o a ser adotado pelos homens instruídos de Mayach como o símbolo para o nome do seu país é de fato mais interessante. Ele explica claramente a sua etimologia, e também nos dá um conhecimento do âmbito das suas realizações científicas – entre estas o seu perfeito entendimento das forças que produziram a submersão de muitas terras, e a agitação da península e outros lugares; uma íntima familiaridade [thorough acquaintance] com a geografia do continente em que eles habitavam, e [conhecimento] das terras adjacentes no oceano; até mesmo da ilha malfadada mencionada por Platão, * sua destruição por terremotos, e o triste destino de seus habitantes, que permaneceram um fato histórico, preservado nos anais entesourados nos templos Egípcios, bem como nas dos Maias.

[ * – Platão, Diálogos, “Timeu”, ii. 517.]

Será que não poderíamos assumir que a identidade das tradições indica que em alguma época, mais ou menos remota, íntimas relações e comunicações devem ter existido entre os habitantes do vale do Nilo e os povos que viviam nas “Terras do Oeste”?

Começaremos a interpretação do símbolo com a análise do caractere figura-plongeon-hieroglifinho-ma-me-mo que Landa diz-nos * era usado, entre os escritores Maias, intercambiavelmente para ma, me, ou mo. Alguns aspirantes a críticos entre os Americanistas, nossos contemporâneos, *2 acusaram o bispo de ignorância sobre o sistema de escrita dos Maias, ou de incompetência em transmitir-nos o verdadeiro valor deste caractere, simplesmente porque ele deu uma pluralidade, ou o que parece ser uma pluralidade, de significados.

[ * – Landa, Relacion de las Cosas de Yucatán, ch. Xli., P. 822.]
[*2 – Heinrich Wuttke, Dei enstehung der Schrift, S. 205, citado e cujas opiniões são endossadas pelo professor Charles Rau, chefe da divisão arqueológica do Museu Nacional (Smithsonian Institution), em Washington. Smithsonian Contributions to Knowledge, cap. V., Nº. 331. “A Tábua de Palenque (Palenque Tablet) no Museu Nacional dos Estados Unidos.” Dr. Ed. Seler, Uber die Bedeutung des Zahlzeichens 20 in der Mayaschrift, em Verhandlungen der Berliner Gesellschaft für Anthropologie, etc., 1887, S. 237-241. J. J. Vallentini, “The Landa Alphabet a Spanish Fabrication” (“O Alfabeto de Landau ma Fabricação Espanhola”), em Proceedings of the American Antiquarian Society, de abril de 1880.]

Que direito, pode-se perguntar, temos nós para contestar o fato afirmado pelo Bispo Landa, de que em seu tempo, entre os Maias, o caractere figura-plongeon-hieroglifinho-ma-me-mo era equivalente a ma e talvez a me e mo! Será que ele [Landa] não teve oportunidade melhor do que qualquer um de nós para saber? Será que os chefes da Ordem Franciscana em Iucatã não consideravam um dever primordial tornar-se bem versado, e ter todos os seus missionários instruídos, na língua dos nativos a quem eles tinham de pregar o evangelho, e, depois de convertê-los ao Cristianismo, administrar-lhes os sacramentos de sua Igreja? Será que não eram eles estudiosos, homens familiarizados com estudos gramaticais? Quem, senão eles, reduziram as regras gramaticais do idioma Maia para o benefício dos alunos? Será que não fomos ditos que o Bispo Landa adquiriu uma grande proficiência nele [idioma Maia]? Será que não foi ele [Landa] por muitos anos um professor deste [idioma Maia]? Será que não compôs ele uma gramática daquela língua para o uso de seus alunos? Que direito, então, tem, homens na nossa época, inocentes de todo o conhecimento da língua Maia, até mesmo como falada hoje, por maior que sejam suas realizações em qualquer outro ramo do saber, para julgar, pior ainda, para condenar, um instruído professor dessa língua, acusando-o de ignorância e incompetência, simplesmente porque ele atribui vários significados a um caractere?

Talvez o Sr. Champollion le jeune [o jovem] será rotulado da mesma maneira, porque ele nos diz que os Egípcios representavam indiferentemente as vogais A, I, O, E pelo caractere figura-plongeon-hieroglifinho-vogais-egipcias ? *

[ * – Champollion le jeune, Précis du système hiéroglyphique des Anciens Egyptiens, p. 111, Paris, 1828.]

“Vemos de forma eficaz”, diz o instruído descobridor do alfabeto Egípcio [Champollion o jovem], “a folha ou pena como suas palavras homófonas, para significar, de acordo com a ocasião, um A, um I, um E, e até mesmo um O, assim como o figura-plongeon-aleph-hebraico (aleph) dos Hebreus.

Assim, encontramos na língua Egípcia, escrita com letras Coptas, um dialeto que utiliza indiferentemente figura-plongeon-a-copta-ou-grego para O, onde as outras duas escrevem somente o O; e figura-plongeon-e-copta-ou-grego onde as outras duas escrevem figura-plongeon-a-copta-ou-grego. Temos no mesmo dialeto figura-plongeon-abe-grego  e  figura-plongeon-obe-gregoSitire [Sátira]; figura-plongeon-ake-grego – “reed” [“cana”], “rush” [“haste”], Juncus [Junco]. *

[ * – Aké é igualmente uma palavra pertencente ao idioma Maia. Assim como em Egípcio, significa uma “cana” (”reed”), uma “haste” (“rush”), uma “cepa” (“withe”). Este era o nome de uma cidade antiga, as ruínas da qual ainda existem perto de Tixkokob, no Iucatã, na propriedade de Dn. Alvaro Peon. Este [aké] foi também um nome de família, como pode ser visto (no Apêndice, nota ii.) a partir de uma certidão de batismo assinada pelo Padre Cogolludo, retirada de um velho registo batismal encontrado no convento de Cacalchen. O original está agora na posse do Reverendíssimo Dn. Crecencio Carillo y Ancona, atual bispo de Iucatã, que gentilmente me permitiu fazer uma cópia fotográfica do autógrafo do Padre Diego de Cogolludo.]

Vamos retomar a nossa explicação. Descobrimos que em tempos remotos, ma era o significado do caractere figura-plongeon-hieroglifinho-ma-me-mo. Vamos tentar analisar suas partes componentes em sua relação com o nome Mayach, e sua origem como um caractere alfabético. É fácil de ver que ele é constituído pela figura geométrica figura-plongeon-simbolo-maia-para-ma flanqueada de cada lado pelo símbolo figura-plongeon-hieroglifinho-imix imix. Quem é que pode deixar de ver que esta figura tem uma notável semelhança com o sinal Egípcio figura-plongeon-simbolo-egipcio-para-ma que o Dr. Young traduz como ma *, e o Sr. Champollion afirma ser simplesmente a letra M? *2

[ * – Dr. Young, “Egypt“, Encyclopedia Britannica, Edimburgh edition, vol. IV.]
[ *2 – Champollion le jeune, Précis du Système hiéroglyphique, etc., p. 34.]

Por uma estranha coincidência, se é que pode-se chamar de coincidência, o significado da sílaba ma é o mesmo em Maia e em Egípcio; isto é, em ambos os idiomas isso significa “terra”, “lugar”.

“A palavra figura-plongeon-palavra-grega-para-lugar – ‘lugar’, ‘local,'” diz o Sr. Champollion, ” do texto Grego da inscrição de Rosetta é expressa na parte hieroglífica da Tábua por uma coruja para M, e o braço estendido para A, o que dá a palavra Copta figura-plongeon-copta-ma (ma), ‘local’, ‘lugar’.” *

[ * – Ibid., P. 125.]

Vemos que no MS. [Manuscrito] Troano o autor representou a terra com a figura de um homem velho, * “o avô,” mam; portanto, pela apócope, ma, “terra”, “local”, “país”, “lugar”.

[ * – MS. Troano, vol. i., texto Maia, parte ii., placas xxv.-xxvii., et passim.]

Ma, no idoma Maia, também é uma partícula usada, como no idioma Grego, em afirmação ou negação de acordo com a sua posição antes ou depois do verbo. Outra coincidência curiosa digna de nota é que o sinal de negação é absolutamente o mesmo para os Maias e para os Egípcios, figura-plongeon-simbolo-egipcio-e-maia-nen. Bunsen * diz que estes últimos [os Egípcios] chamavam-no nen. Essa palavra [nen] em Maia significa “espelho”, e Nen-ha,”o espelho de água,” era antigamente um dos nomes do Golfo do México. Isso também pode ser uma coincidência.

[ * – Bunsen, Egypt’s Place in Universal History, Vocabulary word Nen (O Lugar do Egito na História Universal, Vocabulário palavra Nen).]

Ninguém jamais nos disse por que os sábios Hierogramatistas do Egito deram ao sinal figura-plongeon-simbolo-egipcio-para-ma o valor de ma. Ninguém pode; porque ninguém sabe a origem dos Egípcios, de sua civilização, nem o país onde cresceu desde a infância até a maturidade. Eles próprios, embora invariavelmente apontassem para o sol poente quando questionados a respeito da pátria de seus ancestrais, ignoravam quem eles eram e de onde eles vieram. Nem sabiam eles quem foi o inventor do seu alfabeto. “Os Egípcios, que, sem dúvida, tinham esquecido, ou nunca tinham conhecido o nome do inventor de seus sinais fonéticos, na época de Platão honraram com este [alfabeto] um de seus deuses de segunda ordem, Thoth, que também era tido como o pai de todas as ciências e artes.” *

[ * – Champollion le jeune, Précis du Système hiéroglyphique, p. 355.]

É evidente que não podemos aprender nada dos Egípcios sobre os motivos que levaram o inventor de seus caracteres alfabéticos a selecionar essa figura peculiar figura-plongeon-simbolo-egipcio-para-ma-direita para representar a letra M, inicial da sua palavra Ma. Os Maias, somos informados, * fizeram uso do sinal idêntico, e lhe atribuíram o mesmo significado.

[ * – Landa, Relacion de las Cosas de Yucatán, cap. Xli., P. 322.]

Talvez possamos descobrir a partir deles [Maias] as razões que levaram os seus homens sábios a escolher esta estranha figura geométrica como parte de seu símbolo para Ma, radical de Mayach, nome da península de Iucatã. Quem sabe se a mesma causa que os levou a adotá-lo sugeriu-lo também para a mente do hierogramatista Egípcio?

Muitos irão, sem dúvida, objetar que tudo isto pode ser pura coincidência – os dois povos viviam tão distantes. É verdade. Não tenho a pretensão de que não seja acidental. Eu simplesmente sugiro uma possibilidade que, somada a outros fatos, pode mais tarde tornar-se uma probabilidade, se não uma certeza. No decorrer destas páginas vamos nos deparar com tantos fatos concordantes, como tendo existido tanto em Mayach quanto no Egito, que se tornará difícil conciliar a mente à crença de que eles são, de modo geral, o trabalho idêntico da inteligência humana tateando seu caminho para fora da barbárie rumo à civilização, como alguns têm mais do que uma vez dado a entender, como último recurso, em sua incapacidade para negar a concordância impressionante desses fatos.

Somos informados de que na origem da linguagem, nomes foram dados à lugares, objetos, tribos, pessoas ou animais, de acordo com algumas propriedades inerentes peculiares possuídas por eles, tais como forma, voz, costumes, etc., e para países [nomes foram dados] levando conta seu clima, formação geológica, configuração geográfica, ou qualquer outra característica; isto é, por onomatopeia. Esta afirmação parece encontrar confirmação no símbolo figura-plongeon-simbolo-maia-para-ma dos Maias; e o nome Mayach não forma nenhuma exceção à regra.

De fato, se desenharmos ao redor da península de Iucatã uma figura geométrica que a encerre, e composta de linhas retas, seguindo a direção de suas costas leste, norte e oeste, é fácil ver que o desenho assim feito fig-le-plongeon-simbolo será inevitavelmente o símbolo figura-plongeon-simbolo-maia-para-ma .

Esse fato, por si só, pode não ser considerado prova suficiente para afirmar que os Maias, na realidade, derivaram seu signo para Ma a partir desta causa, uma vez que para completá-lo, como transmitido por Landa, o caractere fig. Le Plongeon - IMIX.jpg imix * está faltando de cada lado.

[ * — Landa, Relacion de las Cosas de Yucatan, p. 204.]

Não requer um esforço muito grande da imaginação para entender para que este signo se destina. Uma única olhada bastará para nos satisfazer que o desenho pretende representar o seio de uma mulher, com seu mamilo e aréola. Qualquer um inclinado a duvidar que tal seja o caso será logo convencido examinando as figuras femininas retratadas no MS. Troano.*

fig-le-plongeon-nota-ms-troano

Sim, imix é o peito, o seio, chamado hoje simplesmente im, a palavra tendo sofrido o apócope de sua desinência ix, que é uma conjunção copulativa e o signo do gênero feminino.

Mas o seio é também um lugar fechado. * Dizemos “o seio do abismo” [“the bosom of the deep], le sein de la terre, el seno de los mares [O seio da terra, o seio dos mares]. **

[ * — Webster, English Dictionary.]
[ ** — Dicionario Espanol por una sociedad literaria.]

Sim, imix é o peito, o seio, chamado hoje simplesmente im, a palavra tendo sofrido o apócope de sua desinência ix, que é uma conjunção copulativa e o signo do gênero feminino.

Mas o seio é também um lugar fechado. * Dizemos “o seio do abismo” [“the bosom of the deep], le sein de la terre, el seno de los mares [O seio da terra, o seio dos mares]. **

[ * — Webster, English Dictionary.]
[ ** — Dicionario Espanol por una sociedad literaria.]

Foi nesse sentido, de fato, que os sábios Maias, que inventaram os caracteres e símbolos com os quais dar a seus pensamentos uma forma material, fizeram uso deste. Este fato torna-se aparente se examinarmos o desenho ainda mais de perto e notarmos as quatro linhas traçadas na parte inferior, como se para sombreá-lo. Se considerarmos cada linha como equivalente a uma unidade, sua soma representa o numeral quatro — can — na língua Maia. Já vimos que can também significa “serpente”, um dos símbolos para o mar, canah. Em seguida, os dois figura-plongeon-hieroglifinho-imix imix são colocados um de cada lado da figura geométrica figura-plongeon-simbolo-maia-para-ma da península, para tipificar os dois golfos cujas águas banham suas margens — à esquerda, o do México, à direita, o Mar do Caribe. Que esta era a idéia dos inventores do símbolo é evidente; Pois assim como o Golfo do México é menor do que o Mar do Caribe e a linha da costa ocidental do Iucatã mais curta do que a do Leste, assim no desenho o imix à esquerda da figura figura-plongeon-simbolo-maia-para-ma  é menor que o imix à direita e a linha à esquerda mais curta do que aquela à direita.

Esta explicação está correta, prova claramente que, tanto quanto uma proposição dessa natureza pode ser demonstrada, que o caractere fig-le-plongeon-caractere-peninsula-iucatan deve sua origem, entre os Maias, à configuração da península de Iucatã, e sua posição entre dois golfos, e que Os inventores estavam familiarizados com a sua extensão e contorno.

Não poucos, mesmo entre pessoas instruídas, muitas vezes expressam uma dúvida quanto aos antigos Maias terem possuído informações precisas com respeito à existência dos diferentes continentes e ilhas que formam as porções habitáveis da terra; questionando igualmente se eles estivam familiarizados mesmo com a geografia e configuração das terras em que viviam; Parecendo entreter a idéia de que a ciência da geografia geral pertence exclusivamente aos tempos modernos.

O nome Maia, encontrado entre todas as nações civilizadas da antiguidade, na Ásia, África, Europa e na América, sempre com o mesmo significado, deveria ser suficiente para provar que, em épocas remotas, os Maias tinham uma relação íntima com os habitantes das terras situadas nesses continentes, eram, portanto, grandes viajantes, e, necessariamente, deveriam estar familiarizados com a geografia geral do planeta.

Não devemos perder de vista o fato de que sabemos muito pouco, na verdade, das antiga civilizações Americanas. Os anais dos eruditos de Mayach foram escondidos ou destruídos, é impossível para nós julgar o alcance de suas realizações científicas. Que eram arquitetos peritos, os monumentos construídos por eles, que resistiram por séculos a ação desintegradora dos elementos e a da vegetação, dão amplo testemunho. A análise do gnômon descoberto pelo escritor [Augustus Le Plongeon] nas ruínas da antiga cidade de Mayapan, em 1880, prova de forma conclusiva que eles haviam avançado na ciência da astronomia. Eles sabiam, assim como nós, como calcular as latitudes e longitudes; As épocas dos solstícios e dos equinócios; A divisão do tempo em anos solares de trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas; Aquela de ano em doze meses de trinta dias, a que acrescentavam cinco dias suplementares que foram deixados sem nome e [eram] considerados como inauspiciosos. Durante estes [cinco dias suplementares], assim como no terceiro dia da Epacta entre os Egípcios, todos os negócios eram suspensos; Eles nem saíam de suas casas, para que não acontecesse algum infortúnio. Todos esses cálculos necessitavam, é claro, de um conhecimento completo de álgebra, geometria, trigonometria e outros ramos da matemática. Que eles não eram nenhuns desenhistas e escultores medianos, as pinturas a fresco, as inscrições e os baixo-relevos esculpidos em mármore, que são ainda existentes, dão o testemunho irrefutável.

O estudo do MS. Troano convencerá qualquer um que o erudito autor desse livro, e sem dúvida muitos de seus associados, não apenas tinham um conhecimento completo da configuração geográfica do Continente Ocidental e das ilhas adjacentes, mas também de sua formação geológica. As “Terras do Oeste” [“Lands of the West”] são representadas por estes símbolos, fig-le-plongeon-atlan-lands-of-the-west que alguns traduziram como Atlan. *

[ * — Kingsborough, Mexican Antiquities, vol. I., e Comment, vol. v. Atlan não é uma palavra Maia, mas uma palavra Nahuatl. Ela é composta das duas palavras primitivas Atl, “água”, e Tlan, “perto”, “entre”. O nome Maia para o símbolo é Alau.]

Eles não deixam lugar para duvidar que os Maias conhecessem as costas orientais do continente, desde a Baía de São Lourenço, na latitude norte 48° até o Cabo São Roque, no Brasil, na latitude sul 5° 28′. Os dois signos fig-le-plongeon-tipo-arcoiris ou fig-le-plongeon-quadrado-square da localidade colocados sob os símbolos representam as duas grandes regiões do Continente Ocidental, América do Norte e do Sul; Enquanto os sinais fig-le-plongeon-circulo e fig-le-plongeon-tipo-setting-sun-horizont vistos dentro da curva que figura a bacia norte do Atlântico, representam a Terra de Mu, aquela extensa ilha agora submersa sob as ondas do oceano.
O signo fig-le-plongeon-tipo-setting-sun-horizont, bem como este fig-le-plongeon-tipo-setting-sun-horizont-2 que forma a parte superior do símbolo, é familiar a todos os estudantes de Egiptologia. Estes dir-lhe-ão que o primeiro significava, nos hieróglifos Egípcios, “o sol que se põe no horizonte,” e o segundo, “os países montanhosos no oeste.”

Quanto à postura convencional dada a todas as estátuas dos governantes e outros personagens ilustres em Mayach, ela confirma o fato de suas realizações geográficas. Se compararmos, por exemplo, os contornos da efígie do príncipe Coh descoberta pelo autor [Augustus Le Plongeon] em Chichen-Itza em 1875, com o contorno das costas orientais do continente Americano, colocando a cabeça em New-Foundland, os joelhos no Cabo de São Roque, e os pés no Cabo Horn, é fácil perceber que eles são idênticos. A bacia rasa mantida na barriga da estátua, entre as mãos, seria então simbólica do Golfo do México e do Mar do Caribe. *

fig. Le Plongeon - peninsula continente

[ * — Várias outras estátuas descobertas pelo escritor (Augustus Le Plongeon) em Chichen-Itza têm a mesma posição, e seguram uma bacia na barriga, entre suas mãos. Outras, mais uma vez, são vistas no “Museu Nacional” do México, todas com a mesma atitude convencional, com a cabeça voltada para o ombro direito.]

Novamente, os contornos do perfil da estátua também podem representar com grande precisão as costas orientais do Império Maia — a cabeça sendo a península de Iucatã, antigamente a sede do governo; os joelhos corresponderiam então ao Cabo Gracias á Dios, na Nicarágua; os pés ao Istmo de Darien, o limite sul do império; e a bacia rasa na barriga nesse caso corresponderia à Baía de Honduras, parte do Mar do Cararibe. As Antilhas eram conhecidas pelos Maias como a “Terra do Escorpião,” Zinaan, e foram representadas pelo hierogramático Maia pela figura deste aracnídeo, ou em sua escrita cursiva por esta outra Fig. Plongeon - escrita cursiva Maia - Escorpião * prova evidente de que ele estava bem familiarizado, assim como estamos, com os contornos gerais do arquipélago.

[ * — Troano MS., part 11, plates vi., vii.
No quadro, placa v., que forma a seção do meio da placa xiii. Na segunda parte do MS. Troano, o autor descreve a ocorrência de certo fenômeno de origem vulcânica, cujo foco de ação estava localizado nos vulcões da ilha de Trinidad, representada pela imagem de uma mão no final do rabo do escorpião. A corda que conecta a dita mão com o antebraço direito levantado do cervo indica que não só a ação sísmica foi sentida ao longo do mar do Caribe, do sul ao norte, mas que esta produziu a sublevação de alguma localidade nas partes setentrionais deste mar. Começando, naturalmente, a leitura da legenda pela coluna à direita, vemos que ele descreve o fenômeno nas seguintes palavras: “Oc ik ix canab ezah nab” (ou seja, “Um punhado ((pequena quantidade)) de gases, que escapou da cratera, fez canab mostrar a palma da mão”). De acordo com a sua localização, este antebraço levantado pode ser a sublevação do grande vulcão que agiganta-se no meio da ilha de Roatán. O maior do grupo chamado Guanacas na Baía de Honduras, onde os Maias se encontraram com os Espanhóis pela primeira vez em 1502. A segunda comuna lê: “Cib canalcunte lam a ti ahau O.” (“A lava tendo enchido ((levantado)) os lugares submersos, o mestre da bacia”, etc.) (O último sinal estando completamente obliterado, não podemos saber o que o autor havia dito).]

fig. Le Plongeon - Manuscrito Troano - Placa V .

fig. Le Plongeon -  Manuscrito Troano - Placa V . - h.jpg

 

 

 

Os antigos sábios Maias por vezes compararam a Terra a um caldeirão, cum, porque, como o alimento é cozido em tal utensílio, então também tudo o que existe na superfície da Terra é elaborado primeiro [dentro] em seu corpo. Às vezes, da mesma forma, devido à sua rotundidade, e porque contém os germes de todas as coisas, eles compararam a Terra a uma Cabaça, kum, cheia de sementes. Esses símiles parecem ter sido os favoritos, pois eles fizeram uso freqüente deles ao ilustrar suas explicações sobre os fenômenos geológicos que convulsionaram nosso planeta. Talvez também a segunda razão tenha sido o que os fez adotar, em geral, uma forma circular para os caracteres que eles inventaram para dar expressão material às concepções multitudinárias de sua mente (a não ser que tenham dado essa forma a esses caracteres a partir daquela do crânio, contendo o cérebro, órgão do pensamento). O fato é que seu símbolo para o nome Mayach, da península de Iucatã, afeta a forma de uma cabaça, com sua gavinha [tendril] recém brotada — um yach ou ach, como os nativos chamam um jovem broto.

O que pode ter induzido os hierogramatistas a selecionar uma cabaça germinante como parte do nome de seu país, ainda está para ser explicado.

Se examinarmos o mapa das terras atrás da península, não será difícil descobrir a idéia predominante na mente do desenhista no momento de compor o símbolo; E ver que ele estava totalmente familiarizado com a geografia do interior e com as margens ocidentais daquelas partes do continente, bem como com a configuração das costas orientais; Também que sua formação geológica não era um mistério para ele.
Ao comparar este símbolo fig. Le Plongeon - hieroglifinho Maia - cabaça germinando com a forma dos países imediatamente a sul da península, não obstante as mudanças que continuamente ocorrem no contorno das linhas costeiras, particularmente na foz dos rios, * pela ação de correntes, etc., não podemos deixar de reconhecer que os hierogramatistas consideraram-na como o broto de uma cabaça, cujo corpo era representado pelas terras compreendidas dentro do segmento de um círculo possuindo por raio a metade de uma linha, paralela às margens oriental e ocidental da península, do Ponto de Lagartos [Rio Lagartos], na costa norte de Iucatã, traçada através do país até a costa do Oceano Pacífico ao sul.

[ * — Charles Lyell, Principles of Geology, vol. i., chap. iii., p. 253.]

fig. Le Plongeon - mapa peninsula yucatan - com hieroglifo da Cabaça germinando

Pois se, a partir do meio da referida linha como centro, descrevermos uma circunferência, parte dela seguirá exatamente a inclinação da linha costeira do referido oceano, em frente à costa norte da península; Outra parte atravessará o Istmo de Tehuantepec, a fronteira norte do império Maia e, se transportada por terra no sul até cruzar a costa da Baía de Honduras, o segmento do círculo assim formado se assemelha ao fundo de uma cabaça, e a península [se assemelha] ao broto.

Analisando o caractere ainda mais de perto, vemos uma linha de pontos de cada lado da base do broto, cuja raiz repousa sobre a figura enrolada fig. Le Plongeon -  hieroglifinho -  fumaça do vulcão.jpg destinada a representar a ondulação da fumaça à medida que ela se eleva no ar a partir da cratera dos vulcões entre as montanhas, indicadas, como em nossos mapas, pelas gravuras de ambos os lados do corpo do símbolo. Esses sinais [tokens] provam que o desenhista conhecia a formação geológica do país em que ele vivia; E que a península tinha sido elevada do fundo do mar pela ação das forças vulcânicas, cujo centro de atividade era em seu tempo, como ainda é, nas montanhas da Guatemala, distante no interior do continente. Ao colocar a pequena extremidade do broto bem dentro da figura no foco da ação vulcânica, na linha enrolada da fumaça, e pelos pontos, em ambos os lados da raiz do broto, ele mostra que ele sabia que a sublevação da península foi causada pela força expansiva dos gases, que produzem terremotos pela pressão sobre a superfície subterrânea desigual dos estratos superficiais, muito homogênea para permitir sua fuga.*

[ * — Sir Charles Lyell, Principles of Geology, chap. xxxii., xxxiii. Augustus Le Plongeon, “The Causes of Earthquakes,” Van Nostrand’s Engineering Magazine, vol. 6, Nos. 41, 42.]

Assim, é que chegamos a aprender com a caneta de um antigo filósofo Maia que o nome de seu povo, uma vez tão espalhado sobre a face da terra, teve sua origem naquilo em que o país que habitavam, um lugar situado nas partes tropicais do norte do continente ocidental, naquela “Terra de Kui” fig. Le Plongeon - hieroglifinho - Land of Kui - Terra Kui, * aquele lar misterioso de seus ancestrais, onde os Egípcios pensavam que as almas de seus amigos falecidos iam morar, conhecida por seus habitantes como Mayach, uma palavra que em sua língua significava a “primeira terra,” a “terra que acaba de brotar,” também a “terra dura,” a “terra firme,” como aprendemos com o sinal fig. Le Plongeon - hieroglifinho - Aspiração , dureza - *2 de aspiração, dureza, coagulação, colocado a cada lado do corpo da cabaça, para indicar, talvez, a formação rochosa do seu solo,
e que tinha resistido aos terríveis cataclismos que varreram da face do planeta a
Terra de Mu fig. Le Plongeon - hieroglifinho - Land of Mu - Terra de Mu e muitos outros lugares com suas populações.

[ * — Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs of Ancient Egyptians, vol. iii, p. 70. “Terra Kui,”  de acordo com a língua Maia a “terra dos deuses”, o lugar de nascimento da Deusa Maya, “a mãe dos deuses” e dos homens, a energia feminina de Brahma, por cuja união com Brahma todas as coisas foram produzidas.]

[ *2 — Landa, Relacion de las Cosas de Yucatan, chap. xli, p. 322.]

Os sacerdotes do Egito, da Caldéia e da Índia conservaram a lembrança de sua destruição nos arquivos de seus templos, assim como fizeram os de Mayach do outro lado do oceano.

Estes últimos não se contentaram em registrar a relação em seus tratados sobre geologia e história, mas, para preservar a sua memória para as gerações futuras, eles fizeram com que ela fosse  esculpida em uma tábua de pedra que eles fixaram na parede em um dos apartamentos de sua universidade em Chichen, onde ainda é vista. Os nativos perpetuaram, de geração em geração, durante séculos, o nome dessa inscrição. Eles ainda a chamam de Akab-ͻib, a horrível, a escrita tenebrosa.

A história dessa terrível catástrofe, relatada de várias maneiras nos livros sagrados das diferentes nações, entre as quais se encontram os vestígios da presença dos Maias, continua a ser a tradição terrível de uma grande parte da humanidade.

 

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RAINHA MÓO E A ESFINGE EGÍPCIA.
            Nós inferimos o espírito da nação, em grande parte, a partir da linguagem, que é uma espécie de monumento ao qual cada indivíduo esforçado em um curso de muitos séculos contribuiu com uma pedra.

(Ralph Waldo Emerson, Ensaios, XX., “Nominalist e Realist.”)

Em épocas há muito perdidas no abismo do tempo, quando os colonos Arianos ainda não tinham estabelecido seus primeiros assentamentos nas margens do rio Saraswati, no Punjab, e os primitivos colonos Egípcios no vale do Nilo não imaginavam, mesmo em seus devaneios mais esperançosos, que seus descendentes se tornariam os grandes povos cuja civilização seria o berço daquela da Europa, existia no continente ocidental uma nação — a Maia – que alcançara um alto grau de cultura em artes e ciências.

Valmiki, em sua bela epopéia, o “Ramayana,” a qual se diz ter servido de modelo à “Ilíada” de Homero, nos diz que os Maias eram navegadores poderosos, cujos navios viajavam do oceano ocidental ao oriental, dos mares do sul aos mares do norte, em tempos tão remotos que “o sol ainda não havia surgido acima do horizonte;” *

[ * — Valmiki, Ramayana, tradução de Hippolyte Fauché, vol. i., p. 358.]

Que, sendo também grandes guerreiros, eles conquistaram as partes do sul da península Hindustâni e estabeleceram-se ali; Que, sendo também arquitetos experientes, eles construíram grandes cidades e palácios. *

[ * — Valmiki, Ramayana, vol. ii., p. 26. “Em tempos antigos, havia um príncipe dos Danavas, um sábio mágico dotado de grande poder: o nome dele era Maia. Foi ele quem, por arte mágica, construiu esta gruta dourada. Ele era o viçvakarma (“arquiteto dos deuses”) dos principais Danavas, e este soberbo palácio de ouro sólido é o trabalho de suas mãos.”
Maia é mencionado no Mahabharata como um dos seis indivíduos que foram autorizados a escapar com vida na queima da floresta de Khandava, cujos habitantes foram destruídos.
Lemos no trabalho de John Campbell Oman, The Great Indian Epics (p. 118): “Agora, Maia era o principal arquiteto dos Danavas, e em gratidão por sua preservação [de sua vida] construiu um maravilhoso sabha, ou salão, para os Pandavas, a mais bela estrutura de seu tipo em todo o mundo.”]

Estes Maias se tornaram conhecidos em tempos posteriores sob os nomes de Danavas, * e são considerados pelos historiadores modernos como aborígenes do país, ou Nâgás como veremos mais adiante.

[ * — Danava = Tan-ha-ba: Tan, “meio;” Ha, “água;” Ba, uma partícula compositiva usada para formar desinências reflexivas; “Aqueles que vivem no meio da água” — navegadores.
Este étimo de Maia concorda perfeitamente com o que o professor John Campbell Oman em seu trabalho The Great Indian Epics, “Mahabharata” (p.113), diz sobre o lugar de habitação dos Danavas:
“Arjuna fez guerra contra uma tribo dos Danavas, os Nivata-Kavachas, que são muito poderosos, numerando trinta milhões, cuja principal cidade era Hiranyapura. Eles moravam no útero do oceano.” (O nome de Hiranyapura significa em Maia “sirgado no meio da jarra de água”)]

Desses [Nâgás], J. Talboys Wheeler em sua “History of India” diz: * “As tradições dos Nâgás são obscuras ao extremo, elas apontam, no entanto, para a existência de um antigo império Nâgá no Dekkan, tendo sua capital na cidade moderna de Nagpore, e pode conjecturar-se que, antes da invasão Ariana, os rajas Nâgás exerceram um poder imperial sobre a maior parte do Punjab e Hindustão. . . . Os Nâgás, ou adoradores de serpentes, que viviam em cidades superlotadas e eram famosos por suas mulheres lindas e tesouros inesgotáveis, eram, sem dúvida, pessoas civilizadas sob um governo organizado. De fato, se qualquer inferência pode ser extraída das lendas épicas, seria que, antes da conquista Ariana, os rajas Nâgás eram governantes, que cultivaram as artes do luxo a um grau extraordinário, e ainda conseguiram manter uma luta prolongada contra os invasores Arianos.”

[ * — J. Talboys Wheeler, History of India, vol. iii., pp. 56-57.]

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Como os Ingleses de hoje, os Maias enviaram colonos por toda a terra. Estes levaram consigo a linguagem, as tradições, a arquitetura, astronomia, cosmogonia e outras ciências — em uma palavra, a civilização de sua pátria. É essa civilização que nos fornece os meios para verificar o papel desempenhado por eles na história universal do mundo. Encontramos vestígios disso, e de sua língua, em todas as nações históricas da antiguidade na Ásia, África, e Europa. Eles ainda são freqüentes nos países onde floresceram.

[ * — H. T. Colebrooke, “Memoirs on the Sacred Books of India,” Asiatic Researches, vol. ii., pp. 369-476, diz: “Maia é considerado o autor do Soûrya-Siddhanta, o mais antigo tratado de astronomia na Índia. Ele é representado como recebendo sua ciência a partir de uma encarnação parcial do Sol.” Este trabalho, sobre o qual toda a astronomia Indiana é fundada, foi descoberto em Benares por Sir Robert Chambers. O Sr. Samuel Davis traduziu-o parcialmente, particularmente aquelas seções que se relacionam com o cálculo de eclipses. É uma obra de grande antiguidade, uma vez que é atribuída a um autor Maia cujas regras astronômicas mostram que ele conhecia bem a trigonometria (Asiatic Researches, vol. ii., pp. 245-249), provando que as ciências abstrusas eram cultivadas naqueles tempos remotos, antes da invasão da Índia pelos Arianos. (Ver apêndice, nota vi.)]

É fácil seguir seus rastros por todo o Pacífico até a Índia, pelas impressões de suas mãos mergulhadas em um líquido vermelho e pressionadas contra os muros de templos, cavernas e outros lugares vistos como sagrados, para implorar a benção dos deuses — Também pelo nome deles, Maia [Maya], dado à bananeira, símbolo do seu país, * cuja larga folha ainda é um sinal de hospitalidade entre os nativos das ilhas; *2 ao longo das margens do Oceano Índico e do Golfo Pérsico até a foz do Eufrates; subindo esse rio até a Babilônia, a famosa Cidade do Sol; Daí, através do deserto Sírio até o vale do Nilo, onde finalmente se estabeleceram e deram o nome de sua pátria-mãe para um distrito da Núbia, chamando Maiu ou Maioo.*3

[ * — Codex Cortesianus, plates 7 and 8.]
[ *2 — Captain J. Cook, Voyage among the Islands of the Pacific.]
[ *3 — Henry Brugsch-Bey, History of Egypt under the Pharaohs, vol. i., p. 363; vol. ii., p. 78 (note) and p. 174. O nome está incluído na lista das terras conquistadas por Tutmés III., e na lista encontrada em uma câmara sepulcral na Núbia.]

Mayach (isto é, “a terra que surgiu primeiro do fundo do abismo”) era o nome do império cujos soberanos possuíam o título de Can (serpente), hoje soletrado khan nos países Asiáticos.*

[ * — Khan é o título dos reis da Tartária, da Birmânia, do Afeganistão e de outros países Asiáticos. A bandeira da China é amarela, com um dragão verde no centro. A dos Anglos também exibe como símbolo um dragão ou uma serpente; a dos Saxões, de acordo com Urtti-scind, um leão, um dragão e sobre eles uma águia voando; A dos Manchous, um dragão dourado em um campo carmesim; A dos Hunos, um dragão. Seu chefe era chamado Kakhan — abreviação de Khan-Khan.]

Este título, dado pelos Maias aos seus governantes, foi derivado do contorno do império, o de uma serpente com peito inflado, a qual em seus livros e suas esculturas eles representavam às vezes com e algumas vezes sem asas, como os Egípcios fizeram com o uraeus, símbolo de seu país. Eliano diz: “Era costume dos reis Egípcios usar áspides de cores diferentes em suas coroas, sendo esse réptil emblemático do poder invencível da realeza;” * Mas ele [Eliano] não nos informa por que este foi selecionado como um emblema desse tipo, nem Plutarco, embora ele também nos diga que era o símbolo da realeza. *2 Pausanias *3 afirma que a áspide era considerada sagrada em todo o Egito, e em Omphis particularmente gozava da maior honra. Filarco afirma o mesmo. *4

[ * — Eliano, De Natura Animalium., liv. vi., 33.]
[ *2 — Plutarco, De Iside et Osiride, S. 74.]
[ *3 — Pausanias, Basot., c. 21]
[ *4 — Eliano, Nat. An., lib. xvii. 5.]

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fig. Le Plongeon - pagina 5 Placa VIII - vert
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tlaloc - uraeus - mexico

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Ainda assim, os sábios Egípcios devem ter tido motivos muito fortes para honrar essa serpente e fazer com que ela desempenhasse parte tão conspícua nos mistérios de sua religião. Seria, por acaso, em comemoração à pátria-mãe dos seus ancestrais, além do mar, em direção ao pôr-sol? Lá, os antigos governantes, depois de receberem as honras da apoteose, sempre foram representados nos monumentos como serpentes cobertas de penas, as cabeças enfeitadas com chifres e uma chama em vez de uma coroa; muitas vezes também com uma coroa.

É bom lembrar que, no Egito, as cerastes, ou as cobras com chifres, eram as únicas serpentes, com as áspides, que eram consideradas sagradas. Heródoto * nos diz que “quando elas [as serpentes] morrem, são enterradas no templo de Júpiter, a quem elas são consideradas sagradas”.

[ * — Heródoto, liv. ii., lxxiv.]

O império Maia compreendia todas as terras entre o Istmo de Tehuantepec e e o [Istmo] de Darien, conhecidas hoje como América Central. A história dos soberanos que o governaram e dos principais acontecimentos ocorridos na nação foi escrita em livros de papiro ou pergaminho bem-encadernados, cobertos com bordas de madeira altamente ornamentadas, * enquanto que as ocorrências mais importantes foram igualmente esculpidas em pedra nos muros de seus edifícios públicos, para preservar seus registros de forma duradoura e indelével para o conhecimento das gerações futuras. É a partir dessas memórias esculpidas e escritas gravadas em seus palácios em Uxmal e Chichen na península de Iucatã, a cabeça da serpente imperial e sede do governo do Império Maia, que o autor aprendeu a história da Rainha Móo e sua família.

[ * — Landa, Las Cosas de Yucatan, pp. 44, 316. Cogolludo, Historia de Yucatan, etc., liv. iv, cap. v.
Esses livros eram exatamente como os livros sagrados agora em uso no Tibet. Estes também estão escritos em tiras de pergaminho de cerca de dezoito centímetros de comprimento e quatro de largura, ligados com bordas de madeira e embrulhados em seda curiosamente bordada.
C. F. Gordon Cumming, In the Himalayas and on the Indian Plains, p. 438.]

Na extremidade sul e no topo da parede leste da quadra de tênis de Chichen, há um edifício que é do maior interesse para o arqueólogo, o historiador e o etnólogo; Enquanto que o arquiteto pode aprender dele muitas lições úteis. John L. Stephens, que o visitou em 1842, fala dele como um caixão que contém as jóias mais preciosas da antiga arte Americana.*

[ * — John L. Stephens, Incidents of Travels in Yucatan, vol. ii., p. 310, et passim.]

Este era um salão religioso erguido por ordem da Rainha Móo, e dedicado à memória de seu irmão-marido, o Príncipe Coh, um eminente guerreiro. As pinturas tão admiradas por Stephens, que rivalizavam com os afrescos nos túmulos do Egito e da Etrúria, ou com as imagens nos muros dos palácios de Babilônia mencionados por Ezequiel, eram um registro pictórico da vida do príncipe Coh desde a época da juventude até a da sua morte, e dos acontecimentos que a seguiram. Elas formam assim algumas páginas da história antiga da nação Maia e dos últimos dias da dinastia Can.

fig. Le Plongeon - pagina 7 Placa IX -  vert.jpg

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Este edifício interessante está agora em ruínas. Resta, contudo, o suficiente para permitir ao escritor fazer não só uma planta precisa, mas uma restauração perfeita em todos os seus detalhes.

Depois de subir ao topo da parede, que formava um terraço de seis metros de largura, nivelado e pavimentado com placas quadradas de mármore cuidadosamente ajustadas, encontramos uma ampla escada composta por cinco degraus. Ascendendo estes, estamos em uma plataforma, e entre duas colunas de mármore cada uma de um metro de diâmetro.

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A base dessas colunas é formada por um único monólito de um metro e vinte centímetros de altura e dois metros de comprimento, esculpido na forma de cabeças de serpente com a boca aberta e a língua projetada para fora. O eixo representa o corpo da serpente, emblema da realeza em Mayach, como foi no Egito e, como ainda é em muitos países da Ásia. Ele está coberto com penas esculpidas, imagem do manto de penas usado nas cerimônias da côrte pelos reis e pelos altos sacerdotes como insígnias de sua posição.

Entre essas colunas havia um grande altar apoiado por quinze atlantes, três lado a lado e cinco ao fundo, cujos rostos eram retratos de amigos e parentes do guerreiro morto. Sobre este altar, colocado na porta da câmara interior, eles costumavam fazer oferendas ao seu manes [alma do falecido], assim como os Egípcios faziam oblações de frutas e flores aos mortos em altares erguidos na entrada dos túmulos. *

[ * — Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs of Ancient Egyptians, vol. iii., chap. xvi.]

fig. Le Plongeon - corte vertical
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Do Papiro IV., no Museu de Bulaq, aprendemos que a realização de oferendas aos mortos era ensinada como um preceito moral. “Traze oferendas ao teu pai e a tua mãe, que descansam no vale dos túmulos, porque aquele que faz estas oferendas é tão aceitável aos deuses como se elas fossem trazidas a si mesmo. Visitem os mortos com frequência, de modo que o que você faz por eles seu filho possa fazer por você. *

[ * — Papyrus IV., Bulaq Museum. Tradução por Brugsch e E. de Rougé. Publicado por Mariette.]

fig. Le Plongeon - pagina 8 Placa X -  horizontal.jpg

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Se compararmos isso com os preceitos do “Manava-Dharma-Sastra” —  “A cerimônia em homenagem aos manes [falecidos] é superior, para os Brâmanes, ao culto dos deuses, e as oferendas aos deuses que ocorrem antes das oferendas aos manes têm sido declaradas por aumentar seus méritos”* — será fácil ver que esses ensinamentos devem ter emanado da mesma escola.

[ * — Manava-Dharma-Sastra, liv. iii., Sloka 203, também Slokas 127, 149, 207, etc., et passim.]

Este costume mais antigo também é seguido escrupulosamente pelos Chineses, para quem o culto dos ancestrais é tão vinculante e sagrado quanto o do próprio Deus, cujos representantes eles têm sido para seus filhos na terra. Confúcio em seu livro “Khoung-Tseu” dedica todo um capítulo à descrição da cerimônia em homenagem aos ancestrais, como praticada duas vezes ao ano, na primavera e no outono, * e em seu livro “Lun-yu”, ele instrui seus discípulos que “É necessário sacrificar aos ancestrais como se eles estivessem presentes.” **

[ * — Confucius, Khoung-Tseu, Tchoung-Young, chap. xix.]
[ ** — Ibid., Lun-yu, chap. iii., Sloka 12.]

O culto dos ancestrais é primordial na mente dos Japoneses. No décimo quinto dia do sétimo mês Japonês, uma festa é realizada em homenagem aos ancestrais, quando uma refeição de frutas e vegetais é colocada diante dos Ifays, ou tabuletas de madeira de forma peculiar, nas quais são escritas inscrições comemorativas dos mortos.

Grandes festividades eram realizadas pelos Peruanos em homenagem aos mortos no mês de Aya-marca, uma palavra que significa literalmente “levar os cadáveres nos braços.” Essas festividades foram estabelecidas para celebrar amigos e parentes falecidos. Eles eram celebrados com lágrimas, canções lúgubres, música lumuriosa, e por visitas às tumbas dos queridos falecidos, cuja provisão de milho e chicha eles renovavam através de aberturas dispostas para este propósito do exterior do túmulo até vasos colocados perto do corpo.*

[ * — Christoval de Molina, The Fables and Rites of the Yncas. Tradução por Clemente R. Markham, pp. 36-50.]

Ainda hoje, os aborígenes de Iucatã, Peten, e outros países da América Central, onde a língua Maia é falada, como em obediência a esta afirmação do legislador Hindu: — “Os manes [falecidos] aceitam com prazer o que lhes é oferecido nas clareiras das florestas, nas localidades naturalmente puras, nas margens dos rios, e em lugares isolados” * —costumam, no início de Novembro, pendurar dos ramos de certos árvores nas clareiras das florestas, nas encruzilhadas,  nos recantos isolados, bolos feitos com o melhor milho e carne que podem produzir. Estes são para as almas dos falecidos partilharem, como seu nome hanal pixan (“o alimento das almas”) indica claramente.**

[ * — Manava-Dharma-Sastra, liv. iii., Sloka 203.]
[ ** — Bolos também eram oferecidos aos mortos no Egito, na Índia, no Peru, etc..]

Este costume de honrar os mortos não existe hoje entre nós? A festa de “Todas as Almas” é celebrada pela Igreja Católica no segundo dia de Novembro, quando, assim como na festa da Ferália, observada no terceiro [dia] de ides (décimo-primeiro de Fevereiro) pelos Romanos, e descrita com tanta beleza Por Ovídio, as pessoas visitam os cemitérios, carregam presentes, adornam com flores, coroas e guirlandas de sempre-viva o lugar de repouso daqueles que foram queridos para eles — um costume bastante terno e impressionante, falando eloquentemente dos sentimentos humanos mais afetuosos.

[ * — Est honor et tumulis; animas placare paternas,
Parvaque in extructas munera ferre pyras:
Parva petunt manes: pietas pro divite grata est
Munere; non avidos Styx habet ima Deos;
Tegula porrectia satis est velata coronis,
Et sparsas fruges, parvaque mica salis.
Ovid, Fast 1, V. 533, et passim.

Os túmulos também têm sua honra; Nossos pais desejam
um pequeno presente para adornar seu túmulo.
Esse pequeno presente nós devemos às almas;
Esses poderes (as almas) não olham para o que lhes damos, mas para como (lhes damos);
Nenhum desejo ganancioso provoca as sombras do Estige.
Eles só pedem uma telha coroada de guirlandas, e frutas e sal para espalhar no chão.

Os Romanos acreditavam, assim como os Hindus e os Maias, que sal espalhado no chão era uma forte proteção contra espíritos malignos.]

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O Sr. R. G. Haliburton, de Boston, Mass., em um artigo muito sábio e interessante * sobre o “Festival dos Ancestrais,” ou a festa dos mortos, tão prevalente entre todas as nações da terra, falando da singularidade de sua observância em todos os lugares precisamente na mesma época do ano, diz: “Ele é agora, assim como era anteriormente, observado no início de Novembro pelos Peruanos, os Hindus, os ilhéus do Pacífico, o povo das ilhas Tonga, os Australianos, os antigos Persas, os antigos Egípcios e as nações do norte da Europa, e continuado por três dias entre os Japoneses, os Hindus, os Australianos, os antigos Romanos e os antigos Egípcios. . . . Esse fato surpreendente de uma só vez chamou minha atenção para a questão: Como essa uniformidade no tempo de observância foi preservada, não só em lugares distantes do globo, mas também por esse vasto lapso de tempo desde que os Peruanos e os Indo-Europeus primeiro herdaram esta festa primitiva de uma fonte comum?” Qual foi esta fonte?

[ * — R. G. Haliburton, “Festival of Ancestors,” Ethnological Researches Bearing on the Year of the Pleiades.]

Ao contemplar o altar na entrada da câmara funeral do Príncipe Coh, nos perguntamos: ainda estamos na América, ou será que algum mago antigo, pela arte mágica, subitamente nos transportou para o sul da península Asiática, no Camboja, na velha cidade de Angor-Thom? Lá também encontramos semelhantes altares, figuras de serpentes, e o deus com cabeça de pássaro.

Este pássaro, símbolo da principal divindade feminina, é encontrado em todos os países onde a civilização Maia pode ser rastreada — na Polinésia, * Japão, Índia, Caldéia, Egito, Grécia, como em Mayach e na antiga cidade de Tihuanuco nos planaltos dos Andes Peruanos.

[ * — Quando Banks, que acompanhou o Capitão Cook em sua primeira viagem, visitou o grande Morai em O-Taheite, viu na cúpula da pirâmide uma representação de um pássaro, esculpido em madeira (o Criador). John Watson, The Lost Solar System, vol. Ii., P. 232]

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No Egito, o abutre formou o cocar da Deusa Isis, ou Mau, cujas vestimentas eram tingidas com uma variedade de cores imitando o trabalho de plumas. * Em todos os lugares ele [o pássaro] é um mito.

[ * — Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs of Ancient Egyptians, vol. iii., p. 375.]

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Em Mayach, talvez possamos encontrar a origem desse mito, uma vez que ele era o totem da Rainha Móo, cujo nome significa arara [macaw]; E ela geralmente é retratada, nas esculturas e inscrições, pela figura desse belo pássaro, cuja plumagem é composta de penas brilhantes de várias cores.

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  II.

Ao examinar os adornos dos atlantes que suportavam o altar, não pudemos deixar de exclamar: “Ora, isso é Birmânia [Burmah]!” E assim é. Mas isso é América também. Sim, América antiga, trazida de volta à tona após permanecer adormecida por muitas eras no colo do Tempo, para mostrar as pessoas do século XIX que, há muito, muito tempo atrás, comunicações íntimas existiram entre os habitantes do continente Ocidental e aqueles da Ásia, África, e Europa, assim como elas existem hoje; e que a antiga civilização Americana, se não a mãe das nações históricas da antiguidade, foi, pelo menos, um fator importante na elaboração dos seus conceitos cosmogônicos e tradições primitivas.

Desse fato nenhuma melhor prova pode ser obtida além daquela através da comparação dos símbolos do universo encontrados entre os Maias, os Hindus, os Caldeus, e os Egípcios.

O mais simples é aquele dos Maias. Ele parece ter servido como modelo para os outros, que evidentemente são ampliações do mesmo. Nós o encontramos repetido muitas vezes, adornando o filete central da cornija superior dos entablamentos das fachadas leste e oeste do palácio do Rei Can em Uxmal. Este edifício era também a residência do pontífice.

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Um conhecimento da antiga simbologia geométrica torna fácil entender estes diagramas cósmicos. No centro da figura vemos um círculo inscrito dentro do hexágono formado pelos lados de dois triângulos equiláteros entrelaçados.

Os Egípcios consideravam o triângulo equilátero como o símbolo da natureza, bela e fecunda. Em seus hieróglifos ele significava “adoração.” Para os Cristãos, o triângulo equilátero, contendo o olho aberto de Shiva, é o símbolo da Divindade. Os Hindus e os Caldeus consideravam-no como emblema do espírito do universo. Exotericamente este círculo central representa o sol, o doador de vida e luz do mundo físico, evoluído a partir do fogo e água. *

[ * — Ver Apêndice, notas vii. e xx.]

É bem sabido que entre os ocultistas antigos, de todas as nações, o triângulo com o vértice para cima simbolizava “fogo”; aquele com o vértice para baixo, “água.” O círculo exterior que circunscreve os triângulos é o horizonte, este aparente limite do mundo material, dentro do qual, em suas viagens diárias, o sol parece estar amarrado. Daí o nome Inti-Huatana, “cabresto do sol,” dado pelos antigos Peruanos aos círculos de pedra tão profusamente espalhados sobre os planaltos da Cordilheira dos Andes, ao longo das margens do Lago Titicaca, * na Índia, na Arábia, no norte da África, no norte da Europa, onde são conhecidos como círculos druidas. Seu uso ainda é uma questão de debate para antiquários Europeus. Eles desdenham de buscar na América a explicação dos motivos que levaram a sua erecção e a de muitos outros edifícios, bem como a origem dos costumes e tradições que continuam a ser entre eles os temas para controvérsias inúteis.

[ * — George E. Squier, Perú: Incidents of Travels and Explorations in the Land of the Incas, chap. xx., p. 384.
Augustus Le Plongeon, A Sketch of the Ancient Inhabitants of Peru, chap. i.]

Os doze vieiras [scallops] que cercam o círculo exterior são as doze casas ou lugares-de-descanso do sol; Isto é, os doze meses do ano solar, ou doze signos do zodíaco. Quanto aos quatro raios duplos, aqueles mais próximos das casas do sol tipificam os Quatro Primordiais [primordial Four], emanações diretas do sol central — os quatro Gigantes Celestiais que ajudaram em formar o universo material. As mais baixas simbolizam as quatro substâncias primordiais conhecidas pelos cientistas moderno como nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, e carbono, cujas combinações diferentes formam os quatro elementos primitivos — fogo, água, ar e terra — nos quais estes podem novamente ser resolvidos.

No Apêndice, a explicação esotérica do diagrama é apresentada como se fosse dada pelos sábios Maias aos seus alunos no sigilo dos misteriosos recessos de seus templos. Esta corresponde precisamente à doutrina da evolução cósmica contida no antigo livro Sânscrito de “Dzyan,” que constitui o fundamento da obra “A Doutrina Secreta” de Madame H. P. Blavatsky.*

[ * —  Blavatsky, A Doutrina Secreta, vol. i., pp. 27-35. “Seria uma mera coincidência que o nome Dzyan do arcaico manuscrito Indiano, cuja tradução, com comentários, Madame Blavatsky deu ao mundo, seja uma palavra puramente Maia? Para escrevê-la de acordo com a maneira aceita de escrever Maia, devemos substituir a dupla consoante dz pelo seu equivalente ͻ. Então, temos a palavra ͻian, que significa “inchado pelo fogo” (“swollen by fire”). No livro Dzyan, estrofe iii., § 1, lemos: “A mãe incha, estendendo-se de dentro para fora, como o broto do lótus, ” . . . e § 9: “A luz é chama fria, e a chama é fogo, e o fogo produz calor, que produz água; a água da vida na grande mãe.” . . .]

Os colonos Maias que levaram suas concepções de evolução cósmica para a Índia, temendo que o significado desse diagrama, propositalmente feito tão simples pelos sábios em sua pátria, não fosse suficientemente inteligível para os novos iniciados a quem eles o comunicassem na Terra de sua adoção, amplificaram-no e compuseram o “Sri-Santara,” tornando cada parte de fácil compreensão.

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Isso, a primeira vista, pode parecer como uma afirmação de opinião privada. Não é, no entanto. É a afirmação de um fato histórico, que se torna evidente quando estudamos dito “Sri-Santara,” e percebemos que os nomes de suas diferentes partes, desde Aditi, o “ilimitado”, até Maya, a “Terra”, não são Sânscrito mas palavras puramente Maias Americanas.

Agora, se os sacerdotes Hindus, os Brâmanes, não receberam a cosmogonia dos Maias, juntamente com o diagrama pelo qual eles a simbolizaram, como aconteceu que eles adotaram exatamente as mesmas figuras geométricas que os Maias para tipificar suas noções de Criação do universo, as quais somos ditos que eles tomaram emprestado da “religião materialista da população não-Védica;” * e que, ao dar nomes às várias partes das referidas figuras, eles fizeram uso de vocábulos que não pertenciam ao seu próprio vernáculo, mas a uma língua falada pelos habitantes de um país distante a muitos milhares de quilômetros do seu próprio e separado deste pelas águas do oceano, cuja travessia era por eles, como ainda é por seus descendentes, considerada como uma profanação?

[ * — J. Talboys Wheeler, History of India, vol. iii., p. 56.]

Não devemos perder de vista o fato de que os Danavas e os Nâgás eram povos que não pertenciam ao estoque Ariano, e que eles sofreram uma perseguição feroz nas mãos dos Brâmanes quando estes adquiriram o poder. *

[ * — Ibid.]

Quanto a estes, sua origem é um dos pontos mais obscuros nos anais da Índia antiga; Eles mal são mencionados nos hinos Védicos. Quando, em tempos remotos, os Arianos invadiram o Punjab, os Brâmanes não tinham poder ou autoridade. Eles eram meramente mensageiros e sacrificadores. Nenhuma comida tão pura como a cozida por um Brâmane.*

[ * — J. Talboys Wheeler, History of India, vol. ii. p. 640.]

Outros entre eles, com uma mentalidade devota, eram ermitos fazendo penitência, imersos em contemplação. Na época da conquista do norte da Índia por Alexandre, muitos viviam em conventos, praticando ocultismo. Eles foram chamados de gimnosofistas pelos Gregos e eram considerados homens muito sábios.*

[ * — Philostratus, Life of Apollonius of Tyana, lib. ii. chap. 15, p. 242; lib. iii., chap. 11, p. 8. Translation of Charles Blount, London, 1680.]

Mas deve-se lembrar que o período entre o estabelecimento dos assentamentos Védicos sobre o Saraswati e a conquista do Hindustão pelos Arianos, quando eles se tornaram o poder principal, provavelmente cobre um intervalo de milhares de anos.*

[ * — J. Talboys Wheeler, History of India, vol. ii. p. 624.]

“Os Arianos não parecem ter tido uma ideia definitiva de um universo de ser ou da criação de um universo.” * Deles, portanto, os Brâmanes não poderiam ter tomado emprestado sua narrativa da criação, a qual difere do que podemos inferir dos hinos Védicos.*

[ * — Ibid., p. 452. Adolphe Pictet, Les Origines Indo-Européennes, vol. iii., p. 410.]
[ ** —  J. Talboys Wheeler, History of India, vol. ii. p. 452]

Ainda assim, “Manu tomou emprestado algumas das idéias transmitidas em sua narrativa da criação do universo por Brahma.” *

[ * — Ibid, p. 449.]

De quem ele tomou emprestado?

“Os Brâmanes raramente tentaram ignorar ou denunciar as tradições de novos povos com quem entraram em contato, mas sim converteram esses materiais em veículos para a promulgação de seus princípios peculiares”.*

[ * — Ibid, p. 450.]

Os Nâgás, nós vimos, eram um povo altamente civilizado, cujos governantes dominavam todo o Hindustão quando os Arianos estabeleceram suas primeiras colônias nas margens do Saraswati. Mais tarde, veremos que estes Nâgás eram originalmente adeptos Maias, que em épocas remotas migraram de Mayach para a Birmânia, de onde eles espalharam suas doutrinas entre as nações civilizadas da Ásia e da África. De outra maneira, explique o uso da língua Maia Americana pelos Hindus, chamando de Maya o mundo material? (Ma, “país;”  yach, o vérêtrum [genital] do ancestral, através do qual todas as coisas terrestres vivas foram produzidas).

Esta questão pode ser respondida por outra. Por que encontramos costumes Ingleses, tradições Inglesas, língua Inglesa, na América, Índia, Austrália, África e mil e um outros lugares muito distantes uns dos outros, entre pessoas que nem sabem da existência uns dos outros? Por que?, alguém diria, porque os colonos da Inglaterra se instalaram nesses países e, naturalmente, levaram os costumes, as tradições, a língua, a religião, as ciências e a civilização da pátria-mãe. Por que, então, não admitir que o que ocorre em nossos dias tenha ocorrido em épocas passadas? O homem não é o mesmo em todos os tempos? O mais forte não impôs sempre suas idéias ao mais fraco? Se na luta pelo progresso eterno, o mais civilizado nem sempre foi fisicamente vitorioso, a história ensina que, intelectualmente, ele obteve a vitória sobre seu conquistador no longo prazo; Provando, o que tantas vezes foi afirmado, que a mente é mais poderosa do que a matéria.

A civilização é como as ondas do mar; uma onda segue outra. Suas cristas não são de igual altura. Algumas são mais elevadas; algumas são mais baixas. Entre elas, há sempre uma vala mais ou menos profunda. A onda por trás inevitavelmente empurra aquela imediatamente antes dela, muitas vezes a supera.

Se compararmos o “Sri-Santara” com o diagrama cosmogônico dos Maias, não requer um grande esforço de imaginação para perceber que ele é uma amplificação deste último. Sendo assim, vejamos o que pode ser, na língua Maia, o significado dos nomes de suas diferentes partes.

O uso do [idioma] Maia ao longo dessas páginas, para explicar o significado de nomes de deidades, nações e localidades cujo étimo é não apenas desconhecido, mas um mistério para os filólogos, mostrará a necessidade de se adquirir essa forma mais antiga de fala. Não é uma língua morta, sendo o vernáculo de quase dois milhões de nossos contemporâneos. Seu conhecimento nos ajudará a adquirir uma melhor compreensão da origem da história inicial da civilização Egípcia, da dos Caldeus e das nações da Ásia Menor. Também iluminará a escuridão que envolve as tradições primitivas da humanidade. Por meio desse [idioma], leremos os antigos livros e inscrições Maias, recuperaremos parte do esquecimento, pelo menos, da história antiga da América, e assim seremos capazes de dar seu lugar na história universal do mundo. Também poderemos compreender a quantidade de conhecimento, científico e histórico, possuído pelos sábios que escreveram na pedra, os acontecimentos mais marcantes da vida de sua nação, suas concepções religiosas e cosmogônicas. Talvez quando os poucos livros escritos por eles que nos alcançaram, e as inscrições monumentais ainda existentes, tenham sido cuidadosamente decifrados, muitos dentre os eruditos terão que alterar suas opiniões favoritas e confessar que nossa civilização pode não ser a mais elevada já alcançada pelo homem. Devemos ter em mente o fato de que estamos apenas emergindo da vala profunda e escura que existiu entre as civilizações Grega e Romana e a nossa, e que estamos ainda longe de ter chegado ao topo da onda.

Antes de prosseguir, posso notar que, embora os Maias pareçam ter penetrado no interior da Ásia até a Mesopotâmia e terem habitado um longo tempo nesse país, bem como na Ásia Menor; Que embora, desde eras remotas, eles tivessem residido no Decão e outras localidades no sul da Índia; Que, embora a língua Grega fosse composta em grande parte de [idioma] Maia, e as gramáticas de ambas as línguas fossem quase idênticas * — eles e os Arianos, como mostrado até então pela filologia, nunca tiveram intercurso entre si. Depois de um estudo completo da ilustre obra do Sr. Adolphe Pictet, “Les Origines Indo-Européennes ou les Aryas Primitifs,” e de um exame cuidadoso do idioma deles e das palavras Gregas dele derivadas, direta ou indiretamente através do Sânscrito, comparando então estas com as Maias, devo confessar que não consegui encontrar a mais remota analogia entre elas. Não, nem uma palavra! Pode-se supor que o nome do fluído mais abundante e necessário para os seres vivos deveria ser algo semelhante nos idiomas que concorrem para formar um terceiro. Não é assim, contudo. O erudito Sr. Pictet está perdido quanto à origem da palavra Grega, thalassa, para o “mar”. ** Se ele estivesse familiarizado com a língua Maia, ele facilmente a teria encontrado na palavra thallac, que significa uma “coisa instável”; Daí o verbo Grego tarassôthrasso — “agitar.” O nome para água em Maia é ha, em Egípcio e Caldeu é a.

[ * — Brasseur, Troano MS., vol. ii., edit. 1870. Introduction aux elements de la langue Maya, from p. xxiv. to p. xl.]
[ ** —Adolphe Pictet, Les Origines Indo-Européenes, vol. i., pp. 138-139.]

O que devemos argumentar a partir dessa total falta de relação entre dois povos que tiveram uma influência tão estupenda sobre a civilização das populações Asiáticas, Africanas e Européias? Devemos dizer que quando os Maias colonizaram os países do sul da Ásia, em seguida as margens do Eufrates, então o Vale do Nilo e, posteriormente, a Ásia Menor, era em tempos tão remotos que os Arianos, considerados como um povo primitivo vivendo no alvorecer da história, ainda não tinham se multiplicado em números que tornassem imperativo que eles abandonassem seu país natal em busca de novas casas? Devemos dizer que os colonos Maias precederam as migrações de tribos Arianas, que, abandonando seus lares bactrianos há apenas cerca de três mil anos antes da era Cristã, * foram para o sul e invadiram o norte da Índia; enquanto outros, indo para o oeste, atravessaram a Europa e se espalharam por esse continente?

[ * — A. Pictet, Les Origines Indo-Européenes, vol. iii., pp. 508-515.]

Isso explicaria o uso do [idioma] Maia em vez de palavras Sânscritas para os nomes das várias partes do “Sri-Santara;” mostraria o [idioma] Maia como sendo mais antigo do que o Sânscrito; e também explicaria as formas gramaticais comuns à ambos os Maias e os Grego, que a mistura ulterior de palavras Arianas à este último [Grego] não foi capaz de alterar.

Devemos premissar na explicação dos nomes das partes do “Sri-Santara” afirmando que as letras D, F, G, J, Q e V não são usadas na língua Maia. *

[ * — Beltran de Santa Rosa, Arte del Idioma Maya. Gabriel de Santa Buenaventura, Elements de la Lingua Maya.]

Desde eras remotas, os Brâmanes ensinaram que, no início, existia o Infinito. Eles o chamaram de Aditi, “aquilo que está acima de todas as coisas.” É precisamente o significado das palavras Maias A titich — composta de Ah, artigo masculino, o “forte,” o “poderoso;” e titich, “aquilo que está acima de todas as coisas.” * A-titich ou A-diti seria então o “poderoso superior a todas as coisas,” o “Infinito.”

[ * — Pio Perez, Maya dictionary.]

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Nesse infinito habita o Aum, cujo nome deve preceder todas as orações, todas as invocações. * Manu diz que o monossílabo significa “terra”, “céu” e “paraíso” [“earth,” “sky,” and “heaven”].**

[ * — Manava-Dharma-Sastra, book ii., Sloka 74.]
[ ** — Ibid., 76-77.]

J. Talboys Wheeler diz: * “No que diz respeito às três letras A, U, M, pouco pode ser coletado, exceto que, quando reunidas na palavra Aum, Manu diz que elas formam um símbolo do Senhor dos seres criados, Brahma.” Colebrooke diz: “De acordo, no entanto, com o Nirukta, que é um antigo glossário dos Vedas, a sílaba Aum se refere a todas as divindades. Os Brâmanes podem reservar para seus iniciados um significado esotérico mais amplo do que o dado por Manu.” Mas, por meio da língua Maia, aprendemos seu significado completo.

A-U-M:

A — para Ah, artigo masculino: o poder fecundante; o pai.
U — pronome feminino: o recipiente; O poder gerador; a mãe.
MMehen: o engendrado; o filho; ou, Ma, sim e não; O andrógino.

Em qualquer forma que combinamos as três letras do monossílabo sagrado — na língua Maia — elas nos dão os nomes e atributos de cada pessoa do Trimourti.

Por exemplo: Au-M — teu criador [thy maker].

A-U-M — o filho da tua mãe [thy mother’s son].
U-A-M — Eu sou o criador masculino.
M-U-A — o criador dessas águas.

Lemos no primeiro capítulo das ordenanças de Manu, * que o Ser Supremo produziu primeiro as águas, e nelas depositou um germe, um ovo, no qual Ele mesmo nasceu de novo sob a forma de Brahma, o grande ancestral de todos os seres.

[ * — Manava-Dharma-Sastra, book i., Sloka 8.]

Este ovo, este útero dourado, se chama Hiramyagarbha. * Esta palavra é composta dos seguintes quatro vocábulos Maias, hilaan, yam, kalba, ha, expressando a idéia de algo flutuando na água: hilaan, “ser sirgado;” yam, “meio;” kalba “incluso [enclosed]”; ha, “água.”

[ * — H. T. Colebrooke, Notice on the Vedas, lib. ii., § vi.]

Nele [neste útero dourado] nasceu Brahma, o Criador, a origem de todos os seres, “aquele que estava submerso nas águas.” Assim interpreta-se seu nome, de acordo com o [idioma] Maia — Be-lam-ha: Be, “o caminho;” lam, “submerso;” ha, “água.”

As águas eram chamadas Nara, diz Manu, * porque eram a produção de Nara o espírito divino, “a mãe da verdade:” Naa, “mãe;” La, “verdade eterna,” que continha a voz oculta dos mantras. O verbo Vach (Sânscrito), Uach (Maia), “uma coisa livre de grilhões,” o masculino divino; o primeiro espírito encarnado, Viradj (Sânscrito), Uilal (Maia), “aquilo que é necessário,” cuja união com Maya produziu todas as coisas.

[ * — Manava-Dharma-Sastra, book i., Sloka 10.]

Mais uma vez, podemos perguntar: Será o uso de palavras Maias neste caso sem significado? A semelhança da antiga arquitetura da Índia com aquela dos Maias — que desconcertou o arquiteto erudito arquiteto Inglês, o falecido James Ferguson — ou o uso do arco triangular Maia, e nenhum outro, em todos os edifícios sagrados na Índia, não provam nada? E a prática de estampar a mão, mergulhada em pigmento vermelho, na parede de templos e palácios, como uma maneira de invocar a bênção dos deuses, ou de afirmar a propriedade do prédio, como com um selo, sendo comum tanto em Mayach como na Índia; Ou o costume de levar as crianças nos quadris, que nunca era feito pelos Maias sem primeiro realizar uma cerimônia muito interessante chamada Heͻmek; * Ou a prevalência do culto da árvore e da serpente, ou aquele da cruz e do elefante, entre os Maias assim como entre os Hindus — será tudo isso sem sentido?

[ * — Alice D. Le Plongeon, Harper’s Magazine, vol. xx., p. 385.]

Em outro trabalho, mostrei como o culto da árvore se originou em Mayach e por que ele sempre foi aliado ao [culto] da serpente e do monarca. Mas nenhum antiquário jamais conseguiu rastrear a origem desses cultos, seja para o Egito, a Caldéia ou a Índia, embora seja bem conhecido que eles existiram nesses países desde eras remotas.

[ * — Augustus Le Plongeon, Sacred Mysteries, p. 109, et passim.]

O objetivo dessas páginas não é fornecer aqui todas as provas que possam ser aduzidas sobre a presença dos Maias na Índia e sobre a influência de sua civilização em seus habitantes; Mas seguir suas trilhas ao longo das margens do Oceano Índico, para o interior da Ásia, através da Ásia Menor, onde estabeleceram colônias, para a África, até que finalmente chegaram ao vale do Nilo e estabeleceram as bases do renomado reino Egípcio, cerca de seis mil anos antes do reinado de Menes, o primeiro rei Egípcio terrestre. *

[ * — Bunsen, Egypt’s Place in universal History, vol. iii., p. 15.]

 

 

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III.

Continuando o exame dos diagramas cosmogônicos das antigas nações Asiáticas históricas, encontramos, próximo em importância, o “Ensoph” dos Caldeus. Pode-se ver facilmente que este também é uma amplificação do símbolo Maia do universo, ainda existente em Uxmal, bem como do “Sri-Santara” dos Hindus.

Pode-se perguntar: Como vieram os Caldeus a adotar as mesmas figuras geométricas usadas pelos Maias para simbolizar suas concepções cosmogônicas?

Beroso, o historiador Caldeu, nos diz que a civilização foi levada à Mesopotâmia por Oannes e seis outros seres, meio homem, meio peixe, que vieram do Golfo Pérsico; em outras palavras, por homens que moravam em barcos, que é precisamente o significado do vocábulo “Oannes”, ou Hoa-ana na língua Maia (ha, “água;” a, “tua;” na, “casa,” “residência” — “aquele que tem sua residência na água.”) Sir Henry Rawlinson, falando sobre o advento dos primeiros Caldeus na Mesopotâmia, diz: * “Com esta raça originaram-se a arte de escrever, a construção de cidades, a instituição de um sistema religioso, o cultivo de todas as ciências e da astronomia em particular.”

[ * — Sir Henry Rawlinson, note to Herodotus, lib. i., 181, in George Rawlinson’s Herodotus, vol. i., p. 319.]

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Se a filologia, como a arquitetura, puder servir de guia para seguir os passos de um povo em suas migrações na face da Terra, podemos afirmar com segurança que os Maias, em uma época ou outra, viajando pelas margens do Oceano Índico, chegaram à foz do Indus e colonizaram o Baluchistão e os países a oeste desse rio até o Afeganistão; onde, até hoje, tribos Maias vivem nas margens norte do Rio Kabul. *

[ * — London Times, weekly edition, March 4, 1879, p. 6, col. 4.]

Os nomes da maioria das cidades e localidades nesse país são palavras que têm um significado natural na língua Maia; Eles são, de fato, aqueles [nomes] de antigas cidades e aldeias cujas ruínas cobrem o solo de Iucatã, e de várias ainda habitadas.

Eu fiz uma comparação cuidadosa dos nomes dessas cidades e lugares na Ásia, com seu significado na língua Maia. Neste trabalho, meu estimado amigo, o Rt. Rev. Dr. Dn. Crecencio Carillo e Ancona, atual bispo de Iucatã, me ajudou gentilmente, como em muitos outros estudos de raízes e palavras Maias agora obsoletas; os objetos aos quais elas se aplicavam deixaram de existir ou caíram em desuso.*

[ * — Esta lista é dada na íntegra em meu grande trabalho, ainda não publicado, Os Monumentos de Mayach e seus Ensinamentos Históricos.]

O bispo Carillo é um cavalheiro literário de bem conhecida habilidade, o autor de uma história antiga de Iucatã, um erudito bem versado na língua de seus antepassados. Ele é de ascendência Maia.

Seguindo os Maias em suas jornadas para o oeste, ao longo dos litorais, encontramos vestígios deles à frente do Golfo Pérsico, onde formaram assentamentos no país pantanoso na foz do Eufrates, conhecido pela história sob o nome de Acádia [Akkad].

O significado desse nome, dado às planícies e terras pantanosas situadas à sudeste da Babilônia, tem sido, até recentemente, um enigma para estudantes de Assiriologia; E ainda é um enigma para eles o motivo pelo qual um país completamente desprovido de montanhas viria a ser chamado de Acádia [Akkad].
Não têm os bem conhecidos estudiosos; o falecido George Smith da fama da Gênesis Caldeana, o Rev. Prof. A. H. Sayce de Oxford na Inglaterra e o Sr. François Lenormant na França, descoberto, ao traduzir uma das tabuletas lexicográficas bilíngües encontradas na biblioteca real do palácio do rei Asurbanipal em Nínive, que na língua Acadiana este [nome Acádia] significava “montanha,” “país alto,” enquanto que a palavra para “país baixo,” “plano,” era Suméria [Sumer]; e que, por uma antítese singular, os Sumérios habitavam as montanhas a leste da Babilônia, e os Acadianos [Akkadians], as planícies regadas pelo Tigre e o Eufrates e os pântanos na foz deste rio ?

A maneira como eles tentam explicar essa anomalia estranha é supondo que, em tempos muito remotos, os Acádios [Akkadi] moravam nas montanhas e os Sumérios [Sumeri] nas planícies; E que, em algum período desconhecido, não registrado e por algum motivo desconhecido, essas nações devem ter migrado em massa, trocando suas moradas, mas ainda preservando os nomes pelos quais estas eram conhecidas, independentemente do fato de que os referidos nomes estavam em desacordo com a característica das localidades em que eles habitavam agora; mas fizeram isso por costume e por tradição.*

[ * — François Lenormant, Chaldean Magic and Sorcery, p. 399. ]

Devemos dizer: “Si non é vero é ben trovato,” embora este possa ou não ser o caso, não havendo registro de que tal permutação tenha ocorrido, e, portanto, não pode ser autenticada.

Os Maias, dos quais encontramos tantos vestígios na língua Acadiana, oferecem uma etimologia mais natural, daí racional, do nome Akkad, e em perfeita concordância com a característica do país assim chamado. Akal é uma palavra Maia, cujo significado é “lagoa,” * “terreno pantanoso;” E akil é um terreno pantanoso cheio de juncos, tal como eram e ainda são a baixa Mesopotâmia e as localidades perto da foz do Eufrates.

[ * — Sir Henry Layard (Nineveh and Babylon, p. 356) diz que o nome antigo do Mediterrâneo era Akkari.]

Quanto ao nome Sumer, sua etimologia, embora também seja muito clara de acordo com o [idioma] Maia, pareceu desconcertante ao Sr. Lenormant, que, no entanto, o interpretou corretamente, “o país baixo” [“the low country.”] A raiz Acadiana sum evidentemente corresponde ao Grego fig. le plongeon - palavra Grega- vale, depressao, parte mais baixa, “fundo,” “depressão,” e ao Maia, Kom, um vale. Os Sumeri seriam então os habitantes dos vales, enquanto os Akkari seriam os dos pântanos.

A partir disso e do que aparecerá diretamente, não se deve supor que o Acadiano antigo e o Maia antigo sejam línguas cognatas. O grande número de palavras Maias encontradas no Acadiano foram enxertadas nele pelos colonos Maias, que em tempos remotos estabeleceram-se na Acádia [Akkad] e se tornaram proeminentes, após uma longa permanência no país, sob o nome de Kaldi.

Através dos esforços de estudiosos tão eminentes como Dr. Hincks, Sir Henry Rawlinson, Dr. Oppert, Monsieur Grivel, Professor Sayce, Sr. François Lenormant e outros, a antiga língua Acadiana, ou muito desta, foi recuperada, traduzindo-se as tabuletas que compunham a biblioteca do rei Asurbanipal. O Sr. Lenormant publicou uma gramática e vocabulário elementar dela. Deste modo, selecionei as poucas palavras que são puro Maia, com a mesma significação em ambos os idiomas. Tendo apenas um espaço limitado para dedicar aqui a um assunto tão interessante, na minha seleção me limitei a palavras tão inequivocamente semelhantes que sua identidade não pode ser questionada.

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Fig. Le plongeon - quadro 2  com  nota - comparativo idiomas Maia e Acadiano.jpg

Assiriologistas modernos, depois de traduzir as tabuletas sobre magia Assíria e Caldéia, escritas na língua Acadiana, concordam com os livros proféticos das Escrituras na opinião de que os Caldeus descenderam dos Acadianos primitivos e que essas pessoas falavam uma língua diferente das línguas Semíticas. Um escritor em the British and Foreign Review, diz: * “A Babilônia foi habitada em um período inicial por uma raça de pessoas inteiramente diferentes da população Semítica conhecida nos tempos históricos. Essas pessoas tinham uma literatura abundante e foram os inventores de um sistema de escrita, que era inicialmente hieroglífico. . . . Das pessoas que inventaram este sistema de escrita muito pouco é sabido com certeza, e até mesmo o nome é uma questão de dúvida.”

[ * — British and Foreign Review, No. 102, January, 1870, vol. ii., p. 305.]

De acordo com Beroso, que era um sacerdote Caldeu, estes primeiros habitantes da Babilônia, cuja residência inicial estava na Caldéia, eram estrangeiros de outra raça
(fig. le plongeon - palavra Grega-   outra raça.jpg). *

[ * — Berosus, Fragments, §§ 5, 6, 11.]

Ele estabeleceu cuidadosamente uma distinção entre eles e os Assírios. Aqueles Acadianos primitivos, aqueles estranhos na Mesopotâmia, os aborígenes teriam naturalmente considerado como convidados no país. Tomando uma sugestão dessa idéia, eles chamaram seu primeiro assentamento de ula ou ul, uma palavra Maia que significa “convidados recém-chegados.” Neste assentamento no terreno pantanoso, para que os nativos ou as bestas selvagens que pululavam nos juncos não os atacassem, os estranhos cercaram suas habitações com paliçadas e designaram o lugar como Kal-ti, daí Kaldi pelo qual sua tribo continuou sendo conhecida mesmo quando eles se tornaram influentes. A palavra kalti é composta por dois primitivos Maiaskal, “estar cercado com postes”, e ti, “lugar.”

No meu trabalho “The Monuments of Mayach and their Historical Teachings,” tracei passo a passo a jornada dos colonos Maias ao longo do Eufrates, para a “Cidade do Sol,” Babilônia, chamada em Acadiano, de acordo com o Sr. Lenormant, * Ká-Dingira ou Tin-tir, cuja etimologia parece ser desconhecida para ele, embora facilmente encontrada por meio do [idioma] Maia. O nome Ká-Dingira parece ser composto por quatro primitivos Maias — Cah, “cidade;” Tin, uma partícula que, em composição, indica o lugar onde alguém se encontra ou onde uma ação ocorre; Kin, “sacerdote;” La, “verdade eterna,” o deus, o sol. Cah-Tin-kin-la ou seja Ká-Dingira, é “a cidade onde residem os sacerdotes do sol”.

[ * — Lenormant, Chaldean Magic and Sorcery, pp. 193, 353.]

O nome Tin-tir, Maia Tin-til, significa Tin, “o lugar onde uma coisa realmente existe;” Tiliz, por elisão Til, “sagrado,” “misterioso,” “venerável.” Tin-til seria, portanto,
“o lugar sagrado, misterioso,” um título muito apropriado para uma cidade sagrada. Til pode ser novamente o radical de Tilil, que significa “propriedade.” Tin-til significaria, neste caso, “este lugar é minha propriedade, pertence a mim, o deus, o sol,” o que está em perfeita concordância com este outro nome étnico da Babilônia, Ka-Ra, ou seja, Cah-La, “a cidade da verdade eterna,” do “sol.”

O nome dado ao templo das “sete luzes do céu,” bem como seu modo de construção, mostra que os construtores eram colonos de um país onde esse tipo de edifício — a pirâmide de pedra — não era apenas comum, mas o tinha sido desde eras remotas.

Babel é uma palavra cujo étimo tem sido um ponto de disputa para Orientalistas e filólogos. Eles ainda não estão de acordo quanto ao seu significado, simplesmente porque eles não sabem à qual idioma ela pertence nem de onde vieram as pessoas que ergueram o monumento. Somos ditos que eles eram estranhos nas planícies de Sinar. Vieram eles originalmente de Mayach? Eles falavam o vernáculo daquele país [Mayach] longe além do mar para o sol nascente, e [o livro de] Gênesis afirma que eles viajaram do leste.*

[ * — Gênesis, cap. xi., versículo 2.]

Ba, em Maia, tem vários significados; o principal, no entanto, é “pai,” “ancestral.”

Bel também tem várias significações. Entre estas, significa “maneira” [“way”], “costume” [“custom”].

Ba-bel, portanto, indicaria que o edifício sagrado foi construído de acordo com a maneira, o costume, dos ancestrais ​​dos construtores.

Landa, em seu trabalho “Las Cosas de Yucatan,” nos informa que os Maias gostavam muito de dar apelidos a todas as pessoas proeminentes entre eles. O mesmo costume existe hoje entre os seus descendentes, que raramente falam de seu superior por seu nome, mas sim por um apelido descritivo de algumas características acentuadas observadas por eles e pertencentes ao indivíduo. Por exemplo, se alguém perguntar sobre mim, por meu nome próprio, aos homens que durante meses me acompanharam em minhas expedições nas cidades em ruínas de Iucatã, eles certamente sacudirão a cabeça e responderão: “Não o conhecemos.” Mas, se perguntados sobre o Ahmeexnal, “aquele da barba longa,” então eles entenderiam imediatamente de quem se tratava.*

[ * — Sempre foi, e é hoje, uma característica dos Maias dar sobrenomes àqueles que eles consideram superiores. Cogolludo fala dessa peculiaridade e menciona seu grande espirituosismo em dar assim apelidos de modo que aqueles a quem eles eram dados não se ofendiam, mesmo sabendo que foram ridiculizados. Uma instância desse tipo vem à minha mente. Nakuk-Pech, um nobre nativo que escreveu uma narrativa das conquistas de Iucatã pelos Espanhóis, na língua Maia, os representa como viciados em embriaguez e em toda espécie de libertinações; Ainda os chama Kul-uinicob, os santos homens, que vieram pregar uma “santa religião.” Mas esse apelido tem um segundo significado.
Kul, é verdade, significa santo. Pronunciando-se o k suavemente, o que um estrangeiro não acostumado com a pronunciação Maia invariavelmente faz, ele soa cul, o que significa um “copo,” uma “taça,” um “cálice,” assim como o Grego fig. le plongeon - palavrinha Grega- copo, taça.. Portanto,
cul-uinicob significa “homens viciados no copo” (“devotados ao copo”) — bêbados.]

Este mesmo costume parece prevalecer entre os Acadianos primitivos, a julgar pelos nomes de seus primeiros reis, os construtores das cidades ao longo das margens do Eufrates, cujos selos estão estampados nos tijolos usados ​​nos alicerces dos edifícios erguidos por eles.

Urukh, nos dizem, é um deles; Likbabi é outro freqüentemente encontrado.

É bem sabido que não se encontram pedras nas planícies aluviais da Mesopotâmia, que, consequentemente, as primeiras cidades foram construídas de barro; Isto é, de tijolos secos ao sol — adobes. É provavelmente por esse fato que eles chamaram o rei que ordenou que eles fossem construídos Urukh, “aquele que faz tudo do barro.”

Urukh é uma palavra composta de dois primitivos Maiashuk, “fazer tudo,” e luk, “barro.” Na composição, Huk-luk seria contraído em Huluk, daí Urukh.

Este também é dito ter sido o nome da cidade de Erech, a sede de um famoso colégio eclesiástico Acadiano. * Isso, no entanto, não altera o significado da etimologia Maia da palavra, nem a torna menos apropriada, já que a cidade foi construída de tijolos secos ao sol — de barro, conseqüentemente.

[ * — F. Lenormant, Chaldean Magic and Sorcery, pp. 13, 323.]

Quanto ao nome do Rei Likbabi, * também é composto de dois primitivos Maias — lik, “transportar” e “bab,” “remar.” É extremamente provável que, ao construir os templos em cujos fundamentos seu nome tem sido encontrado, como não havia estradas para transportar facilmente por terra seus materiais de construção, ele usou a via navegável mais conveniente oferecida pelo Eufrates. Daí seu apelido, Likbabi, “aquele que transporta todas as coisas pela água,” isto é, “por remo.”

[ * — Ibid., pp. 318-321.]

Na língua da Acádia [Acadiano] foram preservados todos os tratados científicos dos Babilônios. Mas, na época que em as tribos Semíticas se estabeleceram na Assíria, por volta do século XIII a.C., a língua Acadiana começou a cair em desuso. Ela foi logo esquecida pela generalidade dos habitantes. Seu conhecimento tornou-se o privilégio exclusivo dos sacerdotes, que eram os depositários de toda a aprendizagem. Quando os conquistadores Semíticos impuseram seu próprio dialeto aos vencidos, a língua antiga da Acádia permaneceu, segundo Sir Harry Rawlinson, * como a linguagem da ciência no Oriente, assim como o Latim foi no Ocidente durante a Idade Média.

[ * — apud George Rawlinson, Herodotus, vol. i., p. 319.]

No século VII a.C., Asurbanipal, rei da Assíria, tentou revivê-la. Ele ordenou a realização de cópias dos tratados antigos na língua Acadiana, e também que uma tradução Assíria fosse colocada ao lado do texto. São estas cópias que chegaram aos nossos tempos, transmitindo-nos o conhecimento desta forma antiga de fala, que poucos dentre os homens instruídos de Babilônia preservaram no momento da queda do Império Babilônico, quando Dario tomou posse da Cidade de Belus. *

[ * — Herodotus, lib. iii., 151, 158.]

Somos informados pelo Livro de Daniel, que nenhum dos homens sábios do rei conseguiu ler as fatídicas palavras, escritas pela mão de um espírito na parede do salão do banquete do Rei Belsazar. Somente um, o profeta Daniel, que foi instruído em toda a tradição dos antigos Caldeus, conseguiu interpretá-las.*

[ * — Livro de Daniel, cap. I., versículo 17.]

O Dr. Isaac de Nova York e outros eruditos rabinos afirmam que essas palavras eram Caldaicas. Mas elas eram, e ainda são, vocábulos pertencentes à língua Maia Americana, tendo precisamente o mesmo significado dado por Daniel. *

[ * — Ibid., cap. V, versículos 25-28.]

As palavras Maias — Manel, mane, tec, uppah, são traduzidas:

Manel, “Tu é passado” [“Thou art past”], no sentido de terminado.

Mane, “Tu é comprado” [“Thou art bought”], portanto, “pesado” (todas as coisas sendo compradas e vendidas por peso).

Tec, “leve”, “não pesado.” A palavra é tomada hoje no sentido de “veloz,” “ágil.”

Uppah, “Tu serás quebrado em dois.” A essa palavra estão aliados paa e paaxal, “quebrar em dois,” “romper em pedaços,” “espalhar os habitantes de um lugar.” *

[ * — Pedro Beltran, Arte del Idioma Maya. Pio Perez, Maya dictionary. Cf. *, “to break.”]

Será isso uma mera coincidência? De jeito nenhum. Não há dúvida de que a língua Acadiana ou Caldaica continha muitas palavras Maias. Os limites deste trabalho não me permitem citar todas as provas que eu poderia apresentar para estabelecer plenamente seu relacionamento íntimo. Algumas mais devem ser suficientes para o presente.

Tomemos, por exemplo, as últimas palavras, de acordo com Mateus e Marcos, * faladas por Jesus na cruz, quando uma esponja saturada com posca *2 foi colocada em seus lábios: “Eli, Eli, lamah sabachthani.”

[ * — Mateus, cap. xxvii., versículo 46. Marcos, cap. xv., versículo 34.]
[ *2 — Posca era a bebida comum dos soldados Romanos, que eles eram obrigados a carregar com eles em todas as expedições, entre as quais estavam as execuções de criminosos. Nossas autoridades sobre este assunto são Spartianus (Vida de Adriano, § 10) e Vulcatius Gallicanus (Vida de Avidius Cassius, § 5). Esta posca era uma bebida muito refrescante, muito agradável em climas quentes, como o escritor pode certificar, tendo freqüentemente usado-a em suas expedições entre as cidades em ruínas dos Maias. Ela é feita de vinagre e água, adoçada com açúcar ou mel, uma espécie de oximel.]

Não é de admirar que aqueles que estavam perto dele não pudessem entender o que ele disse. Até o dia de hoje, os tradutores dos Evangelhos não conhecem o significado dessas palavras, e fazem com que ele, que eles pretendem ser o Deus do universo, desempenhe diante da humanidade um papel triste e lamentável, não vou dizer para um deus, mas para um homem mesmo. Ele falou puro Maia. Ele não se queixou de que Deus o abandonara quando falou ao indivíduo caridoso que tentou dissipar as dores da intolerável sede que ele sofria em consequência das dificuldades que havia suportado e a tortura do castigo infligido a ele: “Hele, Hele, lama zabac ta ni; ” Isto é, “Agora, agora estou desmaiando, a escuridão cobre meu rosto;” Ou, nas palavras de João, “está consumado.” *

[ * — João, cap. XIX., versículo 30.]

fig. Le Plongeon - pagina 32  placa XVIII -  -.jpg

Mais uma vez, na lenda da criação, conforme relatado por Beroso, de acordo com Eusébio, * os Caldeus acreditavam que uma mulher governara todas as monstruosas bestas que habitavam as águas no início de todas as coisas. O nome dela era Thalatth.
Os Gregos o traduziram como Thalassa e o aplicaram ao próprio mar. Pergunte aos filólogos modernos qual é a etimologia dessa palavra. Eles responderão, ela está perdida. Eu digo: Não — ela não está perdida! Pergunte novamente a qualquer estudioso Maia o significado da palavra thallac. Ele irá dizer-lhe que ela denota “uma coisa sem firmeza” [“a thing without steadiness”] como o mar.

[ * — Eusebius, Chroni., can. i. 2, pp. 11-12.]

Novamente, quando a confiança na adivinhação legal tornou-se abalada pelo progresso da incredulidade filosófica, e a observação de augúrios foi reduzida a uma mera formalidade, * os magos Caldeus, cuja fama era universal e datada de uma antiguidade muito remota, afluiram para Roma, e foram recebidos pelos Romanos de todas as classes e de ambos os sexos.*2

[ * — Cicero, De Natura Deorum, 11, 3..]
[ *2 —Juvenal, Satire, vi. 553. Chaldeis sed major erit fiducia.]

Sua influência logo se tornou tão grande a ponto de excitar os medos supersticiosos dos imperadores, pretores, e outros de alta autoridade. Como conseqüência, eles foram proibidos sob pesadas penalidades, mesmo de morte, de exercer sua ciência.*

[ * — Heineccius, Elements of Roman Jurisprudence, vol. i., Tabul viii., art. 25, p. 496.]

No ano 721 de Roma, sob o triunvirato de Octavius, Antonius e Lepidus, eles foram expulsos da cidade.*

[ * — Dion Cassius, xlix., 43, p. 756. Tacitus, Annal., 11-32.]

Eles então se dispersaram nas províncias — na Gália, Espanha, Alemanha, Bretanha, etc.

Os Srs. Lenormant e Chevalier, em sua “Ancient History of the East” [“História Antiga do Oriente”], nos informam que, quando esses conjuradores exorcizavam espíritos malignos, clamavam: “Hilka, hilka! Besha, besha!” Que eles traduziram por:
“Vá embora, vá embora, maligno, maligno!”

[ * — Lenormant et Chevalier, Ancient History of the East, vol. i., p. 448.]

Esses autores pouco suspeitavam, quando escreveram essas palavras, que eles estavam dando uma tradução correta dos vocábulos Maias ilil ka xaxbe, formando parte de uma língua ainda falada por milhares de seres humanos.

Para entender corretamente o significado do exorcismo, devemos lê-lo, como toda escrita Maia antiga deve ser lida, da direita para a esquerda, assim: xabe, xabe! Kail! Kail! O X Maia é o equivalente do sh Inglês.

Xabe é evidentemente uma corrupção do verbo Maia xaxbe, “ser posto de lado,” “abrir espaço para alguém passar.” ou kaá significa “algo amargo,” “sedimento.”
Ka em Egípcio era “espírito,” “gênio,” equivalente ao Maia ku, “deus.” Il é uma contração do adjetivo Maia ilil, “vicioso,” uma “coisa proibida,” correspondendo exatamente ao “ill” [“mal”] Inglês e tendo o mesmo significado.*

[ * — Pio Perez, Maya dictionary, e também, ancient Maya dictionary MS. in Brown Library, Providene, R. I.]

A interpretação literal dessas palavras seria, portanto, “Aparte, aparte!  espírito maligno, espírito maligno!” [“Aside, aside! evil spirit, evil spirit!”], conforme dado pelos Srs. Lenormant e Chevalier.

Collin de Plancy, em seu “Dictionnaire Infernal,” sob o título “Magic Words” [“Palavras Mágicas”], nos diz que os magos ensinavam que as conseqüências fatais da mordida de um cão raivoso poderiam ser evitadas ao repetir hax pax max. O erudito autor do dicionário deprecia a superstição ignorante de pessoas que acreditam em tais bobagens; e ele mesmo, por meio de sua ignorância da língua Maia Americana, não consegue compreender a grande importância científica dessas palavras que são sem sentido para ele.

Essas palavras pertencem à língua Maia, embora nos seja dito que elas são Caldaicas e usadas ​​pelos magos Caldeus.

Hax, em Maia, é um pequeno cordão ou cordel torcido à mão; Isto é, no impulso do momento, com pressa. Esse cordão seria naturalmente usado para fazer uma ligadura para parar a circulação do sangue no membro ferido, para evitar que o vírus da raiva entre penetre nele. Esta ligadura ainda é utilizada nos nossos dias pelos aborígenes de Iucatã, no caso de alguém ser mordido por uma cobra ou outro animal venenoso.

Pax é um verbo Maia da terceira conjugação, cujo significado é tocar um instrumento musical.

A ação da música no sistema nervoso dos animais, do homem em particular, era bem conhecida dos antigos. Eles recorriam a sons harmoniosos para acalmar a fúria daqueles aflitos de insanidade. Lemos na Bíblia: “E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele.”

[ * — 1 Samuel, cap. xvi., versículo 23.]

Estamos cientes de que a música pode excitar todas as paixões no homem ou apaziguá-las quando despertas. Os sons marciais inflamam a raiva homicida no peito dos guerreiros, e eles se apressam cegamente para combater e matar uns aos outros sem causa ou provocação. Os hinos patrióticos sustentam a coragem das vítimas dos partidos políticos, mesmo em face da morte. Melodias suaves e doces acalmam as paixões do mal, predispondo a mente à paz, à quietude e à meditação. Esforços religiosas excitam o êxtase, quando a mente vê visões das coisas celestiais, e os entusiastas se convencem de que eles mantêm comunhão com seres celestiais, sejam estes quem ou o que forem, e imaginam que eles agem sob o impulso divino.

Os taumaturgos [thaumaturgi] da antiguidade conheciam bem a influência da música sobre os homens. Nos templos da Grécia e da Ásia eles usavam flautas, címbalos, tambores, etc., entre outros meios, para induzir em certos indivíduos a condição anormal conhecida hoje como “clarividência” e desenvolver a exaltação profética. E Eliseu disse: * Ora, pois, trazei-me um músico. E sucedeu que, tocando o músico, veio sobre ele a mão do Senhor.

[ * — 2 Reis, cap. iii., versículo 15. 1 Samuel, cap. x., versículo 5.]

Pax, então, indica que, em casos de hidrofobia, eles recorriam a instrumentos musicais para acalmar o paciente e aliviar seus sofrimentos.

Max é o nome Maia para uma determinada espécie de pimenta selvagem (a Myrtus pimenta de Lineu, a Eugenia pimenta de De Candolle). Ela cresce espontaneamente e em grande abundância nas Índias Ocidentais, Iucatã, América Central, de fato, ao longo das regiões tropicais do Continente Ocidental. A pimenta-caiena, portanto, foi considerada para o vírus da raiva e aplicada nas feridas, assim como o alho é [utilizado] em nossos dias e tem sido desde idades remotas. É um costume muito antigo entre os aborígenes de Iucatã, quando alguém é mordido por um cão raivoso, fazer com que a vítima masque o alho, engula o suco e aplique a polpa às feridas feitas pelos dentes do animal. Eles acreditam firmemente que tal aplicação e uso interno do alho certamente cura a hidrofobia, ou quaisquer outras conseqüências malignas do vírus venenoso introduzido no corpo pelas mordidas de certos animais.

 

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IV.

Alguns desses povos de língua Maia, seguindo os instintos migratórios herdados de seus primeiros ancestrais, deixaram as margens do Eufrates e a cidade de Babilônia, e atravessaram o deserto Sírio, em direção ao sol poente, em busca de novas terras e novos lares. Eles chegaram ao Istmo de Suez. Prosseguindo o seu caminho, eles entraram no vale fértil do Nilo. Seguindo as margens do rio, eles escolheram um distrito da Núbia, onde se estabeleceram, e que eles chamaram Maiu, * em memória do local de nascimento de seu povo nas terras do sol poente, cuja adoração estabeleceram no seu recém-adotado país. *2

[ * — Henry Brugsch-Bey, History of Egypt under the Pharaohs, vol. i., p. 363; vol. ii., pp. 78-174.]
[ *2 — Thoth é dito ter sido o primeiro que introduziu no Egito o culto do “Sol Poente”.]

Quando os colonos Maias chegaram ao vale do Nilo, o rio provavelmente estava na sua cheia, tendo transbordado suas margens. As comunicações entre os assentamentos nativos sendo então impossíveis, exceto por meio de barcos, estes devem ter sido muito numerosos. O que é mais natural do que chamá-lo o “país dos barcos” — Chem, sendo este o Maia para o “barco”?

Seja lembrado que barcos, e não carros, devem ter sido o principal meio de transporte entre os primeiros Egípcios. Assim, ao contrário dos Arianos, dos Gregos, dos Romanos e de outras nações, eles não representaram o sol viajando pelos céus em uma carruagem puxada por corcéis impetuosos, mas sim navegando no céu em um barco; Nem eram os seus mortos levados para o seu lugar de repouso no Oeste em uma carruagem, mas em um barco. *

[ * — Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs, vol. iii., p. 178.]

fig. Le Plongeon -  BARCO FUNERARIO EGÍPCIO.jpg

Sem dúvida, no momento da sua chegada, as águas estavam repletas de crocodilos, então eles também chamaram naturalmente o país de “lugar dos crocodilos,” Ain, palavra a qual é o nome do Egito nos monumentos; * E nos hieróglifos fig. le plongeon - hieroglifo - cauda crocodilo a cauda desse animal representava isso. Mas Ain é o Maia para “crocodilo.”
A cauda serve de leme ao animal; Assim, para os iniciados ela simbolizava, neste caso, um barco, bem como um crocodilo. *2

[ * — Henry Brugsch-Bey, Hist. of Egypt, vol. i., p. 10.]
[ *2 — Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs, vol. iii., p. 200.]

“Um verdadeiro enigma,” diz o Sr. Henry Brugsch, ” nos é proposto na derivação dos nomes próprios curiosos que os povos estrangeiros da Ásia, cada um em seu próprio dialeto, estavam acostumados a designar o Egito. Os Hebreus deram à terra o nome de Mizraim, os Assírios, Muzur. Podemos ter certeza de que, na base de todas essas designações, encontra-se uma forma original que consistiu nas três letras M, z, r — todas as explicações das quais ainda não foram bem-sucedidas.” *

[ * — Henry Brugsch-Bey, Hist. of Egypt, vol. i., p. 12.]

Pode-se perguntar, e com razão, Como é que tantos Egiptólogos eruditos, que estudaram a questão, não conseguiram encontrar a etimologia dessas palavras?

A resposta é, de fato, a mais simples. É porque eles não o procuraram no único idioma onde esta se encontra — o Maia.

O Egito sempre foi um país em sua maioria desprovido de árvores, que eram desarraigadas pela inundação, cujas águas levavam seus detritos e os depositavam por toda a terra. O lavrador, a fim de arar o solo, tinha primeiro que limpá-lo dos detritos; Daí, sem dúvida, os nomes Misur, ou Muzur, concedidos pelos Assírios. Bem, então, miz, na língua Maia, significa “limpar os detritos de árvores” [“to clear rubbish of trees”], e muuzul “arrancar árvores” [“to uproot trees”].

Não satisfeitos com esses nomes onomatopéicos, eles deram ao novo lugar de sua adoção outros [nomes] que recordariam a sua mente e a de seus descendentes a pátria-mãe além dos mares ocidentais. Aprendemos com o Manuscrito Troano, o Códice Cortesiano, e as inscrições, que Mayach, desde as eras mais remotas foi simbolizado como um beb (amoreira) ou como haaz (bananeira); * também por uma serpente com peito inflado, ereta no meio das águas entre os dois mediterrâneos Americanos, o Golfo do México e o Mar do Caribe, representados nos escritos Maias por um sinal semelhante ao nosso numérico 8. **

[ * — Aug. Le Plongeon, Sacred Mysteries, p. 115, et passim.]
[ ** — Aug. Le Plongeon, Sacred Mysteries, p. 120, et passim.]

fig. Le Plongeon - pagina 82  placa XXIX -  -.jpg

 

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Diego de Cogolludo, em sua história de Yucatán, nos informa que até 1517 d.C., quando os Espanhóis invadiram pela primeira vez esse país, a terra dos Maias ainda era designada como “a grande serpente” e “a árvore.” *

[ * — Cogolludo, Hist. de Yucatan, lib. i., cap. i.]

Os colonos Maias, portanto, chamaram seu novo assentamento às margens do Nilo de “terra da serpente” e também a “terra da árvore.” Os hierogramatistas Egípcios representaram seu país como uma serpente com fig. le plongeon - hieroglifinho - cobra o peito inflado, ereta sobre uma figura 8, sob a qual está uma peneira, chamada Mayab em Maia; Às vezes, também como uma serpente com fig. le plongeon - hieroglifinho - cobra alada coroada o peito inflado e com asas, usando um cocar fig. le plongeon - hieroglifinho - coroa alto egito idêntico ao usado por alguns dos magnatas retratados nos baixo-relevos de Chichen. *

[ * — Sir Gardner Wilkinson, Manner and Customs, vol. iii., p. 199.]

Eles também simbolizaram o Egito como uma  fig. le plongeon - hieroglifinho - - x ponta de lança árvore * que se acredita ser a Persea, sagrada para a deusa Athor, cujo fruto nas esculturas se assemelha a um coração humano, *2 que recorda vividamente o on dos Maias, que carrega o abacate [alligator pear] — o Laurus persea de Lineu, tão abundante na América tropical.

[ * — Ibid, p. 200. ]
[ *2 — Ibid, p. 119.]

Pode ser que tudo isso sejam meras coincidências? Se forem, então vamos apresentar mais delas.

O rio, espalhado como estava sobre a terra, eles designaram como Hapimil, que tempos depois foi corrompido para Hapimau. É uma palavra composta de dois primitivos Maiasha, “água” e “pim,” a espessura (densidade) [thickness] das superfícies planas; Daí a “espessura”, a “profundidade de água” [the “depth of water”]. A desinência il é usada como um sufixo para substantivos para denotar uso, costume, ou uma coisa que existiu anteriormente. Isso concorda precisamente com a significação dada ao nome Hapimau do Nilo, pelos estudiosos Egípcios, o “abismo de água” [the “abyss of water”].

Herodoto nos diz que “antigamente todo o Egito, com exceção do nomo de Tebas, era um pantanal alagadiço.”

[ * — Herodotus, lib. ii., iv.]

O nome Tebas, da capital do Alto Egito, era Taba entre os nativos. Essa palavra parece ser aliada ao vocábulo Maia tepal, “governar,” “reinar,” que, como substantivo, é equivalente a “majestade,” “rei,” o “chefe da nação.”

Quanto a Memphis, a capital do Baixo Egito, seu nome sagrado, somos informados por M. Birch, era Hakaptah, que é uma palavra composta de dois vocábulos Maiasha, “água,” e kaptah, particípio passado do verbo kaapal, “colocar em um buraco” [“to place in a hole”]. O nome da cidade significaria então que ela foi construída em um buraco feito pela água; Muito apropriado, uma vez que somos informados de que o Rei Menes, o fundador de Memphis, tendo desviado o curso do Nilo, construiu a cidade no leito do antigo canal em que este fluía.

O próprio nome do rei Menes pode ser um mero apelido comemorativo de seus feitos, uma vez que a palavra Maia men significa “homem sábio,” “legislador,” “construtor,” “arquiteto,” sendo cada um desses epítetos aplicáveis para ele.

Embora os limites deste livro permitam pouco espaço para apresentar mais provas da origem Maia dos nomes de lugares — que seria, afinal, evidência cumulativa, para a qual o leitor é encaminhado para o meu trabalho maior, “The Monuments of Mayach and their Historical Teachings” [“Os Monumentos de Mayach e seus Ensinamentos Históricos” — não posso resistir à tentação de mencionar o nome do Espírito Governante do universo, o do Criador, e o das divindades que representavam Seus atributos para as mentes Egípcias; também dando a etimologia Maia destes nomes. Para que não se possa argumentar que são meras coincidências, apresentarei o quadro da criação como ainda existe na fachada leste do palácio de Chichen, onde logo retornaremos e seguiremos nosso estudo do Salão Memorial dedicado ao Príncipe Coh pela sua irmã-esposa, a Rainha Móo.

Chnoumis ou Noum, foi dito ser o “espírito vivificante,” a “causa da vida nos animais,” o “pai de tudo que tem vida;” * portanto, a fonte abundante da qual todas as coisas emanam.

[ * — Eusébio, Praep. et Demons. Evang., lib. iii., cap. xi., p. 215. Diodoro Sículo, Hist., lib. i. 12.]

Este é o significado exato da partícula Maia num em composição com outra palavra. * Amen-num, ou x-num, significa o “arquiteto,” o “construtor de todas as coisas” —
a, contração de ah, “o;” men, “arquiteto,” “construtor,” “homem sábio,” “legislador;” num, ou x-num, “multiplicidade,” “abundância de coisas.”

[ * — Pedro Beltran, Arte del Idioma Maya.]

Kneph era outro nome para X-noum, que também era chamado Amen-Kneph. Horapollo diz: “A serpente é o emblema do espírito que permeia o universo.” *

[ * — Horapollo, Hieroglyphs, lib. ii.]

Assim também aprendemos de Eusébio, que nos diz que os Egípcios chamavam Kneph o “bom gênio,” e o representavam sob a forma de uma serpente. *

[ * — Eusébio, Praep., Evang., lib. iii., cap. xi. Vigiers, Paris, 1626.]

Nos monumentos antigos, o deus Amen-Kneph é muitas vezes retratado, precedido ou seguido por uma enorme serpente que o envolve dentro de suas grandes dobras. *

[ * — Eusébio, Praep., Evang., lib. iii., cap. xi. Vigiers, Paris, 1626.]

Este não é o lugar para entrar em especulações sobre os motivos pelos quais os Egípcios selecionaram a serpente como emblema da divindade. Em outro trabalho, expliquei a origem da adoração da serpente entre os Maias.*

[ * — Aug. Le Plongeon, Sacred Mysteries, p. 100, et passim, particularmente em Monuments of Mayach and their Historical Teachings, cap. iii.]

O nome K-neph pode ser lido Ka-neph, que pode ser uma pronúncia dialetal da palavra Maia Canhel, que significa uma serpente, um dragão. Mais tarde veremos a serpente que acompanha a estátua do Criador, no quadro da criação em Chichen.

Pthah era o nome de outro atributo do Espírito Divino, uma forma diferente do poder criativo, que se diz ter nascido de um ovo produzido a partir da boca de Kneph.*

[ * — Horapollo, Hierogl., lib. i. 12.]

Ele corresponde, portanto, a Brahma, o ancestral de todos os seres, na cosmogonia Hindu, * a Mehen na dos Maias.

[ * — Manava-Dharma-Sastra, lib. i., chap. i., Sloka 9.]

Pthah, diz Jâmblico, era o artesão; O “Senhor da Verdade,” de acordo com Porfírio.
Na língua Maia, Thaah significa o “trabalhador,” o “artesão.” *

[ * — Pio Perez, Maya dictionary. Pedro Beltran, Arte del Idioma Maya.]

Nas esculturas Maias, particularmente no tronco das cabeças de mastodonte que adornam os edifícios Mais antigos, o nome é escrito fig. le plongeon - hieroglifinho - Tza - ptah Tza, “aquilo que é necessário.” *

[ * — Ibid.]

Khem era o princípio generativo da natureza, outro atributo do Criador. Este deus presidia a geração, não só dos homens e de todas as espécies de animais, mas também do mundo dos vegetais. O Sr. Samuel Birch afirma que seu nome foi lido variadamente Xem ou Min.

Na língua Maia, hem-ba se refere aos órgãos de geração em em animais, xex é o esperma do homem, e min a “avó paterna.” *

[ * — Pio Perez, Maya dictionary. Pedro Beltran, Art del Idioma Maya.]

Naturalmente, esta pergunta se apresentará à mente do leitor assim como se apresentou à mente do autor: Supondo que os colonos Maias, vindos do leste, chegaram ao vale do Nilo, se estabeleceram lá e desenvolveram essa estupenda civilização da qual Renan diz: * “Pois quando se pensa nessa civilização, pelo menos, seis mil e quinhentos anos atrás, que não teve infância conhecida, que esta arte, da qual permanecem inúmeros monumentos, não tem um período arcaico; que o Egito de Cheops e de Chephren é superior, em certo sentido, a tudo o que se seguiu — se é tomado de vertigem. ‘On est pris de vertige.'”

[ * — Ernest Renan, Revue des deux Mondes, April, 1865.]

Embora enganado em afirmar que a arte Egípcia não teve um período arcaico, ele está certo, no entanto, ao dizer que seu local de nascimento era um mistério para os Egiptólogos; Pois, para citar as próprias palavras de Rawlinson, “No Egito, é notório que não haja indícios de um período inicial de selvageria ou barbarismo. . . . Todas as autoridades concordam que, por mais longe que nos remotemos, não encontramos no Egito nenhuma época rude ou incivilizada a partir do qual civilização é desenvolvida.” *

[ * — Rawlinson, Origin of Nations, p. 13.]

“A inferência razoável a partir desses fatos,” diz Osburn “(para nossa apreensão, somos livres para confessar, a única razoável), parece ser, que os primeiros colonos no Egito eram uma companhia de pessoas em um estado elevado de civilização, mas que, através de uma estranha anomalia na história do homem, eles foram privados de uma grande parte da linguagem e de todo o sistema escrito que antigamente tinha sido o meio e o veículo de sua civilização. . . . Combinando essa inferência com as claras indicações incontestáveis que já assinalamos, que os pais do antigo Egito primeiro viajaram através do Istmo de Suez, e que trouxeram consigo o culto ao “sol-poente,” como é possível resistir à conclusão de que eles vieram para lá a partir das planícies de Babel, e que a civilização do Egito foi derivada das margens do Eufrates?” *

[ * — William Osburn, The Monumental History of Egypt, vol. i., cap. iv., pp. 220-221.]

Isso até agora é, ou parece ser, perfeitamente verdadeiro; Mas quem eram os emigrantes? Osburn não nos conta. De que país eles vieram quando chegaram às margens do Eufrates e trouxeram a civilização ali? Eles não “caíram dos céus desconhecidos,” como Seiss gostaria que seus leitores acreditassem, embora eles tenham vindo da terra-Kui (Kui-land), o país dos deuses no oeste.*2

[ * —  Seiss, A Miracle in Stone, p. 40.]
[ *2 —  Ku é o Maia e também o Egípcio para a Divina Inteligência, Deus; i é a marca do plural em Egípcio e Quiché.]

Os próprios Egípcios alegaram que seus ancestrais eram estranhos que, em épocas muito remotas, se estabeleceram nas margens do Nilo, * trazendo para lá, com a civilização de sua pátria-mãe, a arte da escrita e uma linguagem polida; Que eles vieram da direção do sol-poente, *2 e que eles eram os “mais antigos dos homens”.*3

[ * — Rawlinson, Origin of Nations, p. 13.]
[ *2 — Diodorus, Hist., vol. i., p. 50.]
[ *3 — Heródoto, Hist., lib. ii. 11.]

Esta expressão, Heródoto considerou como mera vanglória. No entanto, ela é facilmente explicada se os Egípcios consideravam Mayach, fig. le plongeon - hieroglifinho -   - mayach.jpg “a terra emergida primeiro do seio do abismo,” como o berço de sua raça.

Esta afirmação, que os Egípcios apontaram para o oeste como o ponto da bússola onde o lugar de nascimento de seus ancestrais estava situado, pode parecer uma contradição direta do fato de que os primeiros colonos Maias no vale do Nilo vieram das margens do Eufrates; ou seja, a partir do leste. Esta aparente discrepância é, no entanto, facilmente explicada pelo outro fato, que houveram duas distintas migrações Maias para o Egito. A segunda, a mais importante, vindo do Oeste, direto de Mayach, produziu uma impressão mais duradoura sobre a memória das pessoas.

Seguimos passo a passo os Maias em suas viagens desde seus lares nas “Terras do Ocidente” através do Pacífico, ao longo das margens do Oceano Índico até a cabeça do Golfo Pérsico, depois subindo o Eufrates — nas margens do qual eles formaram assentamentos que, com o tempo, se tornaram cidades grandes e importantes — para a Babilônia. A migração desses povos de língua Maia a partir dos países orientais, através do deserto da Síria, para o Egito ocorreu séculos antes da chegada a esse país da Rainha Móo com seu séquito, direto de Mayach, através do Atlântico. Seus seguidores, frescos das “Terras do Ocidente,” trouxeram naturalmente as maneiras e costumes, as tradições, a religião, as artes e as ciências da pátria que eles haviam abandonado recentemente. Eles foram imitados, e suas maneiras foram adotadas com facilidade, pelos descendentes dos primeiros colonizadores Maias, que haviam se tornado mais ou menos contaminados com os hábitos, superstições, idéias religiosas, dos habitantes dos vários lugares onde há tanto tempo eles residiram ou com quem eles estiveram em contato.

Se, portanto, desejamos encontrar o berço da civilização Egípcia, onde ela teve sua infância e se desenvolveu a partir de um estado de barbárie, e por que ela apareceu já crescida nas margens do Nilo, devemos procurar no oeste de onde ela foi transplantada.

É um fato bem conhecido que a história se repete. O que aconteceu há séculos no vale do Nilo acontece em nossos dias. A civilização Européia está agora sendo transportada já crescida para os Estados Unidos e outros países do continente Ocidental. Daqui a dez mil anos, estudiosos falando da atual civilização Americana podem re-ecoar as palavras de Renan em relação aos Egípcio: “Ela não teve nenhuma infância conhecida — nenhum período arcaico.”

Vimos que os Acadianos — isto é, os Caldeus primitivos, que habitavam em lugares cercados por paliçadas nas terras pantanosas na foz do Eufrates — que trouxeram a civilização para a Mesopotâmia, possuíam um perfeito sistema de escrita; falavam uma linguagem polida semelhante ao Maia; tinham noções cosmogônicas idênticas àquelas dos Maias, e as expressavam por meio de um diagrama semelhante, mas mais complexo do que o encontrado em Uxmal, Iucatã.

Nós também vimos que os povos de língua Maia, cujas trilhas seguimos pelo deserto Sírio, e que se estabeleceram no vale do Nilo, trouxeram ali a arte de escrever, uma linguagem polida, e as mesmas noções cosmogônicas entretidas pelos Caldeus, os Hindus e os Maias; Que os nomes das cidades que eles fundaram, dos deuses que eles adoravam, eram também palavras pertencentes à língua Maia. Em outro trabalho * mostrou-se que o alfabeto Maia, descoberto pelo autor, e o alfabeto hierático Egípcio eram idênticos.

[ * — Le Plongeon, Sacred Mysteries, Introduction, p. xii.]

Se os limites deste livro permitissem, também poderia provar-se que a letra inicial dos nomes Maias dos objetos que representam as letras do alfabeto Egípcio são as próprias letras assim representadas no referido alfabeto e que vários desses sinais são contornos de localidades no império Maia.

fig. Le Plongeon - pagina 82  placa XXX -.jpg

A partir dessas premissas, não poderia ser afirmado, com segurança, que, se os Maias e os Egípcios não se ensinaram as artes da civilização, ambos as aprenderam dos mesmos mestres, nas mesmas escolas? E se a afirmação do Professor Max Müller for verdadeira, que particularmente na história inicial do intelecto humano existia a relação mais íntima entre linguagem, religião e nacionalidade, * então não há dúvida de que os Egípcios e os Maias foram ramos de um poderoso tronco firmemente enraizado no solo da “Terra de Kui” no continente Ocidental.

[ * — Max Müller, Science of Religion, p. 53.]

fig. le plongeon - DEUSA UATI - MATI.jpg

[ * — Wilkinson, Manners and Customs, vol. ii., p. 198.]

Se eu fornecesse as datas, de acordo com o autor do MS. Troano e outros historiadores Maias, muitos duvidariam de sua precisão e replicariam: como sabemos que você interpretou corretamente as narrativas — escritas em caracteres que nenhum dos Americanistas, que afirmam ser autoridades em paleogravura Americana, pode decifrar? Sabe-se que eles não podem interpretar com certeza meia dúzia dos sinais Maias, muito menos traduzir uma frase completa; e eles afirmam que, se eles, que escreveram volumes inteiros sobre o assunto, não entendem esses escritos Maias, ninguém mais pode.

Por esta razão, deixo ao Sr. Bunsen o cuidado de determinar as datas, particularmente porque as [datas] calculadas por ele, por mais estranho que pareça, correspondem muito àquelas fornecidas pelos antigos escritores Maias.

“A data mais recente em que o início da vida Egípcia, a imigração a partir do distrito do Eufrates, * pode ter ocorrido é 9580 a.C., ou cerca de 6000 antes de Menes. Mas o império que Menes fundou, ou o período cronológico dos Egípcios como uma Nação, até o fim do reinado de Nectanebo II., compreendeu, segundo nossos cálculos históricos, quase trinta e três séculos.”

[ * — Filóstrato, em seu Vida de Apolônio de Tiana, um livro escrito no início da Era Cristã, afirma (p. 146) que os primeiros Egípcios eram uma colônia da Índia.]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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[em construção]

 

 

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Uma resposta para Rainha Móo e A Esfinge Egípcia – Augustus Le Plongeon

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